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A Funarte e a política para as artes: uma história a ser descoberta

Mais que um memorial analítico da entidade, 'Romance de formação: Funarte e política Cultural – 1976 – 1990' é um retrato da governança federal no campo artístico, lançado em 2000

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Publicado em 23 de maio de 2018 Imprimir Aumentar fonte
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Romance de formação: Funarte e política Cultural – 1976 – 1990
Isaura Botelho – Edições Casa de Rui Barbosa (2000)

Resenha

Ao se pensar em políticas públicas para as artes no Brasil e ao se realizar qualquer estudo sobre Funarte, pode ser que haja alguma dificuldade em encontrar fontes sólidas e objetivas o bastante, com registro históricos e análises. A não ser que se busque no Centro de Documentação e Informação da Casa. Numa dessas iniciativas, um livro destacou-se claramente para o Presidente da entidade, Stepan Nercessian e mereceu esta resenha: o Romance de Formação: Funarte e política cultural – 1976 – 1990, de Isaura Botelho.

Lançada pela Casa de Rui Barbosa (MinC) no ano 2000, com 180 páginas, a obra conta e analisa, de forma detalhada mas pragmática, a história da Fundação naquele período. Documenta e reflete sobre a formação e a consolidação da entidade como “instituição-modelo”, na época, de estímulo às artes no Brasil; e a extinção do órgão, no Governo Collor, juntamente com todos os outros organismos de cultura federais – depois reunidos num só, o Instituto Brasileiro de Cultura (IBAC), que mais tarde voltou a ser Ministério da Cultura. Para isso, a autora utiliza a memória da Funarte e de seus servidores: arquivos institucionais, com documentos e relatórios de gestão e técnicos; e depoimentos com pessoas que participaram da criação e desenvolvimento da entidade; mostra como surgiram e se desenvolveram as estratégias e os programas do Governo Brasileiro para o setor artístico naquela época; e faz uma rica análise da trajetória da Fundação.

Isaura Botelho é Doutora em Ação Cultural pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado na França, na área sócio-econômica da cultura. É Mestre em Comunicação pela ECO – UFRJ, com graduação em Letras (Literatura). Servidora pública de cultura e pesquisadora na área, de 1978 a 1996 trabalhou na Funarte, onde chefiou a Assessoria Técnica (ATEC) da Direção, entre 82 e 85, ano de fundação do Ministério da Cultura, no qual passou a trabalhar – tendo ajudado no primeiro desenho da instituição – e onde, em 88, assumiu Secretaria de Apoio à Produção Cultural. Entre 91 e 95, foi Representante em São Paulo do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC) – que aglutinou todas as instituições de cultura federais, extintas em 90. É aposentada e realiza consultorias e cursos.

Refazer o itinerário de uma “organização-modelo”

Mais do que contar a história da Fundação, a proposta do livro é “discutir as linhas gerais da construção institucional e de seu amadurecimento… enquanto órgão gestor de políticas públicas” naquela fase “e buscar pistas” para “entender o processo de decadência que se instaurou na entidade, partir da criação do Ministério da Cultura em 1985”, diz Botelho. “Isaura procurou refazer o itinerário institucional da Funarte… enquanto especialista e dirigente…, tomando o partido de focalizar o trabalho de seus técnicos e lideranças…”, diz Sérgio Miceli, no prefácio. O sociólogo avalia que o volume é “uma contribuição criativa à aflição de presenciar o desmonte inapelável de um trabalho coletivo” – aqui ele se refere a um certo distanciamento da Funarte em relação às classes artísticas no final dos anos 80, detectado pela autora; e se remete ainda à extinção das entidades culturais do Governo.

Nos “primeiros anos, quando os recursos orçamentários superavam a demanda, a Funarte foi ficando conhecida como ‘a instituição que apoiava’”, diz Botelho. Miceli destaca do livro que a Funarte conseguiu, entre a data de sua fundação e a primeira metade da década de 1980, “consolidar sua presença e seu prestígio de organização-modelo por meio de projetos inovadores [...] da montagem de circuitos dinâmicos de difusão e incentivo de artistas veteranos revalorizados ou de jovens talentos… (Projeto Pixinguinha, Salão Nacional de Artes Plásticas, etc.)” – o que ocorreu, também, no caso do Projeto Mambembão e das premiações do Serviço Nacional de Teatro (SNT), retomadas pelo seus sucessores, o Instituto Nacional de Artes Cênicas (Inacen) e a Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen); dos prêmios de dança dessas casas, criados por estas – tudo isso relançado pela Funarte, que acrescentou o Prêmio Funarte Carequinha de Circo (concursos continuados até 2015).

Romance de Formação: Funarte e política cultural – 1976 – 1990
Isaura Botelho
Edições Casa de Rui Barbosa – 2000
Rio de Janeiro
ISBN: 85-7004-219-1

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