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Agenda Cultural / Teatro

Espetáculo ‘Episódio I: Uenda-congembo (morrer)’, na Sala Carlos Miranda

Publicado em 9 de abril de 2018 Imprimir Aumentar fonte
Episodio I Uenda congembo morrer Foto divulgacao
'Episodio I: Uenda congembo (morrer)' Foto: divulgação

Sobre o evento

Episódio I: Uenda-congembo (morrer) aborda as tensões étnicas e a busca de identidade cultural vividas atualmente. O espetáculo parte do diálogo criativo com os vissungos, cantos de tradição centro-africana antigamente entoados na região do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. A peça tem como pano de fundo o ambiente da mineração do diamante e as procissões dos enterros – práticas sociais em que esses cantos se desenvolveram. Em meio ao jogo entre memórias pessoais, dados históricos e metáforas poéticas, é traçado um caminho que visa a reconstruir a relação entre ancestralidade e atualidade. Essas questões se apresentam no corpo e na vida interior do ator, que, sozinho em cena, trafega por diferentes figuras presentes no universo dos antigos cantos e em seu universo íntimo, criando uma autoetnoficção.

O espetáculo propõe uma reflexão: em suas últimas horas, uma pessoa pode ser tudo o que não sabe. Se for negra, pode experimentar ser branca; se não for negra nem branca, pode experimentar ser um pardal. Se for moça, pode experimentar ser velha; se não for moça nem velha, pode experimentar ser uma raiz. Sendo homem, pode experimentar ser mulher; não sendo homem nem mulher, pode experimentar ser uma criança. Quando um canto antigo se tornar o único meio de se lembrar de sua história, será necessário, então, que ela busque estar acordada também dentro de seus sonhos. Que não durma antes do sol raiar, senão todos os diamantes que inocentemente escondeu do tempo, em algum lugar secreto, virarão carvão e queimarão sem calor ou se tornarão o grafite para seuLivro da Vida, mas aquele que não escreveu com o próprio punho.

O espetáculo faz parte projeto Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamantes, desenvolvido a partir da pesquisa criativa sobre o repertório de vissungos, registrados em partituras e gravações (fonográficas e audiovisuais). Também são abordados os aspectos histórico-sociais e mitopoéticos que envolvem esses antigos cantos. O interesse sobre o tema teve origem na experiência de Luciano Mendes de Jesus como performer no Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards (Pontedera/Itália), na equipe do Open Program, grupo com o qual desenvolveu, de 2013 a 2015, espetáculos tendo por base cantos do sul dos Estados Unidos. De volta ao Brasil, o ator continuou aprofundando sua pesquisa sobre a integração entre cena e música a partir de materiais tradicionais. Com os vissungos, descobriu um dos elementos mais antigos de matriz africana do Brasil e seu elo com a construção da identidade cultural do país, expressa, sobretudo, na influência sobre a língua portuguesa brasileira e a música popular.

O objetivo final é a criação da Trilogia Vissungueira, composta por: Episódio I: Uenda-congembo (morrer)Episódio II: Mileke entre Pedras e Piercings(baseado em fatos reais da vida do último mestre vissungueiro, Ivo Silvério da Rocha) e Episódio III: Banzo e os Filhos dos Antigos(em processo de criação, baseado na relação entre melancolia e tradição). A pesquisa e a criação do espetáculo Episódio I: Uenda-congembo (morrer)foram realizados com o apoio da Bolsa Funarte de Fomento para Artistas e Produtores Negros, em 2016.

Sala Carlos Miranda – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)

Projeto: Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante

Espetáculo: Episódio I: Uenda-congembo (morrer)
De 13 a 29 de abril (exceto dia 20). Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h.
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada: R$ 10) – Cartões não são aceitos
A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.
Duração: 75 minutos. Classificação etária: 14 anos.

Ficha técnica:
Atuação, direção, dramaturgismo e concepção sonoro-musical: Luciano Mendes de Jesus | Iluminação: André Mutton | Operação de luz: Jean Rocha/Marisa Mariano | Fontes textuais: Auguste de Saint-Hilaire, Aires da Mata Machado Filho e José Craveirinha | Orientação artística: Pedro Pires (Companhia do Feijão) | Orientação teórica: Sônia Queiróz | Produção: Pâmela Santos | Fotografia: Bea Costa | Filmagem: Donizete Bomfim (Cine Favela) | Arte gráfica: Stela Ramos

Mais informações:
(11) 3662-5177
(11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes do espetáculo)
funartesp@gmail.com

Dia: 21 de abril de 2018 Horário: 21:00 às 22:15 Local: Sala Carlos Miranda – Complexo Cultural Funarte SP. Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP.