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Por Dentro da Funarte

Entrevista com o subgerente de Operações do Centro de Artes Cênicas (Ceacen), Cristiano de Oliveira

Publicado em 2 de janeiro de 2018 Imprimir Aumentar fonte
Festa da Música de Niterói 2012_Acervo pessoal
Festa da Música de Niterói 2012_Acervo pessoal

Nos últimos anos, a Fundação Nacional de Artes – Funarte vem ganhando mais agilidade e transparência em seus editais. Mudanças importantes têm sido percebidas nos processos gerenciais e operacionais e têm resultado em redução de tempo e custos tanto para a instituição como para os proponentes dos projetos. Um dos responsáveis por tais estratégias é o servidor Cristiano Cabral de Oliveira, subgerente de Operações do Setor de Apoio, Planejamento e Execução Orçamentária (Sapeo) do Centro de Artes Cênicas (Ceacen). Recém-concursado, ele chegou à Fundação em 2015, trazendo na bagagem experiências tanto da área artística como administrativa. Engenheiro eletricista pela Universidade Federal Fluminense (UFF), é bacharel em Dança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente cursa Gestão Pública pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).

Aos 40 anos de idade, casado e com uma filha recém-nascida, Cristiano está à frente de projetos que pretendem mudar a imagem da instituição para a qual prestou concurso público em 2014. É dele, por exemplo, a criação do Sistema de Inscrição Online para os Editais da Funarte, que permitiu dar mais agilidade às inscrições, reduziu tempo na seleção dos projetos por parte das comissões julgadores e representou economia de tempo e custos para os proponentes, que não precisam mais imprimir formulários nem se deslocar até uma agência dos Correios para participar das seleções.

O sistema foi criado “para ser um ‘pool de editais’ onde os centros possam demandar suas necessidades e receber produtos com a mesma identidade e qualidade”, explica Cristiano, que também atua em outras frentes. A ideia é que todos os centros da Funarte passem a utilizar essa ferramenta. Na verdade a única experiência ainda está no Ceacen. No dia 27 de dezembro de 2017,foi publicado o primeiro edital conjunto do Ceacen e Cemus (Centro da Música) utilizando esse sistema.

No Setor de Apoio, Planejamento e Execução Orçamentária, Cristiano atua auxiliando no controle de pagamentos aos colaboradores das oficinas, emitindo empenhos para pagamentos e elaborando gráficos e relatórios.

O discurso e a prática de Cristiano estão impregnados de conceitos oriundos de  gestão organizacional e de marketing, como “Análise SWOT”, “CrossSWOT”, “Kaizen”, “outsourcing”, “brainstorming”. Mas engana-se quem pensa que esses conhecimentos sejam – ou devam ser – unicamente das organizações privadas. Cada vez mais a sociedade espera dos órgãos públicos a mesma celeridade da iniciativa privada.  E é este o desafio que Cristiano pretende enfrentar para trazer bons resultados à Funarte.

Na tela do seu computador, ferramentas e gráficos mostram o universo no qual ele está mergulhado: Mapa dos Processos, Modelagem de Processos de Negócio, Análise, Simplificação, Padronização (implantação e ajustes); avaliação de Desempenho (GUT, Pareto, Histograma, 5W-2H, Brainstorming, BPD, BPMN, BPMS, PDCA, Análise SWOT e CrossSWOT e Causa e Efeito).

Com base em todo esse conhecimento, ele produz os relatórios de gestão para a Diplan (Divisão de Planejamento) e colabora com as fundamentações jurídicas para inexigibilidades de pagamento de cachês de colaboradores. Também participa de comissão de Seleção de Editais do Ceacen, redige e publica portarias no Diário Oficial da União, atua como publicador e conteudista do Ceacen no Programa de Dados Abertos (PDA) do Ministério da Cultura. Foi ele o responsável pela implantação de Conceito de Conformidade com seus respectivos referenciais e ele também será um dos multiplicadores do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Cristiano ainda é membro substituto do Ceacen no Comitê do Plano Diretor da Tecnologia da Informação e Comunicação (PDTIC) para o triênio 2017-2019.

Antes de ingressar na Funarte, Cristiano foi servidor concursado da Fundação de Artes de Niterói (FAN) entre 2008 e 2015, onde acumulou experiências na área de arte-educação do MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Niterói. “Foi um período muito criativo e produtivo na minha vida. Tivemos contato com a comunidade do Morro do Palácio, realizando via de mão dupla entre a comunidade e o museu. Uma experiência ímpar. Trabalhar com arte-educação na formação de pessoas foi uma das coisas mais gratificantes até hoje para mim. Ver crianças produzirem seus próprios instrumentos, ‘silkando’ suas blusas e aprendendo a necessidade da consciência ambiental não tem preço”, conta. Antes, de 2001 a 2003, trabalhou na Prefeitura de São Gonçalo, na área de informática da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo Secretaria de Turismo, sua primeira experiência na administração pública.

Toda essa facilidade para desempenhar diversos papéis, Cristiano traz da vida pessoal. O pai da pequena Guilhermina sempre quis ser cadete do Exército, seguindo os passos do seu pai. “Comecei meus estudos pesados em casa com ele desde a 5ª série, me preparando para uma seleção que faria seis anos depois. Passei na prova, mas fiquei na avaliação médica. Inconsolado por não ter passado, meu pai me orientou a não jogar todo o conhecimento de matemática fora e decidi cursar Engenharia”, conta.

Seu primeiro estágio foi na antiga IBM/Varig no Aeroporto Santos Dummont, onde trabalhava como assistente de engenharia no setor de projetos da multinacional francesa Equant. “Desisti quase um ano e meio depois. E como um bom geminiano que sou (risos), aliado ao fato de ter um avô dono de circo, uma avó que vivia na Radio Nacional, ­um pai matemático e guitarrista e uma mãe desenhista e eleita miss shortinho no Programa do Chacrinha, com todo esse DNA, percebi que seria quase impossível ter somente uma só experiência artística nesta vida”, afirma.

Bailarino, assistente de direção, diretor e coreógrafo, Cristiano entrou para a Faculdade de Dança em 2004. De 2002 a 2014, atuou na Metamorphose Cia de Dança e como pesquisador corporal em Laban-Bartenieff, tendo como foco as relações do espaço interno/externo, com o intuito de entender questões relativas às sociedades contemporâneas. Recebeu alguns dos grandes prêmios brasileiros de dança e em festivais no Mercosul com mais de 25 trabalhos coreográficos na sua trajetória. Na Mostra Universitária do “Festival Panorama da Dança”, o espetáculo “Amor em 2 Atos” (2010) foi aclamado pela crítica especializada.

Mas todo o conhecimento em engenharia elétrica também não foi desperdiçado. Em seu trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Dança, Cristiano utilizou cálculos de engenharia e de eletromagnetismo na cenografia.

Nesse universo artístico, a música também faz parte da sua vida. “Enveredei-me também pelas linhas melódicas. Fui vocalista, violonista e gaitista de banda de rock, toquei fora do país e em vários festivais no Brasil; participei de um reality show musical de uma grande rede de TV, mas hoje prefiro tocar somente para a minha filha, que acabou de chegar neste mundo: ela nunca reclama (risos)”, diz, acrescentando seus mestres na música: Julia Martins (Conservatório de Música de Niterói e ex-preparadora do backing vocal da banda Blitz), Marcos Vinícius (Professor de Música – UFRJ) e Luciana Lazulli.

Na Funarte, Cristiano ainda tem muitas metas impostas por ele mesmo para atingir. Ele enumera alguns desafios: criação de Normas Técnicas para balizar processos; utilizar técnicas e softwares para elucidar os problemas dos nossos processos, sempre em busca da melhoria contínua; desenvolver a capacidade de reflexão crítica sobre os problemas nos processos da Funarte; criação de Indicadores Culturais para a Funarte com vistas a balizar decisões de coordenadores e diretores; criação de mais serviços eletrônicos ao cidadão.

“No fim de 2015, fiz um estudo do Edital Cena Aberta para avaliar o processo como um todo. Encontrei 66 passos no fluxograma. Hoje, conseguimos reduzir para 41”, comemora. E destaca: “o Edital Online já é uma grande inovação no sentido de reduzir o gasto público e do proponente e de dar celeridade ao processo. O sucesso foi tamanho que faremos experiências com toda a Funarte, mas devemos mudar a cultura da casa para esta nova modalidade”.

A ideia é que a Divisão de Informática (Dinfo) crie um programa próprio da Funarte, com um ambiente melhor para os proponentes e os jurados, permitindo, inclusive, que estes avaliem os projetos não em tabelas (como é feito atualmente no software do Google), mas em um formato mais amigável. De acordo com o subgerente do Sapeo, a previsão é que esse sistema comece a funcionar no segundo semestre.

Entre seus planos ainda estão: contribuir para o estudo da Gestão de Risco e Planejamento da Funarte e auxiliar de maneira eficaz as decisões para elevação o índice e-GOV (Governança Digital), trabalhar direta ou indiretamente na análise de necessidades, metas e ações, no inventário de necessidades, capacitação e serviços, com seu custeio e proposta orçamentária. Atualmente, Cristiano também participa como membro do Grupo de Trabalho de Reestruturação da Funarte, cuja missão é elaborar um estudo que atenda tanto os anseios dos servidores como os do público de interesse da instituição.

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