Teatro Glauce Rocha estreia nova programação | Funarte – Portal das Artes
Você está em: Página InicialTeatroTodas as notíciasTeatro Glauce Rocha estreia nova programação

Teatro Glauce Rocha estreia nova programação

Durante sete semanas, a ocupação Glauce para Todos vai oferecer ao público espetáculos adultos, debates e oficinas

Publicado em 14 de novembro de 2017 Imprimir Aumentar fonte
Imagina esse palco que se mexe – foto Bruna Thimotheo
Imagina esse palco que se mexe – foto Bruna Thimotheo

O espetáculo Imagina esse palco que se mexe inaugura no dia 16 de novembro, às 19h, a nova programação do Teatro Glauce Rocha – uma das contempladas pela Funarte no edital de ocupação do espaço, em 2017.  Com direção de Moacir Chaves, a peça é construída a partir dos relatos do astrofísico João Ramos Torres de Mello Neto. A ocupação Glauce para Todos também vai trazer a estreia nacional de Utopia D, de Thomas More, e vai oferecer, ainda, oficinas gratuitas com Moacir Chaves, Julio Adrião, Josie Antello e Ana Barroso, além de debates e sessões acompanhadas por intérpretes de libras. Os ingressos para os espetáculos custam R$ 40 e R$30, e as oficinas são gratuitas.

A peça Imagina esse palco que se mexe, com direção de Moacir Chaves, tem como base os relatos do astrofísico João Ramos Torres de Mello Neto, professor titular da UFRJ e com uma importante carreira internacional. Os episódios da vida de João, nascido em Cruzeiro do Sul, Acre, são atravessados por ideias e conceitos científicos com os quais se relaciona ao longo de sua trajetória profissional. Em sua fala, histórias da infância no interior evocam o mecanismo de transmissão de ondas de rádio pela ionosfera; o simples ato de beijar alguém é associado às explosões que ocorrem no interior das estrelas; o mecanismo da visão humana é entendido a partir das propriedades físicas da água; a criação do CERN – Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, onde surgiu a internet, é contextualizada no mundo do pós-guerra e o próprio teatro serve como ilustração para a compreensão dos buracos negros e da curvatura do tempo-espaço.

A investigação do grupo foi guiada pelo interesse em observar o mundo que nos cerca e pelo questionamento daquilo que, nele, é tido como dado e evidente, motivado por entender as leis físicas que governam o espaço e cujo conhecimento, por si só, desmistifica a estabilidade aparente do universo e o suposto lugar de destaque nele ocupado pela humanidade. As conexões entre o micro e o macrocosmo induzem a um questionamento da importância do homem na natureza e a um reposicionamento, ou fragmentação, da noção de sujeito na sociedade: o macro está no micro, e vice-versa.

O espetáculo se dá no contraponto entre a pequenez do ser humano diante da imensidão cósmica e o profundo respeito à experiência da vida, cuja compreensão ganha novos significados e horizontes através da ciência. Imagina esse palco que se mexe aponta, com muito humor, para as seguintes perguntas: qual é o sentido de uma noção de felicidade calcada no pretenso sucesso e na competição com o outro, seja esse um continente, um país, uma classe, um concorrente? Que importância tem isso, diante de nossa transitoriedade material e da fragilidade de que nos sabemos possuidores, com base no pouco que a ciência conhece sobre o universo?

Imagina esse palco que se mexe estreou em outubro de 2016, no SESC Copacabana, com excelente retorno de público e mídia. Teve nova temporada no mesmo espaço, com muito sucesso, até fevereiro de 2017. Foi indicado ao Prêmio Shell na categoria Iluminação e ao Prêmio Cesgranrio nas categorias Iluminação e Direção Musical.

Utopia D

No dia 18 de novembro, às 19h, estreia Utopia D, de Thomas More, texto publicado em 1516. A peça contará com apenas dois atores: Josie Antello (atriz e parceira do diretor Moacir Chaves, com quem trabalhou em diversos espetáculos, entre eles, Bugiaria;A Violência da cidade;Valsa número 6; A Resistível ascensão de Arturo Ui e Viver!) e Julio Adrião (ator e produtor, entre outros, do espetáculo A Descoberta das Américas, que se encontra em seu décimo primeiro ano de existência). O diretor traz em seu currículo espetáculos reconhecidos e premiados como Dom Juan, com Edson Celulari e Cacá Carvalho; Inultilezas, com Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes; Por um fio, de Drauzio Varela; O Altar do incenso, com Marília Pera e Gracindo Junior e A Lua vem da Ásia, com Chico Diaz, entre muitos outros. Esta será a segunda vez que Moacir Chaves trabalhará a partir do texto de Thomas More.

O espetáculo parte do texto do século XVI contraposto a fatos dos séculos XX e XXI, refletindo sobre possibilidades da vida em sociedade, do sentido e necessidade da repressão como mola mestra das condutas humanas. A proposta da direção é encenar um espetáculo contundente e bem humorado, com forte comunicação entre palco-plateia, tornando viável uma discussão, a princípio, de difícil realização.

Os atuais tempos difíceis, principalmente do ponto de vista sócio-político; o questionamento da população brasileira e seu posicionamento tão veemente sobre a estrutura política, a ética, os direitos humanos e civis, as instituições religiosas, a corrupção fazem com que o texto escrito há exatos 500 anos seja mais atual do que nunca. Nos dias de hoje, tornam-se não só importantes como necessárias as reflexões propostas por Thomas More. E isso levou à releitura desse clássico, no momento em que ele completa 500 anos. A proposta do espetáculo é fazer o público refletir sobre a sua realidade através do reconhecimento, da crítica e, muitas vezes, da ironia embutida em tudo isso.

Glauce para Todos

Projeto contemplado pela Funarte no Edital de Ocupação do Teatro Glauce Rocha 2017

Programação
De 16 de novembro a 31 de dezembro

ESPETÁCULOS DE TEATRO

. Imagina esse palco que se mexe

Estreia: 16 de novembro, às 19h
Quartas e quintas, às  19 horas
Dia 30/11 – Sessão com intérprete de libras

Debates: dias 16/11, 7 e 21/12  (quintas), após as sessões.

Ficha Técnica:
Direção e Dramaturgia: Moacir Chaves
Elenco: Elisa Pinheiro, Karen Coelho, Luísa Pitta e Monica Biel
Iluminação: Paulo César Medeiros
Figurino: Inês Salgado
Direção Musical: Tato Taborda
Design: Dínamo / Alexsandro Souza
Assistência de Direção: Francisco Ohana
Fotos: Bruna Thimotheo
Produção: BB Produções Artísticas Ltda.

Ingresso: R$ 30 e R$ 15 (meia)

*O espetáculo pode ser visto na íntegra através do site:

https://vimeo.com/191231429

. Utopia D

Estreia: 18 de novembro, 19h
Sextas, sábados e domingos, às 19 horas
Dia 16/12 – Sessão com intérpretes de libras

Debates: dias 24/11 e 1 e 15/12 (sextas) após as sessões

Ficha Técnica:

Texto: Thomas More
Direção e dramaturgia: Moacir Chaves
Atuação: Josie Antello e Julio Adrião
Assistente de direção: Tamie Panet
Música: Tato Taborda
Direção de movimento: Josie Antello
Iluminação: Aurélio de Simoni
Figurino: Inês Salgado
Participação especial: Elena Konstantinovna
Fotografia: Daniel Barboza
Produção e Programação Visual: Fernando Alax
Realização: Julio Adrião Produções Artísticas

Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia)

. Oficinas gratuitas

Interpretação – Moacir Chaves

A oficina visa discutir os limites do realismo na interpretação, utilizando para tal a obra dramática de Nelson Rodrigues, através da percepção da estrutura rítmica inerente a cada obra, criada através de recursos diversos, como pontuação e intervenção das rubricas.

Narrativa Física Solo – Julio Adrião

Desenvolvimento de uma metodologia para a fabulação por meio da utilização do que cada ator possui de próprio – sua capacidade inata de comunicação – e o que tem de adquirido ao longo da vida – técnicas, físicas e vocais. O ator em estado puro e intenso, com entendimento e domínio dos seus canais de comunicação com o público.

Buscando o seu Clown – Ana Barroso

A oficina propõe uma investigação através de exercícios individuais e em grupo, jogos e improvisações,  estimulando o surgimento das características cômicas e risíveis que podem ser aproveitadas na composição do clown.

Segmentação – Josie Antello

A técnica da Segmentação Corporal, que tem como sua base a Mímica Corporal de Etiènne Decroux e a Dança Clássica Indiana, proporciona ao aluno a possibilidade de um estudo minucioso e aprofundado sobre o controle e a consciência dos gestos, ampliação de repertórios físicos e criação de Partituras Corporais.

. Debates
Os debates contarão com a presença da direção e do elenco.
Direção Artística: Moacir Chaves

. Oficinas gratuitas

Sábados, das 14h30 às 17h30

Atuação e Sonoridade – Moacir Chaves – 25/11/2017

Narrativa Física Solo – Julio Adrião – 02/12/2017

Buscando o seu Clown – Ana Barroso – 09/12/2017

Segmentação – Josie Antello – 16/12/2017

Ficha Técnica da Ocupação:
Direção Artística: Moacir Chaves
Direção de Produção: Monica Biel
Produção Executiva: Jaqueline Roversi
Oficineiros: Moacir Chaves, Josie Antello, Julio Adrião e Ana Barroso
Programação Visual: Dínamo / Alexsandro Souza
Assessoria de Imprensa: João e Stella Pontes
Realização: BB Produções Artísticas Ltda.