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Musical inédito retrata migração nordestina ao Distrito Federal

Artistas brasilienses contam em espetáculo a saga de famílias candangas nos anos 50

Relacionado a: Música, Teatro
Publicado em 16 de agosto de 2017 Imprimir Aumentar fonte
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Artistas de Brasília criam musical sobre migração nordestina. Imagem: divulgação

A música, a cultura e a tradição nordestinas alicerçadas na fundação de Brasíia são o fio condutor de Agreste, espetáculo criado por artistas locais que acaba de ganhar os palcos da cidade. Depois de passar pelos Sescs Taguatinga e Ceilândia, a produção estará no Teatro Plínio Marcos do Complexo Cultural Funarte, dias 19 e 20 de agosto (sábado e domingo).

A montagem, inédita, faz também a estreia de um tema histórico de Brasília: a saga dos nordestinos que nos anos 50, embalados pelo sonho da nova Capital Federal, migraram com suas famílias para o Centro-Oeste em busca de uma vida melhor. “O espetáculo Agreste foi criado para abordar com leveza e poesia o tema da migração, em paralelo com a inerente busca do ser humano às realizações, conquistas e definições do que é felicidade”, conta Thaís Uessugui, diretora do musical.

Brasília – lembram os responsáveis pelo espetáculo – é um destino comum aos retirantes sertanejos na metade do século passado. Desta forma, o musical não só “dialoga com”, mas representa uma grande parcela de candangos e sua jornada à nova capital, movidos pelas mesmas dificuldades climáticas e sociais que desde o Império assolam o Nordeste brasileiro e provocam a migração de seu povo.

Produzido pelo Empório Cultural – Centro de Artes Integradas, o espetáculo traz, segundo seus criadores, conceitos diferenciados dentro do gênero do teatro musical. “Agreste não só representa a figura do retirante, mas também sua cultura, presente na trilha sonora do musical e na concepção visual dos cenários e figurinos. É o sertanejo em seu ambiente, adornado de sua identidade visual e musical”, diz Uessugui.

Com o incentivo do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal, o projeto pretende criar oportunidades locais de carreira para os atores e profissionais que se especializaram no gênero e evitar que eles sejam, também, obrigados a migrar por necessidade de sobrevivência. Participam da montagem, ao todo, 30 integrantes, entre atores, músicos e produção. “Esse é um espetáculo em Brasília, de Brasília, para Brasília. Queremos firmar nossa cidade como geradora e produtora de eventos desta natureza e enriquecer o cenário cultural e artístico da capital do país com um espetáculo de teatro musical, de alta qualidade, totalmente escrito e produzido por artistas da cidade”, afirma Thaís.

A trilha sonora de Agreste é outro resgate da riqueza das crenças e da cultura sertanejas: estão nela compositores nordestinos famosos, como Dominguinhos, Djavan, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Sonho de felicidade
A história de Agreste gira em torno da dura jornada dos Cavalcanti à procura da felicidade. O filho mais velho do clã, Pedro Cavalcanti, e seu avô Jesuíno incentivam a família a pegar a estrada rumo à nova capital. O sonho de um futuro melhor os move a seguir e enfrentar adversidades maiores do que as imaginadas, como uma morte repentina, o abandono dos parentes, o preconceito por ser “paraíba” na cidade grande e o distanciamento dos próprios valores em busca da sobrevivência.

Sozinho, Pedro conquista seu sonho, mas paga por ele um preço alto demais. “A história mostra que ele passa metade da vida lutando para sobreviver e, quando consegue alcançar o que tanto sonhou, descobre que por dentro estava ‘tão seco que nem’ o sertão em agosto”, revela Thaís.

SERVIÇO

Espetáculo musical Agreste
Dias 19 e 20 de agosto | Sábado, às 20h; domingo, às 19h

Direção geral: Thais Uessugui | Direção musical: Michelle Fiuza | Direção cênica: Camila Meskell | Assistência de direção cênica: Tiago Mundim | Assistência de direção musical: Víctor Castelo | Arranjos, adaptações e orquestrações: Víctor Castelo | Coreografia: Aleska Ferro | Roteiro: Thais Uessugui | Preparação vocal: Karol Castro | Arte gráfica e videografismo: Anna Noceti | Direção de arte: Filipe Danujo | Cenografia: Filipe Danujo, Thais Uessugui, Pedro Isaac, Felipe Mendes e Luiz Felipe Champloni | Iluminação: Camilo Soudant | Desenho de som e sonorização: Augusto de Pádua | Assistência de som: Everton Gomes | Produção executiva: Mateus de Medeiros | Direção de produção e produção de palco: Raquel Fernandes | Coordenação de produção: Thais Uessugui e Tiago Mundim | Assistente de produção: Filipe Lins | Realização: Empório Cultural – Centro de Artes Integradas | Apresentação: Fundo de Apoio à Cultura (FAC), Secretaria de Cultura do DF e Governo de Brasília | Apoio: Sesc e Fundação Nacional de Artes – Funarte

Duração: 105min | Classificação etária: livre

Ingressos: R$20 (meia: R$10 ou 1kg de alimento não perecível)

Local: Teatro Plínio Marcos do Complexo Cultural Funarte Brasília. Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Brasília, DF. (Entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)