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Por dentro da Funarte

A Fundação Nacional de Artes – Funarte dá início, em seu portal, a uma série de entrevistas que têm como objetivo aproximar o público dos servidores e colaboradores que atuam na instituição. A diretora do Centro de Programas Integrados – Cepin, Maristela Rangel, fala sobre os projetos para 2017 e o novo desafio: a criação da Funarte Digital

Publicado em 23 de fevereiro de 2017 Imprimir Aumentar fonte
Maristela Rangel, diretora do Cepin – Foto S. Castellano
Maristela Rangel, diretora do Cepin – Foto S. Castellano

Com 33 anos de experiência de gestão pública nas áreas da cultura e educação, Maristela Rangel foi convidada pelo presidente da Fundação Nacional de Artes, Stepan Nercessian, para coordenar o projeto Funarte Digital. Diretora do Centro de Programas Integrados da instituição, ela fala com entusiasmo sobre o novo desafio em sua carreira. “É um projeto extremamente ambicioso porque envolve não só a criação e a produção de conteúdo como também um grande investimento em tecnologia da informação. Hoje, o site da Fundação tem cerca de 600 mil acessos e a expectativa é chegar, de imediato, a um milhão de acessos por ano”. Na direção do Cepin, pela segunda vez, Maristela comanda a equipe que é responsável pela preservação e difusão do acervo da Funarte. São cerca de dois milhões de itens, entre os quais estão documentos de grande relevância para a história da cultura brasileira.

A importância do Cepin para a Funarte
“Quem conta a história da política cultural do país é a Funarte porque, de fato, ela é mais antiga do que o Ministério da Cultura. E toda essa documentação está aqui” (no Cepin), destaca Maristela. O Centro de Programas Integrados ocupa sete andares de um prédio, no Centro do Rio, e reúne, em seu acervo, além da documentação institucional, projetos representativos das diversas linguagens artísticas, a maior parte relacionada ao teatro. “Todos os projetos históricos como o Mambembão, Pixinguinha, estão aqui. A história do Teatro de Arena também está aqui, o acervo da família Vianna, Augusto Boal, Fernando Peixoto, Fernanda Montenegro, Grande Otelo, Cenários e Figurinos, Foto Carlos, INfoto, Sala Funarte, Paschoal Carlos Magno. É um acervo tão rico que não dá pra destacar um. Tudo acessível ao público, não só na biblioteca especializada nessas linguagens, mas também no site da Funarte, através da base de dados Sophia Biblioteca, onde todo o acervo já catalogado é disponibilizado online para pesquisadores, professores e estudantes, que são o nosso público”, explica a diretora do Cepin.

“O Centro tem quatro coordenações: a Gerência de Edições, que cuida da produção editorial; o Canal Virtual, que trabalha com a difusão do acervo da Funarte; o Centro de Documentação e Pesquisa, que, trata, preserva e disponibiliza, dá acesso a toda essa documentação; e o Centro de Conservação e Preservação Fotográfica, o CCPF, que atua na área da capacitação técnica para conservação e preservação fotográfica”.

Nas Edições, o grande destaque é o lançamento ainda este ano dos seis volumes dos textos do escritor e dramaturgo Plínio Marcos. “Todas as peças dele estão sendo organizadas pelo Alcir Pécora, que é um crítico literário, professor de literatura, grande amigo da família. Ele não traz só a edição, mas faz uma análise crítica das peças do Plínio Marcos, além dos cinco volumes da Coleção Ensaios Brasileiros Contemporâneos (os quatro primeiros volumes foram lançados no início do ano) e Teatro Multiconfiguracionais”, afirma Maristela.

No Cedoc – Centro de Documentação e Informação da Funarte, a grande mudança é que o setor sai do conceito de ‘tratar e preservar’ acervos e passa a trabalhar com o conceito ‘tratamento, preservação, digitalização e difusão’, já com os direitos autorais liberados. Isso permite agilizar a disponibilização do acervo no site, o que vai ao encontro da proposta da Funarte Digital. O Cedoc está constantemente trabalhando na preservação, guarda e digitalização dos seus dois milhões de itens de acervos.

O CCPF – Centro de Conservação e Preservação Fotográfica comemora em 2017 seus 30 anos de existência e, para celebrar a data, está sendo programado um seminário internacional a ser realizado no Rio de Janeiro. “O CCPF tem excelência na capacitação de técnicos na área de conservação e preservação fotográfica em todo o território nacional e já trabalhou importantes acervos como o do Museu Histórico Nacional, Sociedade Fluminense de Fotografia, entre outras instituições.

Já o Canal Virtual é, hoje, segundo Maristela, o grande produtor de conteúdos da Funarte. “Ali vai ser o grande pulmão da Funarte Digital. Nós temos um estúdio, onde é gravado o Estúdio F (programa de rádio produzido pelo Canal Virtual) e onde são produzidos também outros conteúdos de áudios e vídeos. Além disso, o Canal é responsável pela seção Brasil Memória das Artes, onde disponibiliza acervos digitalizados da instituição e  produz  novos conteúdos das diversas linguagens artísticas de atuação da Funarte. Fizemos um vídeo sobre o centenário de Gianni Ratto e agora tem, inclusive, uma exposição dele acontecendo em São Paulo, que utiliza parte do acervo do Cedoc”.

A Funarte Digital
“O que a gente quer com a Funarte Digital é fortalecer a presença da instituição no âmbito digital, levando a Funarte a todos os lugares do Brasil e do mundo e dando ao internauta a facilidade de encontrar tudo o que ele busca, em todas as áreas da Funarte”, explica a diretora do Cepin.

O projeto deve ser implantado até o fim de 2017 e vai permitir o compartilhamento de todo o acervo da instituição, nas suas diversas linguagens artísticas – música, teatro, dança, circo, artes visuais e literatura – em diferentes formatos. “Vai ter uma rádio web, vídeos históricos e contemporâneos (sendo produzidos pelo menos uma vez por mês), entrevistas, uma programação musical continuada, exposições virtuais, uma livraria virtual e edições online da Funarte.Toda a produção de videodocumentos será apresentada com versões legendadas em inglês, francês e espanhol e com interpretações em Libras (Língua Brasileira de Sinais), legendas Closed Caption em português e audiodescrição”.

Uma empresa especializada deverá ser contratada para digitalizar as obras editadas entre 1994 e 2010. Um levantamento feito pelo Cepin indica que são cerca de 60  mil páginas a serem digitalizadas. A partir de 2011, todas as edições já foram digitalizadas e estão disponíveis no portal. Na livraria virtual, o usuário terá também a opção de comprar edições de seu interesse.

Outra novidade, na rádio web, são as chamadas, que serão gravadas por um locutor, anunciando a programação da semana dos espaços culturais da Funarte no Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife.A diretora do Cepin destaca, ainda, a criação de um espaço direcionado às exposições virtuais. O próprio artista produz imagens de sua exposição, se cadastra no portal e envia o material a ser divulgado. Isso também poderá ser feito por músicos que queiram apresentar seu trabalho na rádio. “Essa é uma das funções da Funarte Digital porque ela vai interagir com o público externo o tempo inteiro, abrindo espaço e fomentando novos talentos, nacionalmente”.

O projeto tem custo estimado em R$ 6 milhões e os recursos para sua execução deverão ser captados junto ao Fundo Nacional de Cultura (FNC). “O investimento mais robusto está exatamente na área de TI (Tecnologia da Informação). Qual é a proposta do presidente? Montar uma estrutura de TI que atenda não só a Funarte Digital, mas toda a Funarte”.

Maristela Rangel ressalta que a Funarte Digital não é um canal do Centro de Programas Integrados. “O Cepin, que integra todas as linguagens, coordena o projeto, mas os diretores de cada Centro terão que produzir o conteúdo específico de sua área. Para isso, eles terão à disposição os estúdios, a equipe operacional e toda a infraestrutura necessária. A ideia desse projeto é uma união de todos os Centros. Todos os setores da Funarte vão estar contribuindo para a Funarte Digital”.

Convite aos servidores
“Eu costumo dizer que crise sempre existiu. Eu, por exemplo, tenho 33 anos de gestão na área da cultura e da educação e nunca trabalhei com orçamento gordo. Eu sempre trabalhei com muita disposição, muita criatividade pra driblar essas questões. E eu acho que a gente está, hoje, num momento em que tem um presidente com força política, um presidente com experiências bem-sucedidas em gestão cultural e uma força de trabalho incrível para mudar a Funarte. Então, eu quero deixar um recado, um convite aos servidores: no momento de crise orçamentária e financeira é momento de darmos um passo adiante. As palavras retroceder, rebelar ou estacionar não podem nos contagiar nesse momento. É hora de o corpo funcional dessa instituição se levantar, mudar e seguir em frente na construção de um novo tempo de criação e produtividade”.

Sobre a diretora do Cepin
Maristela Rangel veio para a Funarte em 2004, na primeira gestão de Antônio Grassi, para assumir a Gerência de Edições. Foi coordenadora do Pronac, coordenadora do Cedoc e diretora do Cepin por duas vezes. Foi também diretora executiva da Biblioteca Nacional; chefe de gabinete das ministras da Cultura Ana de Hollanda e Marta Suplicy; diretora administrativa e financeira das Rádios MEC e TVE. Criou o primeiro selo fonográfico público da Rádio MEC. Foi diretora administrativa e financeira da ACERP, primeira organização social do Brasil.