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Funarte Notícias

Publicado em 21 de março de 2012

Encontro MinC / Funarte

Com participação das representações regionais do MinC e da Funarte, centros da Instituição apresentaram seus projetos

Encontro MinC / Funarte

Para ampliar a integração das diversas representações regionais do Ministério da Cultura e da Funarte, representantes do MinC e da Fundação reuniram-se na terça-feira, 20 de março, no Salão Portinari do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. No encontro, foi feito um balanço dos projetos realizados no ano passado e apresentadas as ações programadas para 2012.

Na abertura, o presidente da Funarte, Antonio Grassi, destacou que os investimentos diretos da instituição passaram de R$ 35 milhões, em 2007, para R$ 87 milhões, em 2011. “Foi o maior volume de recursos dos últimos anos”, enfatizou. Grassi ressaltou também que até o mês de abril, a Funarte já terá pago os prêmios referentes a todos os editais. Ele anunciou, ainda, o acordo que será firmado entre a Funarte, o governo do estado do Rio de Janeiro e a prefeitura de Paty do Alferes, para a restauração da Aldeia de Arcozelo, e a realização, a partir de setembro, do Ano de Portugal no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal.

A chefe de gabinete do MinC, Maristela Rangel, falou sobre a importância do encontro e a necessidade de fortalecer a atuação das representações regionais do MinC e da Funarte para que as ações alcancem todo o país.

Também participaram do evento os diretores da Funarte, Antonio Gilberto, do Centro de Artes Cênicas; Xico Chaves, de Artes Visuais; Bebeto Alves, da Música e Ana Claudia Souza, de Programas Integrados, além dos coordenadores de representações regionais: Miriam Lott – Funarte MG; Tadeu de Souza – Funarte SP; Débora Aquino – Funarte Brasília e Naldinho Freire –  escritório Nordeste (Recife – PE). Entre os chefes de representações regionais do Ministério da Cultura estavam presentes Marcelo Murtha Velloso, da Representação Regional do RJ e ES; Valério da Costa Bemfica (Representação SP); Cesária Alice Macedo (MG); Fábio Henrique Lima de Almeida (Região Nordeste); Margarete Costa Moraes (Sul); Alberdan Batista (representando Delson Luis Cruz – Norte); Monica Trigo (BA), e Keilah Diniz (AC).

O Salão Portinari, no Palácio Gustavo Capanema, recebe os diretores e coordenadores da Funarte e do MinC e os servidores. Foto:S.Castellano

Centros da Funarte

Os diretores e coordenadores dos centros da Funarte apresentaram as ações realizadas e a previsão de projetos. O diretor do Centro de Artes Visuais, Xico Chaves, disse que a estimativa de recursos, em 2012, para sua área é de mais de R$ 12 milhões. Dentre os programas previstos estão a 9ª edição do Rede Nacional Funarte Artes Visuais, o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, a Bolsa de Estímulo à Produção de Artes Visuais, o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça e o Conexão Artes Visuais, realizado pelo MinC e Funarte, com patrocínio da Petrobras.

O diretor do Centro da Música, Bebeto Alves, ressaltou a participação de artistas brasileiros em projetos internacionais. Falou também do Projeto Pixinguinha, que ganhará um novo formato. Ainda foram apresentados resultados dos projetos das coordenações de Bandas, de Música Erudita e de Música Popular.

Antonio Gilberto, diretor do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) falou sobre a ocupação dos espaços do RJ, SP, MG e DF e destacou importantes projetos para este ano, como a programação do Centenário de Luiz Gonzaga. Estão previstos os editais dos prêmios de Teatro Myriam Muniz, de Dança Klauss Vianna e o Carequinha, criados na primeira gestão de Antonio Grassi na Funarte, além do Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia (já com inscrições abertas). Na área de Circo, está previsto o relançamento da campanha “Receba o circo de braços abertos” (desta vez, juntamente com o Ministério da Saúde). De acordo com o coordenador de Circo, Marcos Teixeira, a ideia é acabar com o preconceito que algumas cidades ainda têm com relação à atividade circense. Marcos lembrou também que, de 2003 a 2011, a Coordenação de Circo contou com cerca de R$ 24 milhões em recursos.

O coordenador de Dança, Fabiano Carneiro, apresentou as metas da Codança, com um painel abrangente: “Executar e sugerir novas políticas para a área, bem como registrar e divulgar as atividades do setor são os principais objetivos. Nossas propostas surgiram de um contínuo diálogo com o colegiado setorial da área”, disse Fabiano. Há estimativa de ampliação do Cadastro Nacional do setor – um banco de dados para troca de informações, de livre acesso, no Portal da Funarte. O presidente Antonio Grassi elogiou a iniciativa, recomendando que as demais áreas desenvolvam instrumentos semelhantes. O coordenador de Dança acrescentou que este é o passo inicial de um mapeamento nacional da atividade. Fabiano citou também programas para difundir o ensino de dança, oficinas de capacitação, difusão e intercâmbio, com instituições brasileiras e estrangeiras, e a Bolsa Funarte de Residências Interamericanas, direcionada à especialização artística. Também está planejada a publicação de obras literárias de dança. Entre os editais, foram citados o Prêmio Funarte Artes na Rua (que inclui circo e teatro), o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna e os editais de ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) e da Sala Renée Gumiel (SP), que contemplarão dois projetos de espetáculos de dança, um para cada semestre. O Galpão 3 da Funarte MG e o Teatro Dulcina (RJ) também poderão receber montagens de dança. “O Projeto Outras Danças que, em 2011, no Ceará, reuniu artistas do Chile, Colômbia e Brasil, terá nova edição, em outra região, com outros países estrangeiros. Há projetos também para a Bienal Internacional de Dança de Veneza e para a Bienal Internacional de Dança de Curitiba (PR), em convênio com a Fundação Cultural do Município. Já o Fundo Iberescena, representado pela Funarte, já com inscrições abertas, oferece prêmios para dança, circo e teatro. Pretendemos também apoiar o Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança, com quatro eventos, já tradicionais no calendário”, expôs Fabiano. O coordenador comentou ainda a volta, em 2012, do Projeto Mambembão, que inclui, pela primeira vez, a dança – desde seu protótipo, a Mostra Nacional Mambembão.

O coordenador do CTAC, Erisvaldo Lins, servidor concursado da Funarte, expôs as atividades do Centro, que oferece consultoria, apoio em obras de teatros, capacitação e acervo. É referência nacional nas técnicas cênicas, tanto para cenotécnicos, quanto para iluminadores, cenógrafos, figurinistas, maquiadores, maquinistas e todos os profissionais que lidam com os palcos e seus bastidores. “Funcionamos na área-limite entre a criação e execução da obra”, resumiu o coordenador. Ele destacou a realização de oficinas de capacitação, nas diversas áreas do CTAC, em diversos estados, com apoio das representações regionais do MinC e da Funarte, com especial ênfase às do Nordeste – principalmente a de Recife, com o tema “Administração e produção cultural”, com Rômulo Avelar. Erisvaldo também ressaltou que houve uma produtiva aproximação com a recém-criada Secretaria da Economia Criativa do MinC no levantamento de dados sobre algumas profissões, que estão quase desaparecendo, e que precisam muito de ações didáticas como as oficinas. “É o caso da cenotécnica”, exemplificou. “Como o CTAC possui um grande acervo de publicações sobre estes ofícios, somos muito procurados por pesquisadores. Temos aproveitado isso para promover a aproximação com a comunidade universitária. Já na área de consultoria e apoio técnico, a demanda é constante. Atuamos em parceria com a Divisão de Engenharia da Funarte”, elencou Erisvaldo. Na agenda de 2012, ele deu destaque à reforma do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo. A Sala Funarte Sidney Miller, no Rio, também foi citada – ela passa por obras no piso e no palco. Erisvaldo comentou que o CTAC busca a excelência em seu trabalho. “Os espaços da Funarte devem ser referência”, completou.

A diretora do Cepin, Ana Claudia Souza, apresentou novidades. A primeira foi o lançamento do livro “Iconografia Teatral de Walter Pinto e Eugénio Salvador”, de Filomena Chiaradia, que reúne em fotografias, reprodução de programas e páginas de publicações semanais, acervo de produções do inovador da revista à brasileira, nos anos 1950, e da companhia do ator português. E ainda, o relançamento do livro “MPB – Um Século de História”, de Ricardo Cravo Albin. Ele faz parte da coleção “História Visual”, editada pela Funarte e apresenta um panorama da história da música popular brasileira e do arquivo iconográfico da Fundação. Os livros serão lançados pela Gerência de Edições do Cepin. Ações de 2011 foram lembradas: a realização do Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, em parceria com a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC); a continuidade do projeto Brasil Memória das Artes, de digitalização e difusão de acervo; e a programação comemorativa pelos 25 anos do Centro de Conservação e Preservação Fotográfica (CCPF).

Representações da Funarte

Miriam Lott, coordenadora da Funarte MG, ressaltou a importância dos editais de ocupação, que têm trazido um público expressivo para os espaços culturais de Minas, e o edital Microprojetos São Francisco; as oficinas de artes cênicas e o programa “Arte em Foco” (4ª edição), que promove uma troca de conhecimento entre pesquisadores,  artistas e público. Débora Aquino, coordenadora da Funarte Brasíia, também deu ênfase à importância do programa Microprojetos Rio São Francisco e da abrangência nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Naldinho Freire, coordenador da Funarte Nordeste (Recife – PE), falou sobre as oficinas da Funarte, em Arapiraca e Maceió, e da importância das parcerias do governo estadual e das prefeituras, para que as oficinas cheguem ao interior. Durante a apresentação, Naldinho sugeriu ao presidente da Funarte, Antonio Grassi, o lançamento de um programa Microprojetos Vale do Paraíba.

Tadeu de Souza, coordenador da Funarte SP, enalteceu a importância de encontros como este, para que todos se conheçam, troquem experiências e caminhem sempre em conjunto. Tadeu falou do sucesso dos editais 2011, que já proporcionaram o trânsito de cerca de 20 mil pessoas nos espaços culturais da instituição. “Espetáculos de música, dança e teatro são apresentados simultaneamente, o que já rendeu a visita de 600 pessoas em uma única noite. Oficinas e exposições também estão entre as preferências do público”, avalia o gestor.

O presidente Antonio Grassi agradeceu a presença dos representantes do MinC e da Funarte: “Quero agradecer e parabenizar toda a equipe pelo trabalho consistente e a dedicação com que desempenham suas funções. Me surpreendi com a apresentação de todos os projetos e prometo olhar com carinho para cada um deles. Vejo o quanto o nosso volume de trabalho é grande – um dia de encontro é pouco para avaliarmos tudo. Precisamos tornar mais frequentes estas reuniões.” Segundo Grassi, é muito importante acompanhar todas as ações realizadas, para que não caiam no vazio. O presidente ressaltou, ainda, o empenho do diretor do Centro de Artes Cênicas, Antonio Gilberto, para que o encontro acontecesse: “Ele insistiu para que esta reunião fosse realizada. Ela representa uma forma de estreitar nossa relação com o MinC e olharmos juntos, com olhares diversos, para novas direções”, concluiu Grassi.

MinC – representações e escritórios regionais

“Esse encontro é emblemático. Vai transformar e melhorar a relação entre a Funarte e as regionais”, disse Margareth Costa Moraes, chefe da Representação da Região Sul. Ela ressaltou que a Funarte produz sempre uma agenda positiva, de ações que repercutem em todo o Brasil, e enalteceu o trabalho conjunto da Fundação e das representações em relação a áreas que necessitam de fomento, dando por exemplo o circo. “Ele mantém a dignidade desta área artística”, destacou. “Os gestores do MinC têm-se preocupado em viajar pelo país, em contato direto e constante com a sociedade. O Ministério hoje exerce um protagonismo nesta relação. Aumentou, portanto, a importância das representações regionais”. Quanto ao papel da Regional Sul, ela lembrou a importância do MinC na política de fronteiras nacionais.

“Esse Brasil não é só litoral”, disse Alberdan Batista, da Regional Norte, citando Milton Nascimento. Alberdan lembrou que sua região representa 45 por cento do território nacional. “Além de rica em recursos naturais, é rica em gente – pessoas que representam culturas de diversos povos. Daí a importância do MinC nestes locais. Cultura é vida e, para estas pessoas, representa a realização de sonhos que, basicamente, são simples. Cito Eduardo Galeano: ‘Somos o que fazemos, mas, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos’. E o Ministério e a Funarte têm papel importante nisso. Assim como os antigos construtores descobriram a pedra angular, nós estamos, cada vez mais, descobrindo a pedra fundamental da cultura” – fundamentos essenciais sobre os quais se desenvolvem políticas.

Keilah Diniz, coordenadora do escritório do Acre, disse que, apesar dos grandes esforços feitos para descentralizar ações do eixo das metrópoles do Sudeste, ainda existe centralização e que muito há por fazer nesta área. Elogiou a aproximação com a Funarte, informando que é servidora de carreira e que já trabalhou na Fundação. Keilah valorizou vários programas da Instituição, como por exemplo o Projeto Bandas, por sua força social e por envolver a juventude. “Agradeço a Funarte o convite às representações regionais. Afinal, as diversas políticas culturais do MinC vêm ganhando uma dimensão enorme, nos últimos anos. Mas é preciso agora reforçar a frase de Antonio Grassi: ‘Arte também é Cultura’. Cada linguagem tem um setor, demandado como um verdadeiro instituto – e o Brasil precisa deste trabalho”, disse Keilah. Ela também frisou a importância do diálogo inter-regional da Funarte, para que ela ganhe dimensão cada vez mais nacional.

Valério da Costa Bemfica, chefe da Representação do MinC em SP, agradeceu a parceria constante com a Funarte paulista. “O trabalho das representações e vinculadas deve ser cada vez mais integrado”, afirmou. Para ele, apesar do trabalho de nacionalização das ações, é preciso lembrar que os grandes centros têm enorme concentração populacional, com bolsões de pobreza e exclusão de acesso a bens e serviços culturais. Valério pôs em evidência projetos como o Mambembão e o Pixinguinha. Para ele, seriam fundamentais em todos os sentidos da discussão, como ações de política cultural.

Cesária Macedo, chefe da Representação do MinC em MG, disse que todos os eventos da Funarte em seu estado tiveram um retorno muito positivo “A Fundação é importantíssima para o país e deve espalhar suas representações por toda parte”, afirmou. Ela citou o Fórum Cultural de MG, desenvolvido junto à Funarte MG, envolvendo 15 instituições: “Vários secretários municipais e convidados participam do trabalho, que vai cada vez mais para o interior, em uma divulgação do Sistema Nacional de Cultura e o papel do MinC. Cesária sugeriu, ainda, que a Funarte criasse ações ligadas à área de arte-educação.

Fábio Lima, chefe da representação Nordeste, apresentou relatório de atividades em 2011, com ênfase na importância do programa MinC/Funarte Microprojetos – Semi-Árido. “Se a cultura fosse medicina, as representações regionais seriam clínicas gerais, porque temos de entender um pouco de tudo”, comparou Fábio. “Uma das áreas artísticas mais importantes da Funarte, nos últimos anos, no Nordeste, foi a de música, com apoio da regional Nordeste da Instituição”, registrou. Ele também falou em artes visuais, ao citar a ocupação da Sala Funarte Nordeste, por edital. “Também acompanhamos os fóruns setoriais na região, juntamente com a Funarte”. Fábio destacou que há constante trabalho de orientação a proponentes e candidatos aos editais da Funarte. “Para isso, são de fundamental  importância as oficinas. Elas difundem os editais”. Finalmente, ele agradeceu à Direção da Funarte o empenho ao enviar  informações completas sobre as ações da Casa no Nordeste, conforme seu pedido.

Marcelo Velloso, chefe da Representação RJ/ES, comentou que, a partir de 2003, foi aplicada a política de nacionalização da Funarte. Segundo Marcelo, o período também é marcado pela quebra da “lógica da política de balcão”, na qual a seleção de projetos se dava a partir do contato pessoal, em primeiro lugar. Marcelo argumentou que os editais tornaram as ações democráticas e deram a elas transparência nas informações. “É importante a parceria entre regionais e Funarte na construção de programas colaborativos entre união, estados e municípios”.