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Comédia de Ariano Suassuna em cartaz no Teatro Glauce Rocha (RJ)

Em “O Santo e a Porca”, o defensor da cultura popular nordestina ironiza o coronelismo e retrata a vida do sertão

Publicado em 18 de abril de 2011 Imprimir Aumentar fonte
O Santo e a Porca - Janaína Prado, Marco Pigossi e Gláucia Rodrigues. Foto: Cláudia Ribeiro
O Santo e a Porca - Janaína Prado, Marco Pigossi e Gláucia Rodrigues. Foto: Cláudia Ribeiro

A comédia de Ariano Suassuna “O Santo e a Porca” entra em cartaz no Teatro Glauce Rocha, da Funarte, no dia 22 de abril. O espetáculo do grupo carioca Companhia Limite 151 recebeu o Prêmio da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) 2009, na categoria Melhor Figurino, pelo trabalho de Ney Madeira, indicado ainda para o Prêmio Shell, juntamente com Gláucia Rodrigues, como melhor atriz. Além dela, quatro atores entram em cena – entre eles Marco Pigossi, conhecido pela atuação em telenovelas, como “Caras & Bocas” e a recente “Ti-ti-ti”.

“O Santo e a Porca” gira em torno do avarento coronel Euricão Engole Cobra, que ama sua porquinha de madeira, guardiã de um segredo muito importante para ele, revelado somente no fim da história. O cenário recria uma casa nordestina, sem luxos, por causa do excesso de economia do seu dono. Lá também vive a criada Caroba, namorada de Pinhão, que trabalha para um milionário. Para casar-se com seu amado, a astuta mulher arquiteta um mirabolante e hilário plano. Dodô (Marco Pigossi) é um bronco, que só tem um objetivo: casar com Margarida. Para aproximar-se dela, o rapaz, com um disfarce ridículo, vai trabalhar na casa do pai de sua amada. O texto serviu de base para uma das tramas da minissérie televisiva e do filme “O Auto da Compadecida”, baseado em outra obra de Suassuna.

Inspirada na comédia latina “Aulularia”, de Plauto, criada entre 194 e 191 a.C., “O Santo e a Porca” foi escrita em 1957 e montada pela primeira vez por Cacilda Becker no ano seguinte. A versão da Companhia 151 estreou no Rio de Janeiro em 2008. O grupo já participou da montagem de outros textos célebres, tais como a “Comédia dos Erros” e “O Mercador de Veneza”, de Shakespeare; “As Malandragens de Scapino” e “O Avarento”, de Moliére, dirigidas por João Bethencourt; uma versão infantojuvenil de “Dom Quixote” (de Cervantes), além de obras de Tennessee Williams, Mary Shelley, Nelson Rodrigues e do famoso texto “A Moratória”, de Jorge Andrade, entre outras. “Chegamos a Suassuna, um dos maiores intelectuais brasileiros vivos, que fazia 80 anos em 2007. É uma justa homenagem”, diz Gláucia Rodrigues.

Depois de dirigir “Gota D’Água” (Chico Buarque e Paulo Pontes) e “A Falecida” (Nelson Rodrigues), João Fonseca encara mais este clássico. “A obra lança um olhar sobre o sertão e seus coronéis. Nela, Suassuna distingue a inteligência e capacidade do sertanejo pobre para transformar a realidade e sobreviver”, comenta o diretor. “Procurei criar um ambiente que destacasse os contrastes entre riqueza e pobreza. A encenação é simples, como a própria linguagem do autor, e procura utilizar mais o essencial do teatro: o texto e os atores”, conclui João.

Ariano Suassuna – Nasceu em João Pessoa (PB), em 1927. É advogado, professor, teatrólogo, escritor e defensor da cultura popular brasileira e nordestina. Quando criança, após perder o pai, assassinado na luta política, mudou-se com a mãe e seus oito irmãos para o sertão paraibano. Lá o autor aprofundou-se nas histórias, cantigas e temas locais. Em 1942, com 15 anos, foi estudar no Recife (PE) e começou a escrever para teatro. Formado em direito, exerceu a profissão por dez anos, mas deixou a carreira, tornando-se professor universitário de estética. Tornou-se conhecido nacionalmente com o “Auto da Compadecida” (1955). Fundou o Teatro Popular do Nordeste em 1958, com Hermilo Borba Filho. Em 1970, abandonou o teatro para dedicar-se à prosa e fundar e protagonizar o movimento Armorial, que pregava o resgate das formas de expressão tradicionais. Tomou posse na Academia Brasileira de Letras em 1990.

“O Santo e a Porca”
Texto: Ariano Suassuna
Direção: João Fonseca; Figurinos: Ney Madeira; Música original e direção musical: Wagner Campos
De 22 de abril a 5 de junho de 2011, de sexta-feira a domingo, às 19h
Teatro Glauce Rocha
Endereço: Av. Rio Branco, 179, Centro – Rio de Janeiro (RJ)
Telefone: (21) 2220-0259
Bilheteria: de quarta-feira a domingo, a partir das 14h
Ingressos: R$ 20. Meia-entrada: R$ 10.
Promoção de semana de estreia – inteira: R$ 5
Duração – 80 minutos
Classificação indicativa: 10 anos

Mais informações: www.cialimite.com.br