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Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, no Rio, recebe audições do Cirque du Soleil

Alunos e ex-alunos da ENC foram aprovados pela equipe de casting da companhia

Publicado em 29 de março de 2018 Imprimir Aumentar fonte
Alunos da Escola Nacional de Circo na audição do Cirque du Soléil – Foto: CCOM Funarte
Alunos da Escola Nacional de Circo na audição do Cirque du Soléil – Foto: CCOM Funarte

A Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, da Fundação Nacional de Artes – Funarte, recebeu integrantes da equipe de criação e casting do Cirque du Soleil para audições com alunos e ex-alunos do Curso Técnico em Artes Circenses da ENC (realizado em parceria com o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ) e artistas circenses de diversas regiões do Brasil selecionados por meio de vídeos. A companhia busca profissionais em diversas modalidades: aéreo, chão, acrobacias solo, paradas de mão, malabares, trampolim, entre outras, além de futebol freestyle e slackline. Após a seleção, dois alunos e sete artistas formados pela ENC foram aprovados para o casting do Soleil.

Coach de acrobacias e headhunter (caçador de talentos) do Cirque du Soleil no Brasil, Rodolfo Rangel explicou como foram feitas as audições. “Já estamos aqui na Escola há três dias. Teve um primeiro dia de audição para a categoria do futebol freestyle. Ontem, foram as preliminares das modalidades de circo, trampolim e slackline; e hoje estamos trabalhando com a segunda etapa: sair da parte específica – o que os artistas realmente fazem – e passar para a parte teatral, de interpretação. O que realmente se precisa no Cirque du Soleil”, frisou.

Diretor da equipe do casting da companhia em Las Vegas (EUA), Julien Panel, que pratica ginástica artística de alto nível, também participou da seleção. Panel é de Orléans, na França, e atua como “caçador” de talentos acrobáticos. Ele falou da importância da Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha nesse processo de observação e avaliação da parte técnica dos artistas. “Essa não é a primeira vez que o Cirque du Soleil, departamento de casting, vem ao Rio de Janeiro e à Escola de Circo. É uma parceria com a Escola e com o Carlos (Vianna, diretor da instituição). E escolhemos aqui porque é um ótimo lugar, onde existem todas as facilidades e aparatos de circo. O local é perfeito pra fazer uma audição como essa”, ressaltou.

Panel explicou como foi feita a seleção. “No processo seletivo, tivemos 200 candidatos. Foi feita uma pré-seleção, onde foram chamados 40 artistas para cá. Esses 40 participaram de outra seleção, restando 25”. Ele também elogiou a capacitação dos candidatos e explicou como se dá a captação para o elenco da companhia. “Eles são altamente gabaritados e com uma grande qualidade técnica. Aqui é uma audição geral. Então, o Cirque pode oferecer aos artistas que passaram pelo teste shows que já estão acontecendo, que chamamos de operação; espetáculos que ainda estão sendo criados e talvez os que ainda vão ser planejados. Aqui ninguém tem garantia de trabalho ou contrato, mas eles já ficam no raio de visão da companhia, podendo ser chamados ou não”, concluiu Panel.

O diretor da ENC Luiz Olimecha, Carlos Vianna, reforçou a importância dessa parceria. “Mais uma vez, recebemos as audições do Cirque du Soleil. Já tinha um período de dez anos que o Soleil não fazia audições no Brasil. Desde a primeira vez que entraram em contato com a Escola, viram que poderíamos atendê-los em todas as atividades, tendo em vista o papel da instituição na cidade e como nossas instalações são privilegiadas. Nessa audição, estavam procurando artistas para três atividades: futebol freestyle, circo em modalidades variadas e slackline. Dos 40 artistas selecionados para as audições aqui na Escola, sairão os aprovados para fazer parte do casting do Cirque du Soleil”, ressaltou Vianna.

Realização é a palavra-chave para descrever este momento especial na vida dos alunos e ex-alunos do Curso Técnico da ENC, como explicou o chefe da Divisão Pedagógica da Escola Nacional de Circo, José Maurício Moreira. “Eu vejo essa audição como uma oportunidade não só para os alunos que de fato vão trabalhar no Cirque du Soleil, mas pra todos os alunos da Escola que puderam se inscrever. Ao promover essa ação, a Escola está estimulando o aluno a se encaixar dentro do mercado de trabalho, a organizar o seu número, a sua apresentação. Esse é ponto que eu tenho pra destacar: mesmo aqueles que não vão chegar à final e trabalhar no Cirque du Soleil vão se movimentar pra isso”, afirmou José Maurício.

Aluno da Escola há cerca de seis meses, Álify Santos, 23 anos, de Ribeirão (PE), foi um dos aprovados. “Eu não me inscrevi. A equipe do Soleil me viu fazendo aula e perguntou se eu gostaria de participar. Foi a realização de um sonho, nem acreditei no que estava acontecendo. Mostrei o que eu sabia e estou aqui hoje, muito feliz. Eu participava de um projeto social em São Bernardo do Campo (SP) onde eu tinha aulas de dança e jazz. No circo, minha modalidade são os aéreos. Aulas de teatro estou tendo agora, aqui na Escola. A maioria dos artistas procura um lugar de reconhecimento e o Soleil é um desses lugares. O primeiro passo já foi dado: passar no casting. Agora é continuar treinando para a cada dia conseguir mais coisas”, disse, esperançoso.

Aluna do Curso Técnico da ENC até 2019, Vanessa Callado, 26 anos, de Porto Velho (RO), também foi aprovada. Ela falou um pouco sobre suas técnicas e o que espera dessa oportunidade. “Eu sou aluna da Escola, faço aéreos, mas minha especialidade é a força capilar. Fiz três anos de teatro e participei de um espetáculo musical, do segmento gospel, chamado O Fantasma de Naamã, que ficou em cartaz por dois anos e meio. O Cirque du Soleil sempre foi meu objetivo, estou trabalhando para isso e, se me chamarem, vou ficar realizada”, enfatizou.

Formado pela ENC em 2017, Roberto Carlos Griespach, 31 anos, do Paraná (PR), também está entre os selecionados. Ex-aluno da Bolsa Funarte para Formação em Artes do Circo da ENC, ele contou sua experiência como ator de teatro e de circo e o aprendizado que obteve durante o curso. “Eu fiquei na Escola de Circo por um tempo maior, por volta de dois anos e meio e consegui ótimos resultados. Nesse tempo, a Escola me abriu este espaço e me graduei em quatro modalidades: quadrante coreano, canastilha, mão a mão e rodacyr – que é o meu single. Minha formação teatral foi proporcionada pelo Grupo Tholl, do qual sou diretor técnico. Essa companhia é Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente, faço parte do elenco do espetáculo Ayrton Senna, o musical, em cartaz na cidade de São Paulo”. Griespach também ressaltou a satisfação de ter sido um dos escolhidos pelo Soleil. “Minha esperança é trabalhar com os shows do Cirque du Soleil já que me encaixo em muitos perfis e modalidades. Na verdade, quero que eles vejam o meu trabalho a partir desse primeiro encontro e que a gente se reencontre em outros momentos”, frisou o artista.

Os alunos aprovados para fazer parte do casting do Cirque du Soleil foram: Álify Batista e Vanessa Callado; e os ex-alunos, Gabriel Costa, Gabriel Henrique, Marcella Collares, Roberto Freitas, Ciro Ítalo, Hélder Vilela e Olavo Rocha.

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