11 set 2014

Saiba o que aconteceu na manhã do IV Encontro Funarte em Belém!!

Comente

A cidade de Belém do Pará recebeu o IV Encontro Funarte de Políticas para as Artes neste último dia 9 de setembro, na sede da Representação Regional do Ministério da Cultura.

Regionalização, políticas para as fronteiras e custo amazônico foram os principais temas abordados e transversais em todas as discussões em Belém!! Delson Cruz, Repres. Regional MinC Sul levantou a questão em sua fala, e a problemática acompanhou todo o diálogo!!

Estiveram presentes na mesa de abertura ao lado de Delson, Ester Moreira, diretora do Centro de Programas Integrados da Funarte; Fabio Jorge de Sousa, presidente do Instituto de Artes do Pará e Maurício Adinolfi, artista plástico que realizou residência artistica no Estado do Pará.

Na platéia o IV Encontro contou com a presença do diretor executivo da Funarte, Reinaldo Veríssimo; da representante da Fundação Cultural do Município de Belém; do representante da cultura hip hop do estado do Pará; pesquisadores e gestores locais, inclusive da Universidade Federal do Pará.

Fique por dentro das principais questões abordadas na mesa de abertura por cada um dos participantes!!

Delson Cruz, Representante Regional do MinC/Norte abriu o IV Encontro Funarte de Políticas para as Artes em Belém apresentando um panorama de atuação, realidade e perspectiva da Regional MinC na elaboração de políticas públicas na área da arte e cultura na região Norte do país.  Dentre as dificuldades expostas para a realização e circulação de projetos estão a ausência de políticas para as fronteiras e a realidade amazônica em relação ao clima e à localização. Já os avanços se deram com o reconhecimento do custo amazônico como política de Estado e o reconhecimento do Carimbó como patrimônio cultural brasileiro.  O Sistema Nacional de Cultura como elemento aglutinador da região Norte, a construção de parcerias, os editais, o forum de gestores, os cursos de gestão o programa Amazônia Legal e as oficinas de elaboraçao de projetos, segundo Delson, estão entre as estratégias, metas e instrumentos para se efetivar uma política para a Região Norte.  O Representante encerra deixando registradas algumas ações para se conseguir perspectivas possíveis para o fortalecimento de uma política para a região: vale cultura, planos municipais de cultura e a instalação de uma representação da Funarte na região Norte.

Ester Moreira, diretora do Centro de Programas Integrados da Funarte, falou sobre a importância do Encontro Funarte de Políticas para as Artes para a instituição. Segundo ela, o Encontro é um avanço dentro da Funarte, pois proporciona uma proximidade com a diversidade de artistas, de territórios e de cultura, conversa com as diretrizes que a Funarte quer implementar e se constitui uma janela para que a Fundação ouça e reflita sobre as demandas de arte e cultura em nosso país através da experimentação dessa proximidade. A diretora reforçou que hoje a principal diretriz da Funarte é o diálogo e citou que a partir de uma conversa com os jovens resultou a demanda e o lançamento do edital hip hop, assim como a criação da ação ‘Coletivo Temos Palco’, um projeto que está crescendo e sua continuidade permitirá que jovens mostrem sua criatividade através da arte. Ester encerra acrescentando que o Encontro provê a Funarte de elementos e instrumentos para elaboração de suas políticas, dando como exemplo a realização do mapeamento de residências artísticas feito pelo Cepin/Funarte, fruto de questionamentos levantados na segunda edição do Encontro Funarte.

Fábio Sousa, presidente do IAP iniciou sua participação propondo a rediscussão da cultura de forma mais pragmática, colocando em ação uma política cultural mais clara e com isso ações mais objetivas. Seguindo essa linha de pensamento, levanta a questão da importância da circulação e da abertura de espaços para ocupação de artistas de forma que, dentre outras consequências, jovens possam ter acesso e conhecer uma obra e uma produção artística. Para efetivar o fomento de ações que garantam a participação dos jovens, o IAP procura parceria com o MinC para criação de um escritório de economia criativa no Instituto. Na segunda parte de sua fala, Fabio enumerou as ações do IAP, citando como sua principal ação as bolsas de criação, experimentação e pesquisa. Com isso, há uma preocupação constante com o aumento do número de bolsas e sua municipalização, abrangendo um público ainda maior e diversificado. Garantindo a circulação da produção artística das bolsas, o Instituto criou o projeto Circulação das Artes, que como o próprio nome já diz, proporciona a circulação dos trabalhos selecionados a bairros periféricos, levando aos artistas, após o termino da ação fomentada, retornarem à região para capacitar agentes e gerar uma sustentabilidade cultural. Para além das bolsas, Fabio falou sobre o Núcleo de Produção Digital do IAP que cataloga obras cinematográficas produzidas no estado Pará e hoje realiza a Mostra Pará, divulgando e proporcionando o acesso de seus 295 filmes a toda a população. Esse projeto tem parceria com a UFPA e o MinC. Finalizando, o presidente o Instituto citou o Prêmio IAP de Artes Literárias, cujas publicações fazem parte do acervo da Instituição e são divulgadas e doadas a bibliotecas e instituições públicas e privadas.

Maurício Adinolfi, artista plástico, iniciou sua apresentação ressaltando a importância da discussão de políticas para as artes visuais e destacou o Prêmio Interações Estéticas e as residências artísticas dentro desse contexto. Mencionou que os editais podem ser um instrumento de divulgação de trabalhos, contribuindo para a produção artística, porém é importante que s políticas não se limitem a isso. Adinolfi voltou à questão da residência artística e ressaltou que esse tipo de produção garante uma imersão na realidade local e com isso novas possibilidades de criação. As particularidades permitem a visão de novas políticas, de novas produções artísticas e culturais. Nesse contexto, apresentou o projeto BarcosR,
onde trabalhou com  barqueiros que ao final do processo retomaram uma posição antes não sentida no campo da política, maior participação social e reconhecimento pela sociedade com visitações turísticas . A partir de suas experiências, levantou a questão de que a realidade construída e imposta é mais fácil de ser controlada que o estimulo a valorização da cultura local. Mais uma vez exemplificou sua colocação com o projeto realizado com a comunidade ribeirinha, em que, antes do projeto, os barcos eram pintados com logos e anúncios de lojas locais que pagavam um valor mensal pra pintura ficar no barco. Ao fim desse período, os pescadores não tinham dinheiro pra trocar a pintura e a mesma permanecia, descaracterizando a identidade local. A pintura fortaleceu a associação de pescadores, eles começaram a se entender como produtores, criando, pintando, produzindo sua própria identidade.

Compartilhe!

Caro usuário, você pode utilizar as ferramentas abaixo para compartilhar o que gostou.

Comentários

0

Deixe seu comentário

* Os campos de nome, e-mail e mensagem são de preenchimento obrigatório.