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Funarte lamenta a morte da atriz Tônia Carrero

Publicado em 5 de março de 2018 Imprimir Aumentar fonte
Tônia Carrero (1955) – Foto: Cedoc/Funarte
Tônia Carrero (1955) - Foto: Cedoc/Funarte

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lamenta a morte de uma das mais importantes atrizes brasileiras, Tônia Carrero. Ela tinha 95 anos e teve uma parada cardíaca durante uma cirurgia, no último sábado (3), no Rio de Janeiro. Havia sido internada na sexta-feira (2) com uma úlcera no sacro e morreu durante um procedimento médico, segundo os familiares.

O currículo da artista contabiliza 54 peças, 19 filmes e 15 novelas. Tônia Carrero é classificada pelo projeto Brasil Memória das Artes, da Funarte, como “diva e dama” e “referência de beleza, inteligência e talento na história do teatro brasileiro”. A atriz teve um único filho, o ator Cécil Thiré. Seus netos e bisnetos também seguiram a carreira da artista, considerada um ícone da TV, do cinema e do teatro.

Um pouco sobre a vida e a obra de Tônia Carrero

Maria Antonieta Portocarrero Thedim nasceu em 23 de agosto de 1922. Filha de Hermenegildo Portocarrero e Zilda de Farias Portocarrero, se graduou em educação física em 1941. Tônia Carrero foi morar em Paris com o seu marido Carlos Arthur Thiré, artista plástico e diretor de cinema. Na capital francesa fez vários cursos e teve aula com grandes atores, onde consolidou sua formação artística.

Aos 25 anos, estreou no cinema nacional com o filme Querida Suzana, de Alberto Pieralise, ao lado de Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay. Estrelou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, em 1949, com o espetáculo Um Deus Dormiu Lá em Casa, com Paulo Autran. Adolfo Celi, segundo marido de Tônia, assinou a direção artística da montagem. No cinema, sua última aparição foi em “Chega de Saudade” (2008).

Tônia estrelou peças como Amanhã, se Não Chover (1950), de Henrique Pongetti; Uma Mulher do Outro Mundo (1954), de Noel Coward; Otelo (1956), de Shakespeare; Entre Quatro Paredes (1956), de Jean-Paul Sartre; e Seis Personagens à Procura de um Autor (1960), de Luigi Pirandello, dentre outras. No ano de 1967, a atriz participou da montagem A Navalha na Carne, de Plínio Marcos, e viveu a prostituta Neuza Suely, ao lado dos atores Emiliano Queiroz e Nelson Xavier.

Em 2007, a atriz atuou pela última vez no teatro, na peça Um Barco Para o Sonho, de Alexei Arbuzov. A produção da montagem foi assinada pelo filho Cécil e dirigida pelo neto Carlos Thiré. Em 2008, Tônia foi a grande homenageada do Prêmio Shell.

Tônia Carrero deu início à sua carreira televisiva na década de 60, na novela Sangue do Meu Sangue, ao lado dos amigos Fernanda Montenegro e Francisco Cuoco. A novela do diretor Sérgio Britto foi exibida em 1969, pela TV Excelsior. Foi protagonista de Apassionata, de Fernando de Barros e Tico-tico no Fubá, de Adolfo Celi, ambas no ano de 1952; e É Proibido Beijar (1954), de Ugo Lombardi.

A atriz era conhecida por inúmeros papéis marcantes, entre eles: Stella Fraga Simpson, em Água Viva (1980), e a Rebeca, de Sassaricando. Em 1983, viveu Mouriel na novela Louco Amor, de Gilberto Braga. Em Esplendor (2000), de Ana Maria Moretzsohn, interpretou Mimi Melody. Seu último papel na TV foi na novela Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva.

O velório da artista foi realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no último domingo (4) e contou com a presença do filho, netos, bisnetos e amigos da TV e do teatro. O público também pôde dar seu último adeus a uma das grandes divas da cultura brasileira. A cremação será realizada nesta segunda-feira, dia 5 de março, em uma cerimônia restrita para a família, no Memorial do Carmo, Caju, Zona Portuária do Rio.

Acesse aqui artigo sobre as referências a Tônia Carrero no Cedoc Funarte