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Nota de pesar: Tuca Cerícola

(1955-2017)

Publicado em 10 de janeiro de 2018 Imprimir Aumentar fonte
Tuca Cerícola – Divulgação
Tuca Cerícola – Divulgação

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lamenta a morte de Neusa “Tuca” Cerícola, ocorrida no dia 2 de janeiro, no Rio de Janeiro. Trapezista e equilibrista, ela nasceu em Natividade de Carangola (MG), em 1955, e pertencia à segunda geração de uma família de artistas circenses. A família Cerícola começou com Leonardo Romeu Cerícola, filho de uma músico italiano que veio para o Brasil com os pais ainda criança.

Tuca teve intensa atuação junto à classe circense e foi presidente da área de Circo do Sindicato dos Artistas. Em dezembro de 2011, ao lado de Angela Cerícola, assinou a direção artística do espetáculo Céu de Lona, apresentado no Rio de Janeiro para celebrar a formatura da 22ª turma de alunos da Escola Nacional de Circo.

Em homenagem à artista, a Funarte reproduz a carta de um dos filhos de Tuca, Jonathan Cerícola, o palhaço Pão de Ló.

A seguir, a carta na íntegra:

“Cresci vendo minha mãe balançar no trapézio, ela usava um figurino vermelho, lindo.

Enquanto ela se maquiava eu ficava ao seu lado, assim que terminava ela fazia em mim a maquiagem de palhaço. Saíamos juntos do trailer e de mãos dadas ela me levava até a barreira do circo (aquela parte que fica atrás da cortina). Era sempre assim…

O tempo, em sua infinita pontualidade me fez aprender a fazer sozinho a maquiagem. Nessa época, eu já sabia que minha mãe era uma artista com muitos talentos.

Além do circo, chegou à TV no começo dos anos 60 no programa de Moacyr Franco, depois fez várias participações no Chacrinha. O último trabalho foi a novela Araguaia, na TV Globo.

No teatro, ela trabalhou ao lado de Colé, Silva Filho e Costinha. Lá no Carlos Gomes ela conheceu meu pai, músico que fazia parte da banda que trabalhava no teatro.

No cinema, minha mãe atuou em Os Trapalhões no Auto da Compadecida, em 1987. Era muito divertido participar das gravações e ver de perto meus ídolos.

No ano seguinte, ela gravou Os Trapalhões, Uma Aventura na Selva. Nesse filme tem uma cena em que minha mãe precisava pular de uma cachoeira muito alta. Me lembro de ficar com medo dela se machucar… coisa de garoto, seu talento transformou a cena em algo simples de ser feito.

Uma coisa que sempre me orgulhou muito foi sua militância a favor da classe circense. Principalmente pelo pequeno circo de lona.

Além disso tudo, ela era minha mãe! Uma mãe fantástica, sempre presente e super companheira. Durante os espetáculos ela ficava à minha esquerda, ao lado do picadeiro. Sempre que algo dava errado ela soltava aquele sorriso, era tão divertido. Me dava conselhos, broncas… por muitas vezes eu discordei dos seus conceitos sobre comédia.

Pois é… mais uma vez o tempo.

Não vou ter mais minha querida ao lado do picadeiro, minha artista, minha guerreira, minha inspiração.

Guardo todos os momentos no coração. Vou seguir fazendo o Pão de ló e tenho certeza de que ela estará ao meu lado.

Pra ser sincero, às vezes, acho que não darei mais conta, mas temer é colocar fé no que não se deseja. Então procuro ter calma e continuar caminhando com passos curtos, porém firmes e nada irá me deter.

Quando a vida me testa pra saber se eu tenho forças, minhas forças testam a vida para mostrar que sou capaz de seguir adiante e passar pelas etapas difíceis que se apresentam.

Agora minha mãe é uma estrela ainda maior, sua luz vai iluminar meus caminhos e assim seguiremos juntos para sempre.

Obrigado por tudo, minha estrela!”

Jonathan Cerícola

(*) Com informações do Dicionário do Circo Brasileiro – CircoData