Início do conteúdo
Notícias Projeto grava vídeo de dança para assistir de olhos fechados em Sala da Funarte SP

Funarte Notícias

Publicado em 19 de janeiro de 2021

Projeto grava vídeo de dança para assistir de olhos fechados em Sala da Funarte SP

Espetáculo foi contemplado pelo Prêmio Festival Funarte Acessibilidança Virtual 2020

Projeto grava vídeo de dança para assistir de olhos fechados em Sala da Funarte SP Crédito da imagem: Divulgação / Coletivo Desvio Padrão

O projeto Só se fechar os olhos, do Coletivo Desvio Padrão, de São Paulo, foi um dos contemplados no Prêmio Festival Funarte Acessibilidança Virtual 2020 e prepara o vídeo do espetáculo para exibição ao público. Inédito na Fundação Nacional de Artes, o edital tem foco na acessibilidade e inclusão e abrange as cinco regiões do Brasil. A sessão foi filmada na Sala Carlos Miranda do Complexo Cultural Funarte SP e será disponibilizada em breve, em canal a ser divulgado. A apresentação paulista convida o espectador a fechar os olhos, literalmente, e apreciar a dança a partir da narração, dos sons e da música, criando suas próprias imagens.

Com texto de Edgar Jacques, ator e dramaturgo, cego desde a infância, a montagem oferece uma inversão da lógica da audiodescrição. Como Jacques nunca assistiu a um espetáculo de dança, a própria criatividade e imaginação dele foram os limites para a peça.

Enquanto a audiodescrição consiste em traduzir o mundo visual em palavras, permitindo que pessoas cegas e com baixa visão possam compreender a dimensão visual, o projeto chama o público para apreciar uma obra a partir da perspectiva de quem não enxerga. A intenção é que o espectador, seja porque é cego ou porque aceitou fechar os olhos, cocrie a dança em sua mente, tendo o audiodescritor como guia.

“Além de nossas formulações em palavras, sons e ritmos — coisas exteriores — Só se fechar os olhos é uma dança criada com trechos de memória, lembranças, sensações, intensidades e formulações interiores das pessoas que aceitam a experiência”, explica o Coletivo. Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta assinam a concepção e performance.

Duas rainhas, “opostas, mas complementares, descobrem movimentos possíveis para além da norma. […] Se o espectador fechar os olhos e abrir os ouvidos, ele as vê. E elas dançam”, diz a sinopse. Segundo o texto, trata-se de uma “experiência sinestésica”, ou seja, de associações psicológicas que vêm de sentidos distintos — por exemplo, de um som e uma cor —, como resultado da cooperação entre a mente de quem assiste e o fluxo da coreografia.

“Nosso combinado com o público é o seguinte: escolha um lugar confortável, tente relaxar e desligar dessa roda-viva de imagens, telas e luzes em que nos metemos. Então feche os olhos e procure habitar o tempo de uma dança que só existe como sensação, imaginário e fluxo. As imagens vão começar a se formar na mente daqueles que aceitaram embarcar nessa experiência e, durante esse fluxo, poderemos nos impressionar com as possibilidades da nossa própria capacidade onírico-pensadora”, completa o grupo.

O Coletivo produz versões audiovisuais do espetáculo. Uma delas é em português com o texto narrado e performado por Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta, com trilha sonora original executada por Enrique Menezes (composição e viola caipira) e Rafael Ramalhoso (violoncelo). A outra é em Libras, apresentada pelas atrizes e performers surdas Nayara Silva e Catharine Moreira.

Acessibilidade

Com classificação livre, os vídeos terão audiodescrição — notas com informações sobre o espetáculo, como sinopse, concepção e ficha técnica, bem como a descrição do espaço físico, dos artistas e figurinos; a transcrição do texto para Libras, com interpretação por Catharine Moreira e Nayara Silva; e legendas para surdos e ensurdecidos (LSE).

O projeto oferece um plano de divulgação para garantir acessibilidade aos diversos públicos-alvo, com produção de “flyers” e “posts” audiodescritos, convites sonoros, convites em Libras e LSE; e divulgação dos materiais produzidos nas redes e grupos de pessoas surdas; cegas ou com baixa visão; ou com deficiência intelectual, autismo, dislexia ou mobilidade reduzida.

No Prêmio Festival Funarte Acessibilidança Virtual 2020, foram anunciadas, em novembro, a premiação de 25 propostas, destinando R$ 31,2 mil a cada uma, em um total de R$ 810 mil em investimentos, sendo R$ 30 mil reservados a custos administrativos. O objetivo é valorizar e fortalecer a expressão da dança brasileira e possibilitar a sua democratização, inclusão e acessibilidade.

Crédito da imagem: Thamires Mulatinho / Divulgação

Reportagem: Pamela Mascarenhas
Supervisão: Marcelo Mavignier