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Publicado em 9 de outubro de 2020

Funarte lamenta a morte de Cecil Thiré

O ator e diretor teatral faleceu na sexta-feira, dia 9, aos 77 anos

Funarte lamenta a morte de Cecil Thiré

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lamenta a morte de Cecil Thiré, ocorrida na sexta-feira, 9 de outubro. O ator, diretor e autor teatral e professor de teatro faleceu em sua casa, no Rio de Janeiro, enquanto dormia.

Filho da famosa atriz Tônia Carrero e de Carlos Arthur Thiré (desenhista, pintor, cenógrafo, figurinista e cineasta), Cecil enfrentava há alguns anos o mal de Parkinson e outros problemas de saúde.

Seu talento como ator e diretor deixam grande vácuo na cena brasileira. Mas seu sobrenome e legado teatral permanecem vivos em seus três filhos, Luísa, Miguel Carlos Thiré, artistas de teatro, TV e cinema.

No início dos anos 1960, o carioca Cecil Aldery Thiré estudou interpretação com Adolfo Celi, no Patronato da Gávea. No início da carreira, atuou sob a direção de Ziembinski, em Descalços no Parque, em 1964. No ano seguinte, trabalhou no Teatro Oficina, em Pequenos Burgueses. Em 66, no Teatro Jovem, participou de América Injusta, de Martim B. Dukerman. Em 1967, participou do elenco de Oh, que Delícia de Guerra!, dirigido por Ademar Guerra e em O, de Joan Littlewood. Em 1970, atuou em Cemitério dos Automóveis, de Fernando Arrabal, montagem de sucesso, com direção de Victor García.

Vencedor do do Prêmio Estado da Guanabara, seu primeiro trabalho como diretor foi em Casa de Bonecas, de Ibsen, em 1971. O crítico José Arrabal, comentou o espetáculo: “A revisão crítica de Cecil com a obra de Henrik Ibsen alcança, desta maneira, toda uma importância maior, ao produzir bom conhecimento, obrigação do teatro como diversão”.

Thiré foi ator de A Gaivota, de Anton Tchekhov, em 1974 – direção de Jorge Lavelli. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Molière, como encenador, por A Noite dos Campeões, de Jason Miller. Yan Michalski considerou esta a melhor direção de Cecil até então: “…uma constante compreensão do conteúdo a ser transmitido e adequação dos recursos através dos quais essa transmissão pode operar-se com maior eficiência”, disse o crítico. Em 1978, estreou Bodas de Papel, de Maria Adelaide Amaral.

No ano seguinte, foi consagrado como diretor, com o prêmio Molière por dois espetáculos: O Fado e a Sina de Matheus e Catirina, de Benjamin Santos; e com o Prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), por A Resistência, de Maria Adelaide Amaral, no qual também foi intérprete. Este trabalho lhe valeu as palavras do crítico Flávio Marinho: “… o diretor valoriza cada linha do texto através de pausas expressivas, absoluta noção de timing e domínio total do ritmo do espetáculo. O resultado é pleno de detalhes de mise-en-scène que garantem um sopro de vida a personagens quase de cartolina. […] Cecil volta a brilhar como diretor de intérpretes, extraindo do elenco um rendimento altamente homogêneo, onde os pontos altos estariam nos verdadeiros duelos interpretativos travados”.

A partir desse momento, Thiré passou a também atuar em espetáculos que dirigia. Em 1984 afastou-se dos palcos. Voltou a dirigir em 1994. Trabalhou de forma constante em TV, tanto como ator quanto como encenador. No final da década de 90, dedicou-se também à função de professor de interpretação.

A Funarte registra aqui um tributo à obra e à vida de Cecil Thiré, devotada ao fazer e ao aprimorar da arte teatral, em seus vários canais. Nossos profundos sentimentos à família desse grande amigo do teatro.

Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural