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Nelson Tolipan, radialista (1936 – 2018)

Funarte se despede daquele que era considerado o maior conhecedor de jazz do Brasil – estimado pelos músicos e por outros profissionais da área

Publicado em 30 de janeiro de 2018 Imprimir Aumentar fonte
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Nelson Tolipan. Foto: Site da Rádio MEC RJ - EBC

O radialista Nelson Tolipan morreu no domingo, dia 28 de março, aos 81 anos à noite, de infarto do miocárdio, em sua casa, no Rio de Janeiro. O carioca era considerado no meio musical brasileiro como o maior especialista em jazz do país.

Depois 69 anos de rádio, por 37 trabalhou na Rádio MEC – RJ, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde atualmente coordenava e apresentava o programa Momento de Jazz – transmitido às segundas, quartas e sextas, às 22h, em AM e às 11h em FM (com edição especial aos sábados, às 22h).

Filho de imigrantes poloneses, já quando criança gostava de ouvir rádio. Na juventude, colecionava discos, com apoio de seu pai. Começou na carreira em 1948, na Rádio Mayrink Veiga, num programa feito por jovens. Também foi professor de inglês e diretor de uma instituição educacional.

Casado com a professora Heloisa Araújo, Tolipan deixa duas filhas: a jornalista Heloisa, e a designer Vilma. O enterro foi às 16h30m de segunda-feira (29), no cemitério São João Batista, na capital fluminense.

A Funarte lamenta profundamente o falecimento do radialista, através da nota abaixo, enviada pelo Centro da Música da instituição:

Nelson Tolipan

O rádio carioca e brasileiro perde um de seus profissionais mais expressivos na área da música. Nelson Tolipan construiu uma carreira das mais longas e produtivas; e enriqueceu a programação, com sua cultura e elegância. Começou em 1948 e exerceu praticamente todas as funções ligadas à atividade: sonoplasta, contra-regra e radioator. Trabalhou ou conviveu com os grandes nomes das Rádios Mayrink Veiga e Nacional, como Edu da Gaita, Dorival Caymmi, Haroldo Barbosa, a família Faissal; os maestros Leo Peracchi, Lyrio Panicalli, Radamés Gnattali e Rodolfo Mayer; enfim, com artistas de todas as linguagens musicais, que povoavam a programação e estúdios da Era de Ouro do rádio brasileiro.

Em 1958, recebeu uma bolsa de estudos na Faculdade Allegheny, em Meadville, na Pensilvânia (EUA). A temporada nos Estados Unidos serviu para aprofundar o conhecimento e entusiasmo de Tolipan pela música norte-americana e, particularmente, pelo jazz. Trabalhou durante 30 anos também como professor de inglês e foi diretor do Instituto Brasil – Estados Unidos (IBEU), no Rio – sem descuidar nunca de seu interesse musical.

Estreou na Rádio MEC em 1985, com A Música Norte Americana, transmitido duas vezes por semana. Naquela época, havia dois outros nomes que eram referência quando se tratava de jazz: Paulo Santos e Mauricio Quadrio. Com Nelson, completava-se um trio. Quando os dois pararam, Tolipan assumiu duas séries semanais: As Big Bands, e Jazz, que depois passaria a se chamar Momento de Jazz, fundindo os dois conteúdos.

Além do acervo da própria Rádio MEC, a discoteca pessoal de Tolipan conta com mais de 30 mil títulos. O estilo do radialista era o de uma conversa informal com o ouvinte. Transmitia informações sempre consistentes sobre as músicas: as circunstâncias das gravações; os intérpretes; a versão a ser apresentada; e outras. O programa de Nelson Tolipan ocupou a programação das duas rádios MEC, a AM e a FM e acompanhou toda a carreira do radialista na emissora.

Tanto quanto profissional respeitado, Tolipan era uma figura humana querida por todos. Sempre gentil, educado, atencioso para com quem o cercava. A todo o momento teve uma palavra de incentivo para os colegas. Sempre foi acolhedor, convidando, recebendo e entrevistando, com inteligência, músicos e profissionais que tivessem relação com os temas que mobilizaram sua vida. Sempre respeitou a inteligência do ouvinte, dividindo informações preciosas em uma conversa fluente e despojada, sem abrir mão do conteúdo que considerava relevante.”

Sugestão de leitura: entrevista com Nelson Tolipan