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17 peças de Nelson Rodrigues serão encenadas em teatros da Funarte

Festival A Gosto de Nelson será realizado, de 1º a 31 de agosto, em comemoração ao centenário do dramaturgo e terá ingressos a preços populares

Publicado em 26 de julho de 2012 Imprimir Aumentar fonte
“A Mulher Sem Pecado” (Foto:) Eliane Torino  e “Vestido de Noiva” (Foto: André Stéfano)
“A Mulher Sem Pecado” (Foto:) Eliane Torino e “Vestido de Noiva” (Foto: André Stéfano)

Com a estreia de duas peças – Vestido de Noiva, no Teatro Dulcina; e A Mulher Sem Pecado, no Teatro Glauce Rocha – a Fundação Nacional de Artes abre, no dia 1º agosto, às 19h, no Rio de Janeiro, o Festival A Gosto de Nelson. A mostra, que celebra os 100 anos do genial e polêmico Nelson Rodrigues, vai levar ao público, durante todo o mês de agosto, as 17 peças escritas por ele. A montagem será feita por grupos e companhias, de diferentes estados brasileiros, selecionados pela Instituição por meio do Edital Prêmio Funarte Nelson Brasil Rodrigues: 100 Anos do Anjo Pornográfico. Com ingressos a R$ 5 (inteira), os espetáculos serão apresentados, sempre às 19h, nos teatros Dulcina e Glauce Rocha, no Centro.

Além das duas obras já mencionadas, serão encenadas também Viúva, Porém Honesta; Anti-Nelson Rodrigues; Álbum de Família; Anjo Negro; Dorotéia; Senhora dos Afogados; A Falecida; Perdoa-me Por Me Traíres; Os Sete Gatinhos; Boca de Ouro; Beijo No Asfalto; Otto Lara Resende ou Bonitinha, Mas Ordinária; Toda Nudez Será Castigada; Valsa Nº 6 e A Serpente.

O presidente da Funarte, Antonio Grassi, que estreou como ator em O Beijo no Asfalto, uma das mais famosas peças do dramaturgo, se entusiasma com a mostra: “Mergulhar no universo rodriguiano é prestar um serviço ao cidadão porque Nelson une dramaturgia, jornalismo e literatura em cada texto. Por isso, no centenário do autor, a Funarte não poupou esforços para lembrá-lo e prestar homenagem à sua obra, tanto no Prêmio Funarte Nelson Brasil Rodrigues quanto na exposição, de mesmo nome, no Teatro Glauce Rocha. Queremos retratar Nelson em suas características pessoais e profissionais – um desafio grande”, enfatiza Grassi.

A Gosto de Nelson
Mostra do Prêmio Funarte Nelson Brasil Rodrigues – 100 anos do Anjo Pornográfico

De 1º a 31 de agosto de 2012 – Rio de Janeiro
Locais:
Teatro Dulcina

Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro -  Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2240 4879
Teatro Glauce Rocha: Avenida Rio Branco, 179 – Centro -  Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2220 0259

Horário: 19h
Ingressos: R$ 5 e Meia-entrada R$ 2,50

Realização: Fundação Nacional de Artes – Funarte

Programação

Dias 1º e 2 de agosto quarta e quinta

Vestido de noiva (SP) Os Satyros – Teatro Dulcina

Direção: Rodolfo García Vázquez

A peça conta a história de Alaíde, atropelada por um automóvel e que, enquanto é operada no hospital, relembra o conflito com a irmã, Lúcia, de quem tomou o namorado, Pedro. Em seu delírio, Alaíde imagina seu encontro com Madame Clessi, cafetina assassinada pelo próprio namorado de dezessete anos.

A mulher sem pecado (MG) Instituto João Aires – Teatro Glauce Rocha

Direção: Kalluh Araújo

A história gira em torno do excessivo ciúme que Olegário sente pela segunda esposa, Lídia, e como isso atrapalha a vida do casal. A situação piora, ainda mais, quando Olegário fica paralítico, e passa a atormentar a esposa com acusações ofensivas. Olegário, então, contrata pessoas para vigiar Lídia, desde a ida da mulher à modista até à padaria perto de casa. A obsessão do marido é tanta que até o mendigo louco, que mora nas ruas, é visto como um amante de Lídia.
Na casa também moram o chofer Umberto; a mãe de Olegário, D. Aninha, tida como insana mas que nenhum mal faz; Maurício, irmão de criação de Lídia; Dona Márcia, mãe de Lídia e a criada Inézia.
Todo o desenrolar da trama acontece em um único ambiente: a sala da casa de Olegário.

Dias 4 e 5 de agosto sábado e domingo

Viúva, porém honesta (PE) Grupo Magiluth – Teatro Dulcina

Direção: Pedro Vilela

O Dr. J.B. de Albuquerque Guimarães, diretor de um dos jornais mais influentes do país – A Marreta – não consegue convencer sua filha única, Ivonete, a deixar de velar seu marido morto, Dorothy Dalton, e voltar a ter uma vida normal, para que a jovem de 15 anos se case de novo e lhe dê netos. Estando a filha irredutível e desejosa de permanecer enviuvada, o Dr. J.B. contrata uma ex-prostituta, um psicanalista e um otorrinolaringologista — todos charlatões — para dissuadí-la da ideia e querer se casar novamente. O falecido era homossexual e ex-fugitivo da Febem, que caiu nas graças da menina, quando o pai a mandou escolher um marido, na redação do jornal, para justificar uma gravidez indesejada. Detectada pelo médico da família, Dr. Lambreta, um velho esclerosado e maluco, descobriu-se, mais tarde, que a tal gravidez era falsa e inventada pela mente insana de Lambreta.
Como Dorothy Dalton morreu atropelado por uma carrocinha de picolé Chicabom e como nenhum dos contratados achou uma solução para o caso, o jeito foi ressuscitar o morto para que Ivonete deixasse de ser viúva. O trabalho fica por conta do Diabo da Fonseca que, através de uma sessão espírita, reaviva o defunto, livrando a menina da viuvez indesejada. Como prêmio, o demônio desposa Ivonete.

Anti-Nelson Rodrigues (SC) Grupo Teatral Experiência Subterrânea – Teatro Glauce Rocha

Direção: André Carreira

A peça narra a história de Oswaldinho, filho de Tereza e Gastão, jovem mimado pela mãe e desprezado pelo pai. Inescrupuloso, ladrão e mulherengo, se torna dono de uma das fábricas do pai e se apaixona por uma funcionária recém-contratada, a jovem incorruptível Joice. Acostumado a ter tudo o que quer, Oswaldinho tenta ‘comprar’ Joice, que anseia por um amor desde menina e não se deixa levar pelo dinheiro.

Dias 8 e 9 de agosto quarta e quinta

Álbum de família (RO) Anômade Cia. de Teatro – Teatro Dulcina

Direção: Jória Lima

O texto retrata uma família que, sob a ótica do locutor — que representa a opinião pública — é perfeitamente normal e feliz, mas cuja intimidade no lar é caracterizada por uma rede de paixões incestuosas e outras perversões. Jonas, o patriarca, sente desejo sexual pela filha caçula, Glória, que o ama no mesmo sentido. Para satisfazer esse desejo, ele acaba adquirindo o hábito de trazer garotas de 12 a 16 anos para casa, tirando suas virgindades. Para isso, conta com a ajuda da cunhada Rute, apaixonada por ele. O primogênito, Guilherme, também deseja a irmã Glória, chegando ao ponto de se castrar para evitar consumar tal desejo. Já o segundo filho, Edmundo, é perdidamente apaixonado pela mãe, D. Senhorinha, paixão que o impede de ser feliz em seu casamento. D. Senhorinha nutre um amor proibido pelo terceiro filho, Nonô, um louco que corre nu, urrando e gritando pelos campos da fazenda, onde vive a família. A história é interrompida, regularmente para mostrar ocasiões, em diferentes épocas, nas quais membros da família são fotografados para um álbum. Essas cenas são acompanhadas pela voz do locutor, que sempre descreve a pureza e a felicidade daquelas pessoas, contradizendo o que é mostrado ao público ao longo de toda a peça.

Anjo Negro (GO) Cia. de Teatro Sala 3 – Teatro Glauce Rocha

Direção: Altair de Souza

A peça, que esteve sob censura durante dois anos, à época em que foi lançada, narra a polêmica história de Ismael, negro que renega a própria cor, e de sua mulher, Virgínia, branca filicida que não aceita a prole mestiça, gerada na relação com o marido. Tomada pelo louco desejo de ser mãe de um filho branco, Virgínia comete adultério com Elias, o irmão de criação, branco e cego, de Ismael. Desse breve envolvimento, nasce afinal uma criança, branca como a neve, para a felicidade da mãe. Mas o nascimento é apenas o desencadeador de novas tragédias.

Dias 11 e 12 de agosto sábado e domingo

Dorotéia (BA) Centro Cultural Ensaio/Grupo Panacéia Delirante – Teatro Dulcina

Direção: Hebe Alves

Dorotéia, prostituta que largou a profissão depois da morte do filho, vai morar na casa de suas primas, três viúvas puritanas e feias, que não conseguem enxergar os homens e não dormem para não sonhar. Ao contrário das mulheres da família, Dorotéia é bonita, exuberante e não tem aversão aos homens. Mas, em troca de abrigo, aceita se tornar tão feia e puritana como as primas. Dorotéia, que estreou em 1950, é uma das peças míticas de Nelson Rodrigues. No texto, os homens estão ausentes, só aparecendo na fala das personagens femininas.

Senhora dos afogados (SP) Núcleo Experimental – Teatro Glauce Rocha

Direção: Zé Henrique de Paula

Nesta obra, Moema, a filha mais velha de Misael e Dona Eduarda, guarda um amor pelo pai e resolve afogar no mar suas irmãs mais novas, Clarinha e Dora, para não dividir a atenção do pai com elas. Na trama, cheia de mistérios, Moema consegue ser a única mulher na vida do pai. Porém, ele morre e ela fica só.

Dias 15 e 16 de agosto quarta e quinta

A falecida (DF) No Ato Produções – Teatro Dulcina

Direção e orientação: Diego de León

Narra a trajetória vertiginosa de Zulmira e Tuninho, moradores da Zona Norte do Rio: Zulmira, vítima de tuberculose, e Tuninho, desempregado, vivendo dos restos de uma indenização. O casal vê seus cotidianos virarem de cabeça para baixo, a partir da visita aflita de Zulmira à cartomante. A vidente diz à moça para ter cuidado com uma mulher loura, afirmação que vai deflagrar em Zulmira a explicação para o mistério de todo os seus males.

Perdoa-me por me traíres (CE) Engenharia Cênica – Teatro Glauce Rocha

Direção/iluminação: Luiz Renato

Glorinha tem 16 anos e perdeu a mãe, assassinada por seu tio Raul. Objeto de desejo do assassino, ela é vigiada por ele, sob o pretexto de preservar sua castidade. Mas, conduzida por uma colega de escola que é prostituta, Glorinha acaba conhecendo e se fascinando pelo mundo dos bordéis, ao mesmo tempo em que prepara uma terrível vingança contra o tio. Raul, personagem da criação rodriguiana, foi vivido pelo próprio Nelson Rodrigues durante a temporada de estreia da peça, em 1957.

Dias 18 e 19 de agosto sábado e domingo

Os sete gatinhos (SP) Cristina Yoshie Sato – Teatro Dulcina

Direção: Nelson Baskerville

A peça conta a história da família Noronha e, em especial, de Silene, caçula das cinco filhas de Aracy e Seu Noronha. O patriarca, um contínuo da Câmara dos Deputados, mora no Grajaú com a mulher, Aracy, e suas filhas Aurora, Hilda, Débora, Arlete e Silene, esta com apenas 16 anos. A caçula, a mais mimada e, por ser a única ‘pura’, tem o direito a uma boa educação em um colégio interno. Mas, logo a vida deles toma um rumo diferente, quando a garota é acusada, no colégio, de matar a pauladas uma gata grávida.
A família Noronha parece tão normal quanto qualquer outra, mas, por trás das aparências, esconde segredos inconfessáveis. As quatro filhas mais velhas se prostituem para garantir a castidade e a boa educação de Silene. A partir do incidente ocorrido na escola, descobre-se que a jovem não é pura como todos pensam.

Boca de Ouro (SP) Grupo Prole – Teatro Glauce Rocha

Direção: Flavia Pucci

Boca de Ouro foi parido num reservado de gafieira e seu primeiro berço foi uma pia de banheiro, onde a mãe o deixou, sob a torneira aberta, num batismo cruel e pagão. O menino cresce e se torna bicheiro temido e respeitado — uma figura quase mitológica na comunidade onde vive. Boca mandou arrancar todos os seus dentes e implantou dentes de ouro. Ele acreditava que seria enterrado em um caixão todo de ouro. Diziam que ficava com as mulheres de homens casados e derretia suas alianças para fazer o caixão. Poderoso e carismático, mantinha o autocontrole desde que não falassem de sua mãe e de como nasceu.
O personagem é descrito através de três relatos diferentes, depois de sua morte. Fascinado com a história do contraventor, o jornalista Caveirinha procura uma ex-amante do criminoso, Guigui, a fim de colher material para uma reportagem. No primeiro momento, sem saber que Boca de Ouro está morto, ela o pinta como um homem cruel e insensível, capaz de matar um pobre diabo, Leleco, para ter a sua fiel mulher Celeste. Ao saber da morte do ex-amante, Guigui chora e passa a elogiá-lo, contando a mesma história, desta vez, revelando uma Celeste nada fiel e um Leleco não tão inofensivo. A forma elogiosa como passa a tratar Boca de Ouro irrita o marido, que faz as malas e decide deixar a casa. Com a interferência do repórter Caveirinha, que se sente responsável pela separação, os dois se reconciliam. Guigui conta, então, a terceira versão da história de Boca de Ouro, na qual destaca não só o seu poder e crueldade, mas também suas inseguranças.

Dias 22 e 23 de agosto quarta e quinta

Beijo no asfalto (PE) Phaelante, Goes & Mourão – Teatro Dulcina

Direção: Claudio Lira

A obra versa a respeito de um embaraçoso ato de misericórdia — um beijo na boca dado por um homem a um desconhecido no momento de sua morte — e suas repercussões na sociedade. Um repórter sensacionalista e um delegado corrupto fazem do ato um escândalo social, abalando a reputação de Arandir, que atendeu o pedido do moribundo, e de sua família. A exacerbação dos sentimentos conduz a um trágico e surpreendente desfecho.

Bonitinha, mas ordinária (RJ) Centro de Investigação Teatral – Teatro Glauce Rocha

Direção: Eduardo Wotzik

Edgard é um rapaz de Minas Gerais, de origem bastante humilde, fato que o constrange. Procurado por Peixoto, genro do milionário Werneck, dono da firma onde Edgard é contínuo, ele recebe a proposta de se casar com Maria Cecília, filha de Werneck, de 17 anos, que fora currada por cinco negros. Pelo dinheiro, Edgard aceita, mas tem dúvidas por gostar de Ritinha, sua vizinha. Já com o casamento acertado, Edgard e Ritinha vão despedir-se num cemitério, onde ela conta o que faz para conseguir sustentar a mãe louca e as três irmãs. Toda a trama gira em torno das hesitações de Edgard, até sua escolha final.

Dias 25 e 26 de agosto sábado e domingo

Toda nudez será castigada (RJ) Armazém Companhia de Teatro – Teatro Dulcina

Direção: Paulo de Moraes

Herculano, de família conservadora, povoada de tias faladeiras e beatas, fica viúvo e com um filho, Serginho, que pede ao pai para jurar nunca mais casar-se. Herculano faz o juramento. Patrício, irmão de Herculano, endividado com mulheres e jogo, apresenta ao irmão uma prostituta, por quem o protagonista fica perdidamente apaixonado. Ela é Geni, mulher que vive a agonia e o êxtase de uma obsessão: morrer de câncer no seio. Contra tudo e contra todos, Herculano casa-se com Geni e a leva para viver no casarão da família. Lá, ela conhece Serginho, por quem se apaixona. O jovem pretende acabar com o casamento do pai a qualquer custo e, apesar de suas tendências homossexuais, mantém um relacionamento com a madrasta.

Valsa Nº6 (PR) Expressão Criação e Produção – Teatro Glauce Rocha

Direção: Gustavo Bitencourt

O monólogo tem como personagem a solitária Sônia. Assassinada aos quinze anos de idade, a moça luta para, entre um delírio e outro, conseguir montar o quebra-cabeça de suas memórias.

Dias 30 e 31 de agosto quinta e sexta

A serpente (RJ) Teatro do Pequeno Gesto – Teatro Dulcina

Direção: Antonio Guedes

Duas irmãs, Guida e Lígia, se casam no mesmo dia e decidem morar na mesma casa. Enquanto Guida vive feliz e satisfeita com seu marido, Lígia vive a decepção de um casamento, no qual nem a primeira relação sexual é consumada. Os problemas começam quando Guida ‘tenta’ sua irmã, oferecendo seu marido por uma noite, procurando solucionar a angústia de Lígia.

Dorotéia (BA) Centro Cultural Ensaio/Grupo Panacéia Delirante

Teatro Dulcina: 11 e 12 de agosto – sábado e domingo

Direção: Hebe Alves

Dorotéia, prostituta que largou a profissão depois da morte do filho, vai morar na casa de suas primas, três viúvas puritanas e feias, que não conseguem enxergar os homens e não dormem para não sonhar. Ao contrário das mulheres da família, Dorotéia é bonita, exuberante e não tem aversão aos homens. Mas, em troca de abrigo, aceita se tornar tão feia e puritana como as primas. Dorotéia, que estreou em 1950, é uma das peças míticas de Nelson Rodrigues. No texto, os homens estão ausentes, só aparecendo na fala das personagens femininas.