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Publicado em 30 de abril de 2021

Funarte preserva correspondência de Paschoal Carlos Magno

Acervo do Cedoc da Fundação têm cartas assinadas por grandes nomes do teatro nacional

Funarte preserva correspondência de Paschoal Carlos Magno Paschoal Carlos Magno, vice-cônsul do Brasil, em Liverpool (Inglaterra), 1940. Fotógrafo não identificado. Cedoc/ Funarte

Material ajuda a contar a história da arte brasileira. Confira alguns trechos.

O Fundo Paschoal Carlos Magno é um dos muitos acervos preservados pelo Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc) da Fundação Nacional de Artes – Funarte. Esse conjunto inclui diferentes tipos de documentos, tais como cartas. São mais de 5 mil, sendo que 450 delas revelam o diálogo de Paschoal com a classe teatral do País. Algumas das correspondências são assinadas por grandes nomes da cena brasileira.

Os documentos do Fundo retratam a trajetória de Paschoal, “um dos intelectuais mais importantes para o desenvolvimento da cultura brasileira no século 20,  (1906-1980)” – diz o Cedoc Funarte. A Fundação destaca, nesta matéria, parte do conteúdo de algumas das cartas, enviadas por personalidades como Cacilda Becker e Antônio Abujamra, entre 1935 e 1975.

Sobre Paschoal Carlos Magno

O teatrólogo, produtor e animador cultural, crítico, escritor, autor e diretor de teatro Paschoal Carlos Magno é considerado um dos maiores incentivadores das artes cênicas no País. Esteve à frente de diversas campanhas e empreendimentos relevantes para a história da cena brasileira. Criou o Teatro do Estudante do Brasil; os Encontros de Escolas de Dança do Brasil; a Caravana da Cultura e a Barca da Cultura; O Teatro Duse e a Aldeia de Arcozelo (estes, hoje, patrimônios da Funarte); entre outras realizações. Foi também uma das personalidades que mais se dedicaram à causa estudantil em sua época – um dos fundadores da Casa do Estudante do Brasil (1929). Atuou ainda como vereador, no Distrito Federal (1951-1955); como oficial de gabinete do presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1961); e secretário-geral do Conselho Nacional de Cultura (CNC), entre 1962 e 1964. Diplomata de carreira, serviu em diferentes embaixadas e consulados do Brasil, na Inglaterra, Grécia e Itália. Teve sucesso na crítica teatral, com sua coluna no jornal Correio da Manhã. De sua atividade como escritor, vale evidenciar o romance Sol sobre as palmeiras e a peça Amanhã será diferente.

Cartão postal de Antônio Abujamra, de Roma, para Paschoal. Imagem: Cedoc/ Funarte

Trechos das correspondências

Segundo o Brasil Memória das Artes, os bilhetes, telegramas e longas cartas enviadas a Paschoal registram afetos, dificuldades e a paixão dos artistas pelo teatro e as artes, em geral. Em correspondência da atriz Cacilda Becker, observa-se a repercussão do Festival Nacional de Teatro do Estudante: “Os pernambucanos foram incrivelmente amáveis comigo. Adoram você, Paschoal, e falam com entusiasmo do seu festival”. Em outro documento, estão as palavras de Antônio Abujamra, em 1959, sobre o embrião do projeto da Aldeia de Arcozelo, fundada em 1965: “Delirei com o programa da Aldeia (…) Aquilo é Deus! Paschoal, aquilo é Deus!”.

Nas cartas, vê-se pedidos de financiamento em bilhetes escritos à mão, como o de Odilon Azevedo, da companhia Dulcina-Odilon, em 1950. Além de reverenciar o “Embaixador da Cultura” como poeta, diplomata e homem de teatro, Odilon solicita apoio à temporada que se iniciaria no Teatro Regina (hoje, Dulcina), no Centro do Rio de Janeiro. Também observam-se as manifestações de afeto e o prestígio de Paschoal com a classe artística, em cartas como a do diretor Gianni Ratto, que escreve: “Suas palavras me compensaram de tantos anos de trabalho e de luta para um teatro que eu e nós queremos venha a ser sempre mais autenticamente brasileiro”.

Já no bilhete de Bibi Ferreira, a atriz se dirige a Paschoal como jornalista de teatro. Ela agradece a crítica “fina, inteligente e sóbria” para a peça Divórcio; e pede uma fotografia com dedicatória do teatrólogo: “Não sei se você sabe, mas você me dá sorte”. Bibi finaliza desejando que o Teatro do Estudante inaugure o ano de 1948 com sucesso. O pai da atriz, Procópio Ferreira, por sua vez, faz um desabafo registrado: “É mesmo uma desgraça ser artista neste país”.

Ler a carta do ator Sergio Cardoso, revelado por Paschoal em Hamlet, mostra o panorama teatral de 1958, além de uma “bronca” ao amigo: “Veja se cria vergonha, deixa de ser tão ministro para ser mais teatrólogo e amigo (…). Ruggero está aqui, para dirigir para o Danilo O Marido confundido, de Molière. Panorama visto da ponte foi um estrondo no T.B.C., com uma atuação delirantemente e merecidamente aplaudida do Leonardo Villar. Milton Carneiro está no Natal e Oscarito no São Paulo. Maria apresenta uma temporada de Reprises e o Teatro de Arena mantém seu estrondoso sucesso de Eles não usam black-tie. Anuncia-se a indefectível temporada lírica (…) Demos um espetáculo de Vestido à meia-noite (…). O Brasil é campeão mesmo (…)”.

Consulta de arquivos pessoais e coleções do Cedoc

Está no ar a base de dados AtoM, do Cedoc – Funarte, cujo objetivo é promover o acesso a arquivos pessoais e coleções de várias personalidades artísticas, preservados pelo Centro de Documentação. Desenvolvida em convênio com a Universidade Federal Fluminense (UFF), a plataforma difunde esses acervos privados, relativos às áreas de circo, dança, teatro, artes visuais e música. O sistema  permite navegar pelo conjunto de arquivos e coleções, conhecer sua composição e obter muitas outras informações.

No AtoM também estão disponíveis quadros de arranjo e inventários. A plataforma, que é um software livre, está em fase de implantação e deve disponibilizar a descrição de todos os cerca de 320 conjuntos documentais catalogados, em breve. Mas já é possível explorar alguns deles, como os arquivos Paschoal Carlos Magno, Família Oduvaldo Vianna, Sergio Britto e Tatiana Leskova, dentre outros.

Acesse aqui informações sobre o Fundo Paschoal Carlos Magno

Confira aqui a base de dados AtoM, da Funarte

Consultas presenciais suspensas temporariamente

Para consultar os documentos do Cedoc presencialmente, é necessário solicitar acesso por e-mail. Mas, em função da pandemia de covid 19, as consultas às dependências da Biblioteca Edmundo Moniz estão temporariamente suspensas. Porém, assim que possível, o agendamento voltará a ser realizado, pelo e-mail bibli-cedoc@funarte.gov.br ou pelos telefones (21) 2279-8290 / (21) 2279-8291. O espaço funciona de 2ª a 6ª feira, das 10h às 17h, à rua São José, 50, 2º andar – Centro, Rio de Janeiro (RJ).

Com informações do Projeto Brasil Memória das Artes e do Centro de Documentação e Pesquisa
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