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Notícias Funarte lamenta a morte de Abraham Palatnik

Funarte Notícias

Publicado em 11 de maio de 2020

Funarte lamenta a morte de Abraham Palatnik

O artista plástico, pioneiro da arte cinética, entre outras técnicas, faleceu aos 92 anos, por complicações respiratórias, agravadas pela Covid-19

Funarte lamenta a morte de Abraham Palatnik Abraham Palatnik. Sem título – ripas de madeira pintada com tinta acrilica – 2004 Acervo da Fundação José Augusto (RN), concedido por meio do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 5ª Edicao (Funarte)

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lamenta profundamente a perda do artista plástico Abraham Palatnik, ocorrida no dia 9 de maio, sábado, no Rio de Janeiro.

Falecido aos 92 anos, ele é considerado internacionalmente como um dos grandes pioneiros da arte cinética – técnica contemporânea escultórica que utiliza a tridimensionalidade em movimento; e de outras linguagens de escultura, pintura e outras artes visuais. Reconhecido mundialmente, obras suas estão expostas em instituições norte-americanas como o Museum of Fine Arts, em Houston (Texas), e o MoMA, na cidade de Nova York.

Palatnik estava internado em um hospital em Copacabana, na Zona Sul, desde o dia 29 de abril, com o novo coronavírus. Ele já tinha problemas respiratórios, que foram agravados por conta da Covid – 19.

Nascido em Natal, Rio Grande do Norte, em 1932, Palatnik se mudou ainda jovem para a região onde posteriormente foi fundado o Estado de Israel. Estudou no exterior. Em Tel Aviv, ainda na adolescência, estudou física e mecânica numa escola técnica, especializando-se em “motores de explosão”. Em 1943 começou ater aulas de pintura, desenho e estética. voltou a morar no Brasil em 1948, e passou a viver no Rio de Janeiro.

Novos padrões

Conheceu o ateliê do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, na Zona Norte da cidade, a convite do pintor e designer Almir Mavignier – que, em 1946, fundou o Centro, em projeto aprovado por sua idealizadora, a diretora do hospital, psiquatra e psicóloga Nise da Silveira. Juntamente com o crítico de arte Mário Pedrosa, Palatnik teve contrato os trabalhos dos internos – segundo Silveira, gerados a partir das linguagens do inconsciente, pois eles não tinham nenhuma formação anterior em escolas de arte. Essa produção causou muito impacto em Pedrosa, Palatnik e outros artistas. Segundo o próprio Abraham, isso influenciou sua obra, juntamente com conversas constantes com Pedrosa e os outros criadores daquela geração. Palatnik deixou para trás os padrões acadêmicos e passou a utilizar relações livres entre formas e cores, abandonando o figurativismo e aproximando-se da abstração.

O artista aprofundou os diálogos com Mário Pedrosa, Mavignier e os outros artistas e críticos que, com foco na inovação artística, revalorizavam elementos do concretismo, como o uso da matemática e sobretudo da geometria, entre outros conceitos – com influência de escolas européias, como a Bauhaus. Em 1954, o coletivo denominou-se Grupo Frente, integrando o professor Ivan Serpa, Mário Pedrosa, Palatnik, Ferreira Gullar, Lygia Clark, Almir Mavignier e outros grandes nomes da pintura, escultura, design e da literatura daquela geração.

A arte cinética

Iniciou um estudo artístico, a partir do deslocamentos físico de peças, como engrenagens, lâmpadas e outros mecanismos, geralmente acionados por motores, nos quais formas e cores geram efeitos visuais – entre eles ilusões de óptica. Como produto dessas experiências, o Palatnik concebeu a obra “Aparelho Cinecromático”, exposto em 1951 na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual ganhou Menção Honrosa do júri internacional. Em 1953, apresentou seus “Cinecromáticos”, na 2ª Bienal Internacional de São Paulo e na 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, em Petrópolis (RJ). depois denominada de “arte cinética”, tornou-se uma nova sublinguagem das artes visuai.

Em 1964 começou a criar os chamados “Objetos cinéticos”, a partir da série dos “Cinecromáticos”. Nas novas obras ficava aparente o mecanismo interno.

Em alguns de seus conjuntos de obras, as peças estão em movimento, mas sem engrenagens ou motores. Elas utilizam, por exemplo, movimentos pendulares, molas e outros recursos puramente mecânicos. Em outras, apenas a ilusão de ótica dá ao espectador a sensação de que os elementos se mexem.

Palatnik: legado de movimento perene

Retrospectivas de do artista estão expostas no Itaú Cultural, em São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), desde 1999. Em 2017, foi criada a exposição “Abraham Palatnik — A reinvenção da pintura” com 92 obras, três delas inéditas. A mostra passou Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.

Obras de Abraham Palatnik foram incluídas em proposta contemplada pela Funarte no edital do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça – 5ª Edição, lançado em 2012. O trabalho, Arte Cinética na Pinacoteca Potiguar – Abraham Palatnik, resultou na disponibilização de obras do artista para a Pinacoteca Potiguar da Fundação José Augusto, em Natal.

A professora Isaura Rosado, ex-secretária extraordinária de Cultura do Rio Grande do Norte lembra que a casa de leilões Christies, em Nova York (EUA), leiloou por 785 mil dólares um dos objetos cinéticos de Palatnik. “As cinco obras de Abraham Palatnik adquiridas para a Pinacoteca Potiguar (Fundação José Augusto), através do Prêmio Marcantonio Vilaça, se somam às que qualificam o acervo da Instituição. Aos norte-rio grandenses o orgulho é ainda maior, pelo fato de o artista, que já transcendeu há muito seus limites em nome da arte, ser filho legítimo dessa terra”, disse a professora.

Em 2018, Abraham Palatnik ganhou o Prêmio Faz Diferença, promovido pelo Jornal O Globo, na categoria Artes Plásticas.

A Funarte registra seu reconhecimento ao talento do consagrado e inovador Palatnik. Ele criou obras que, mesmo muitos anos após o desaparecimento do artista, não somente pelos motores e mecanismos, mas pela forma, luz e cor, nunca cessarão de se mexer. Vivas para sempre.

Acesse aqui página da exposição do artista no MAM – SP

O Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça

Por meio do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, a Funarte possibilita a incorporação sistemática de obras a acervos de instituições museológicas brasileiras. O programa estimula as produções dos novos valores no cenário das artes visuais do país. Também contribui para a formação artístico-educacional do público, ao disponibilizar as produções de arte nessas instituições. Para isso, o edital público, de abrangência nacional, o contempla artistas e/ou instituições culturais públicas localizadas nas cinco regiões do Brasil.

O Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça é uma homenagem da Funarte ao galerista, curador e colecionador pernambucano (1937 – 2000), que deixou um legado de compreensão mais ampla dos mecanismos da cadeia produtiva das artes visuais no Brasil. Em razão do seu estreito envolvimento com a produção artística e as instituições culturais do país, o edital contribui para o desenvolvimento cultural no país, pois se insere numa políticas pública direcionada ao estímulo da produção artística; ao mesmo tempo, ao incentivo a museus, entidades afins e centros culturais; e à participação de artistas.