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Funarte Notícias

Publicado em 13 de fevereiro de 2019

Funarte recebe produção binacional de dança brasileira e mexicana

'D-Talles Sólidos', em estreia nacional no Teatro Cacilda Becker nos dias 15 e 16, tem três peças que interagem, concebidas por coreógrafas dos dois países

Funarte recebe produção binacional de dança brasileira e mexicana Foto: divulgação

Dois grupos de dança, um brasileiro e um Mexicano, estreiam no Brasil, dias 15 e 16 de fevereiro, às 20h, no Teatro Cacilda Becker, da Fundação Nacional de Artes – Funarte, a produção binacional de dança contemporânea D-Talles Sólidos. O projeto conta ainda com a participação de um coreógrafo da Costa Rica. O espetáculo tem ingressos a preços populares e inclui, no Rio de Janeiro, uma roda de conversa, e uma oficina, ambas gratuitas.

Criada, produzida e dirigida por Priscila Patta (BRA) e Alicia Sanchez (MEX), a montagem reúne três solos, apresentados com simultaneidade e interação. D-Talles Sólidos, obra cujo nome batizou o projeto, foi concebido e é dirigido pelas duas coreógrafas – com contribuição autoral de Adrián Figueroa, da Costa Rica. Já Morra Mas Não Corra, tem autoria e interpretação de Priscila Patta, fundadora da Rede Sola de Dança. A peça A La distancia… A Todas las Mujeres que Vuelan tem direção de Alicia Sanchez e elenco do corpo de baile do núcleo de criação mexicano ASYC/Teatro de Movimiento Primero Sueño – gerido pela artista desde sua fundação. As três obras são independentes, mas interagem, articuladas pelas duas diretoras.

Como conjunto, o espetáculo D-Talles Sólidos tem como proposta desenvolver a reflexão sobre temas como “identidade”, “cidadania” e “gênero”, na perspectiva cultural de cada país. A pesquisa resulta da inquietação das criadoras em entrelaçar ideias coreográficas e buscar convergir poeticamente sobre possibilidades de caminhos e de futuros para a identidade do continente – “um devir latino-americano”. A montagem conta ainda com trilha sonora original do músico brasileiro Barulhista, além de tecnologias de multimídia, operadas em tempo real.

As coreografias

D-Talles Solidos

Segundo a escritora mexicana Guadalupe Nettel, o trabalho é “um desdobramento de identidades corporais latino-americanas, que se entrelaçam desarmando o conceito de “unipessoal”. A autora, detentora dos prêmios de Narrativa Antonin Artaud e Nacional de Literatura Gilberto Owen). relaciona a peça à questão existencial humana fundamental:Quem somos?” A pergunta sempre é pertinente, mas há épocas em que refletir sobre a identidade se torna imprescindível. […] Até que ponto o corpo, o nome, o sexo, a classe social, a genética e a ideologia nos constroem? […]”, provoca Nettel, ao comentar o trabalho. O costa-riquenho Adrián Figueroa contribuiu artisticamente para a obra.

Morra, Mas Não Corra
Na peça, a bailarina e criadora Priscila Patta reflete sobre a sua construção artística, a partir de fracassos que vem colecionando em sua carreira.“O universo da dança pode nos levar a uma interpretação demasiado heróica sobre o fazer artístico, em que a eficiência e a perfeição são qualidades perseguidas obsessivamente”, comenta a coreógrafa.

A La distancia… A Todas las Mujeres que Vuelan
A obra aborda o tema da imigração feminina, sob o ponto de vista dos habitantes de Tijuana (México) e de La Paz (Bolívia). O projeto desta peça foi contemplado pelo Fundo de Ajuda para as Artes Cênicas Ibero-americanas (Iberescena)*.

“Colaboração à distância”
D-Talles Sólidos não é nem proposta coletiva, nem improvisação de elenco. O conjunto de intérpretes é metade brasileiro e metade mexicano; eles não se viram, nem se falaram durante quase um ano. As diretoras desenvolveram o trabalho cada uma em seu país, por meio de colaboração à distância – “É uma forma de criação incomum e ousada em relação a produções cênicas”, avalia Priscila Patta.

Atividades gratuitas
Duas atividades com entrada franca integram o projeto no Rio de Janeiro. Será realizada uma roda de conversa sobre o o processo de criação do trabalho, aberta ao público em geral, na sexta-feira (15), às 17h30. No mesmo local, no domingo, haverá a oficina Gyrokinesis®, às 13h. A ministrante, a bailarina Priscila Patta, é formada na técnica, criada pelo húngaro Juliu Horvath. Criada para artistas de dança, circo e teatro, a oficina tem como alvo exercitar o alinhamento ósseo e muscular, a partir dos movimentos da coluna vertebral e de seus desdobramentos.

Uma reflexão binacional sobre a dança e sobre a América-Latina
As realizadoras se conheceram no encontro de artes cênicas Camp-iN 2017, em San Luis Potosi, México, onde trabalharam como convidadas. Em dezembro daquele ano, iniciaram a criação do projeto D-Talles Sólidos. O interesse das diretoras em realizar um trabalho conjunto surgiu das possibilidades do debate sobre os modos de se pensar a dança em seus respectivos países, da aproximação entre essas duas concepções; e da chance de refletir em conjunto sobre os conceitos abordados na peça – sob a perspectiva cultural de cada uma das duas nações. Alicia Sanchez esteve no Brasil em novembro de 2018, para uma semana de residência com a equipe brasileira.

A primeira vez que o elenco completo se encontrou foi uma semana antes da estreia mundial do espetáculo, em dezembro do ano passado, no Camp-iN 2018, também em S. Luis Potosi.

D’Talles Sólidos
Espetáculo de dança
Estreia brasileira

15 e 16 de fevereiro de 2019, quinta e sexta-feira, às 20h

Teatro Cacilda Becker
R. do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2265 9933
Espaço da Funarte

Ingressos: R$ 20. Meia-entrada R$10
Classificação indicativa: 16 anos

Atividades gratuitas

Roda de conversa – 15 de fevereiro, quinta-feira, às 17h30
Aberta ao público em geral

Oficina Gyrokinesis® – 17 de fevereiro, domingo, das 13h às 15h
Aberta a bailarinos, atores, artistas circenses

A oficina busca trabalhar o alinhamento ósseo e muscular a partir dos movimentos da coluna vertebral e seus desdobramentos. A ministrante, a bailarina, coreógrafa e produtora Priscila Patta, é formada na técnica, criada por Juliu Horvath.

Realização
Rede Sola de Dança (Brasil) e ASYC/El Teatro de Movimiento Primero Sueño A.C. (México)

Apoio institucional
Fundação Nacional de Artes – Funarte

Ministério da Cidadania
Governo Federal
Brasil

Para a Asyc/Teatro de Movimiento Primero Sueno
Fondo Nacional para la Cultura y lãs Artes – Programa México em Escena
Secretaria de Cultura
Gobierno de México (Governo do México)

Para o projeto A La distancia… A Todas las Mujeres que Vuelan
Fondo de Ayudas para las Artes Escênicas Iberoamericanas (Fundo de Ajuda para as Artes Cênicas Ibero-americanas) – Iberescena
*Entidade representada no Brasil pela Funarte, por meio de seu Centro de Artes Cênicas

Fichas técnicas

D-Talles Sólidos
Direção – Priscila Patta (Brasil) e Alicia Sanchez (México). Colaboração artística – Adrian Figueroa (Costa Rica)
Assistentes – Lucas Medeiros e Juan Carlos Flores. Criadores cênicos – Barbara Maia, Italo Augusto, Luís Villanueva e Natalia Torres. Trilha sonora – Barulhista. Desenho de luz – Gerado Otaviano. Operação de luz – Débora Oliveira

Morra Mas Não Corra
Argumento, direção e criação – Priscila Patta
Luz – Geraldo Otaviano

A La Distancia
Direção e coreografia: Alicia Sanchez
Colaboração dramatúrgica: Gabriela Saldia (Bolívia)
Coordenação Ceart Playas de Rosarito: Xótlil Contreras. Coordenação e produção na Bolívia: Gabriela Saldia
Integrantes:Luis Villanueva, Luís Angel Cerón, Natais Torres
Declaração: Comunidade “Ni una imigrante menos”
Desenho sonoro:Juan Carlos Flores

Mais informações no Brasil
Produção – Rede Sola de dança
(+55 31) 99393 2010 | redesoladedanca@gmail.com