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Teatro de Arena Eugênio Kusnet recebe temporada do Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Contemplado com o Programa Cena Aberta Funarte 2016, coletivo apresenta espetáculos inspirados nas obras de Sylvia Plath e de Clarice Lispector

Publicado em 8 de setembro de 2016 Imprimir Aumentar fonte
Pulso
Espetáculo 'Pulso'. Foto: Cezar Siqueira.

O coletivo Vulcão [criação e pesquisa cênica] apresenta, a partir do dia 15 de setembro, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo (SP), os espetáculos Pulso – a partir da vida e da obra de Sylvia Plath – e Brincar de pensar – 8 contos de Clarice Lispector no palco para pessoas grandes ou pequenas. Há, ainda, encontros com o público, após o espetáculo Pulso; e diálogos, com artistas convidados que também trabalham solos teatrais baseados em obras literárias

Com direção de Vanessa Bruno e atuação de Elisa Volpatto, Pulso fica em cartaz até 1º de outubro, de quinta-feira a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h. A peça apresenta, como situação cênica, o último dia de vida de Sylvia Plath (1932-1962) e revela, em tom confessional, alguns momentos de memórias e devaneios. A poetisa, que nasceu e viveu nos Estados Unidos, afirmou seu estilo numa época em que expressar-se e escrever de forma notável eram atividades predominantemente masculinas. Ela foi também uma das grandes representantes da poesia confessional, gênero que se desenvolveu nas décadas de 1950 e 1960, enfatizando as experiências pessoais e a intimidade dos poetas. Ao manter a poética particular da autora, o solo explora, para além do feminino, as vicissitudes de todo e qualquer ser humano a partir ora de fragmentos biográficos da escritora, ora das potências que sua obra revela e desenvolve.

A ideia do espetáculo foi proposta por Elisa Volpatto, que desejava falar da criação artística, situando-a num universo feminino. O convite feito a Vanessa Bruno para a direção levou em conta sua pesquisa sobre o deslocamento da literatura para o palco. A atriz organizou a dramaturgia do espetáculo por meio de respostas a indagações da diretora e de outras fontes, como as biografias A Mulher Calada, de Janet Malcolm, e Ísis Americana – A vida e a arte de Sylvia Plath, de Carl Rollyson; e também Os Diários de Sylvia Plath, organizado por Karen V. Kukil, e o livro de poemas Ariel. O cenário da peça, composto de um fogão e uma cadeira, delimita o espaço de ação da atriz. Objetos caseiros como xícaras, pratos, panos e copos compõem um ambiente familiar, encarcerando a personagem. Um clima de estímulo aos sentidos é criado quando cheiros – de café, ovo quebrado e bebida alcoólica – invadem o ambiente, o que intensifica a relação do público com a cena. A interferência do vídeo e da trilha sonora também contribui para a construção de uma atmosfera de sonho. Para Vanessa Bruno, a montagem não se pretende linear, mas fragmentada, com lógica própria. “A linguagem cênica contemporânea articula-se com a literatura poética da vida e da obra de Sylvia Plath para a construção de um trabalho intimista. Buscamos uma cena confessional e que tenha poesia”, comenta. Já Elisa Volpatto explica que o espetáculo “busca questionar o próprio papel da artista feminina atualmente”. Às quintas-feiras (dias 15, 22 e 29 de setembro), após o espetáculo, a atriz, a diretora e a preparadora corporal Lívia Vilela abrem diálogo com o público sobre a temática e os processos de criação.

Na tendência de levar a literatura para o palco, o espetáculo infantojuvenil Brincar de pensar – contos de Clarice Lispector no palco para pessoas grandes ou pequenas, apresentado nos dias 18 e 25 de setembro, às 15h, mostra o universo particular e sensível de Clarice Lispector. Com direção de Vanessa Bruno, apoio dramatúrgico de Michelle Ferreira e atuação de Isabel Wilker, Lívia Vilela, Elisa Volpatto e Luiz Felipe Bianchini, a montagem traz situações comuns do cotidiano, como pedir um livro emprestado, vestir-se para um baile de carnaval ou observar um inseto em cima de um quadro. O espetáculo multimídia clareia a visão do espectador sobre a prosa poética da autora, revelando as memórias da infância e os devaneios próprios de todas as idades.  No enredo, Marília recebe um presente inesperado e anônimo, que desperta sua imaginação e permite que Outrem e Maria-Mole saiam do empoeirado sótão, para brincar de pensar, imaginar, lembrar e criar através das palavras.

A peça é composta de oito contos, apresentados em capítulos, como se o público virasse as páginas de um livro. Felicidade clandestina traz à cena uma menina de oito anos, uma ”devoradora de histórias”, que implora à filha do proprietário de uma livraria que lhe empreste livros. Restos do carnaval traz a memória da menina que deseja ir pela primeira vez a um baile de carnaval. Come, meu filho revela um diálogo irreverente de uma mãe com seu filho, que dá voz a seus devaneios e reflexões. Sou uma pergunta? questiona cores, situações, comportamentos e crenças. Uma esperança coloca mãe e filho frente ao inseto verde chamado esperança e a uma enorme aranha. Das vantagens de ser bobo narra observações entre o esperto e o bobo. Se eu fosse eu imagina como seria tudo diferente se cada um fosse si mesmo. Por fim, Brincar de pensar mostra os prazeres e divertimentos que se tem em pensar.

Vanessa Bruno diz que, além da iluminação, dos figurinos e dos adereços, as imagens em vídeo e a trilha sonora composta especialmente para a montagem criam um espetáculo multimídia: “A obra de Clarice Lispector em cena possibilita e desafia o trânsito entre linguagens artísticas e isso faz sentido para a linguagem teatral contemporânea”, diz a atriz. Os atores em cena narram e vivem as histórias, ao mesmo tempo em que constroem, com adereços e elementos “retrô” – como uma máquina de escrever e um telefone de disco –, a realidade do ambiente cotidiano solicitado pelos contos. As músicas, assinadas por Edson Secco, têm caráter minimalista e compõem um clima delicado, divertido e, por vezes, misterioso.

Diálogos com o realizador

Além dos espetáculos e dos encontros com o público, o Vulcāo propõe uma troca de ideias com outros artistas da cena paulistana que também levam a literatura para os palcos. No dia 21 de setembro, o convidado será Emerson Danesi, diretor de Marguerite, Mon Amour – Recital e Duras (a partir da obra de Marguerite Duras). Também estarão presentes a atriz Nicole Cordery, a diretora Malú Bazán e a dramaturga Marina Corazza, criadoras de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo, a partir da vida e obra de Alice B. Toklas. No dia 28 de setembro, a conversa será com Gabriel Miziara, ator e diretor de Ondas ou uma autópsia, de Virginia Woolf. Farão parte do bate-papo a atriz Natalia Gonsales e o diretor e dramaturgo César Baptista, colaborador de A última dança, a partir de escritos de Simone Weil.

Sobre o Vulcão

O coletivo Vulcão [criação e pesquisa cênica] nasceu da união de artistas autônomos com o desejo comum de concretizar suas pesquisas e suas criações autorais. A proposta é desenvolver projetos de investigação teatral, que explorem a condição humana por um viés sensível e esteticamente potente, criando uma experiência de alteridade a partir das fragilidades humanas. O coletivo, formado por Vanessa Bruno, Lívia Vilela, Elisa Volpatto, Rita Grillo e Paulo Salvetti, deseja aproximar diferentes linguagens, unindo a dança ao teatro, à literatura e ao vídeo, tendo como catalisador o trabalho do intérprete.

Programa Cena Aberta Funarte 2016 – SP

Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Espetáculo: Pulso – a partir da vida e da obra de Sylvia Plath

De 15 de setembro a 1º de outubro
De quinta-feira a sábado, às 21h. Domingos, às 19h

Duração: 50min
Classificação etária: 14 anos

Ingressos: R$30 (meia-entrada: R$15)
Cartões não são aceitos
A Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo
Será fornecido um ingresso por pessoa

Encontros com o público

Dias 15, 21 e 28 de setembro, às quintas-feiras, após o espetáculo

Ficha técnica/artística
Proposição e interpretação: Elisa Volpatto | Direção: Vanessa Bruno | Preparação corporal e assistência de direção: Livia Vilela | Iluminação: Maurício Shirakawa | Trilha Sonora: Edson Secco | Laboratório de criação de figurino: Carolina Sudati | Identidade visual: Cezar Siqueira e Marcelo Bilibio | Visagismo: Britney | Fotos: Betânia Dutra e Cezar Siqueira | Produção: Paulo Salvetti | Realização: Vulcão [criação e pesquisa cênica] | Apoio: Casa das Caldeiras

Espetáculo: Brincar de pensar – contos de Clarice Lispector no palco para pessoas grandes ou pequenas

Dias 18 e 25 de setembro, domingos, às 15h

Ingressos: R$20 (meia-entrada: R$10)
Cartões não são aceitos
A Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo
Será fornecido um ingresso por pessoa

Duração: 50min
Classificação etária: 7 anos

Ficha técnica/artística
Concepção e direção: Vanessa Bruno | Apoio dramatúrgico: Michelle Ferreira | Elenco: Isabel Wilker, Lívia Vilela, Elisa Volpatto e Luiz Felipe Bianchini | Produção multimídia: Lucas Pretti e Rafael Frazão | Trilha sonora: Edson Secco | Composição e execução da canção tema: Tatiana Parra e Fábio Barros | Assistente de direção: Livia Vilela | Produção: Paulo Salvetti | Realização: Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Troca de ideias

Dias 21 e 28 de setembro, quartas-feiras, às 20h

Realização: Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Duração: 60 min | Classificação etária: 14 anos

Participação gratuita