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Notícias Funarte MG é palco para os 60 anos do Teatro Universitário da UFMG

Funarte Notícias

Publicado em 27 de novembro de 2012

Funarte MG é palco para os 60 anos do Teatro Universitário da UFMG

Formandos do TU apresentam o espetáculo Pequenos Romances

Funarte MG é palco para os 60 anos do Teatro Universitário da UFMG Pequenos Romances – Foto: Naum Produtora

O Projeto TU 60 anos estreia o espetáculo Pequenos Romances, no dia 05 de dezembro, às 20h, na Funarte MG. Baseado na obra do escritor Marcelino Freire, com concepção e direção de Tarcísio Ramos Homem, o espetáculo de formatura do curso de teatro do TU/UFMG integra a programação de celebração dos 60 anos do Teatro Universitário.

Estruturado com micro dramaturgias, Pequenos Romances transita dentro da obra de Marcelino Freire, dialogando com o universo dos excluídos social e emocionalmente. A encenação penetra nos fragmentos poéticos oferecidos pelo autor encontrando, a princípio, com um universo repleto de densidade, com o que é difícil de ler, de ouvir e de se dar a ver. “Em cena, buscamos o ponto de vista daqueles que vivem à margem, o bonito dentro do feio, a salvação na beira do precipício, a reza que faz sangrar. Personagens-pessoas: homem, mulher, menina, velho, puta, carroceiros, estupradores e estuprados, bichas, índios, negros, sertão, pobreza, lixo, abandonados, nostálgicos e… palavras que faltam.” – explica o diretor.

Processo de Pesquisa e Criação, segundo o diretor do espetáculo

“O processo de criação começa pela descoberta do escritor, Marcelino Freire, cuja trajetória literária pude acompanhar perto desde seu primeiro livro: Contos Negreiros. A partir daí, nunca deixei de lê-lo e sempre de me impressionar e de me surpreender. Assim, como dizem que Marcelino é urgente e ‘precisa ser lido agora’, sempre senti que o autor deveria ser também, agora, levado aos palcos em Belo Horizonte. Dessa forma, foi o desejo em adentrar o universo do escritor e revelá-lo cenicamente foi o primeiro passo. Diante da oportunidade em dirigir os formandos do Teatro Universitário, não tive dúvida que ele seria ‘nosso’ autor. Em um momento posterior, tornar sua obra conhecida dos alunos-atores, permitindo que esses jovens o descobrissem e o encontrassem com suas peculiaridades, seu jeito único, pessoal, também urgente, valorizando as concepções individuais. A partir daí, buscamos os contos que eram nossos favoritos e passíveis de adaptação teatral. Surgiram imagens-Marcelino, sonoridades, sensações, canções, cores e instalações (mandalas) cênicas. Seguimos pela escolha definitiva de alguns contos e a construção livre de cenas. Uma construção eclética foi se delineando. Eclética porque não nos apegamos a nenhuma marca, nenhum estilo ou mesmo preconceito diante dos enunciados, pois o próprio autor dá voz a personagens que são ‘restos’. Procuramos assumir o ecletismo sem deixar de lado os pontos de conexões dramatúrgicas ou vislumbrarmos conexões outras dentro do universo teatral, ou seja: não contamos uma única história, pelo contrário, a encenação é toda fragmentada, mas unida pelos dilaceramentos poéticos, pela busca do lirismo no meio da violência, do lixo, do estupro, da mãe que vende os filhos, das bichas nostálgicas, do negro trabalhador, da sábia velha do Jequitinhonha, dos sonhos de criança, da prece que faz sangrar, da salvação na beira do precipício sem esquecermo-nos do ‘mau cheiro’, porque alguma coisa sempre ‘fede’. Assim, nossa pesquisa se amplia para as construções de micro dramaturgias guiadas pelos estados, ora sonoros, ora de movimento, de luz e de palavra, ainda, como nos lembra Marcelino que: ‘sempre falta uma palavra’. Por fim, procurei manter o foco em algo que atualmente muito me afeta: o exercício da experiência estética na educação de indivíduos que vão continuar, dentro ou fora do teatro, como viventes de histórias.
Tarcísio Ramos Homem

O Diretor

Tarcísio Ramos Homem teve sua formação em dança contemporânea no extinto TRANSFORMA de Marilene Martins, onde estudou e integrou o Grupo Profissional. Integrou vários grupos profissionais de Dança-Teatro como o Oficcina Multimédia da Fundação de Educação Artística, a Cia Dudude Herrmman, o Grupo Teatro Andante. Por 12 anos foi professor de expressão corporal do curso de Artes Cênicas do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto. Bailarino/Ator, Diretor e Professor, há 29 anos vem se dedicando ao ensino, pesquisa e direção nas áreas de Dança-Teatro, com experiências no Brasil e no exterior. Desenvolveu trabalhos teatrais com a terceira idade e possui ainda estudos na área de Leitura Corporal e Massagem Integrativa, além de atuar como preparador corporal de atores. Graduado em Direção Teatral/UFOP, Mestre em Artes pela EBA/UFMG, foi diretor do Grupo de Teatro da ASSEMP, professor de teatro do Galpão Cine-horto e diretor/dramaturgista do espetáculo POR QUE TÃO SOLO? (Prêmio Klauss Vianna/FUNARTE/2006). Tarcísio foi também o diretor do espetáculo da Cia Suspensa (DE PEIXES E PÁSSAROS/Abril/2009) e orientador artístico, coreográfico e dramatúrgico de MULHER, MULHERES – Quik Cia de Dança/Março/2009. Em junho/2009 concebeu e estreou ao lado de Gabriela Christófaro “dança para ÁRVORE” (Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua/Funarte 2010). Atualmente é professor de expressão/ consciência corporal e dança para atores no Teatro Universitário da UFMG.

Serviço:
PEQUENOS ROMANCES
PROJETO TU 60 ANOS

Funarte MG – De 05 a 09/12

Rua Januária, 68 – Floresta – Belo Horizonte/MG

Informações: 9938 5154

Quarta a sexta às 20h; sábado e domingo às 18h e 20h

Entrada Franca – ingressos retirados 1 hora antes na bilheteria do teatro.