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Como foi o retorno do Projeto Pixinguinha aos palcos de todo o país em 2004

Ana de Hollanda, diretora do Centro de Música da Funarte (Cemus), entre 2003 e 2007. Crédito: Luciana Avellar

Ana de Hollanda, diretora do Centro de Música da Funarte (Cemus), entre 2003 e 2007. Crédito: Luciana Avellar

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Após sete anos parado, o Projeto Pixinguinha voltou à ativa, levando música dos mais variados sotaques para todas as regiões do Brasil, em 2004. Mesmo com o longo período de silêncio, a série de shows itinerante retornou em grande estilo, procurando preservar a essência da sua versão original, entre 1977 e 1997. A exemplo do modelo seguido na primeira etapa, a Funarte preocupou-se em manter o alto nível do elenco que botou o pé na estrada ─ a bordo das caravanas que circularam por quase todos as unidades federativas. Cantores e instrumentistas das mais variadas vertentes, que nem sempre encontram lugar nas rádios ou nas grandes gravadoras, tiveram espaço na programação ─ do samba de raiz do portelense Monarco, passando pela tecnomacumba da maranhense Rita Ribeiro, até o pop irreverente do paulista André Abujamra.

Outras atrações escaladas foram os compositores Francis Hime e Jards Macalé, a cantora Ná Ozzetti, o cantor Zé Renato e os conjuntos de choro Época de Ouro e Nó em Pingo d’Água. A esses nomes se juntaram grandes talentos regionais, até então pouco conhecidos fora de seus locais de origem ─ a exemplo de Dona Selma do Coco, guardiã de ritmos tradicionais de Pernambuco.

Aclamado por investir num modelo democrático e inovador de circulação de espetáculos, o Projeto Pixinguinha havia sido suspenso, pela segunda vez, em 1997 − justamente quando seriam celebrados os vinte anos de sua criação e o centenário de seu patrono. O hiato que durou quase uma década deixou órfãos não apenas os artistas, beneficiados pela oportunidade de dar mais visibilidade aos seus trabalhos, como também as plateias de cidades normalmente excluídas das rotas dos grandes shows. Em junho de 2004, o Ministério da Cultura pôs fim ao jejum quando anunciou oficialmente a reativação do projeto coordenado pela Funarte, com direito a discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. Um mês antes, o compositor Gilberto Gil, que ocupava na época o posto de Ministro da Cultura, adiantou a novidade durante um almoço no Palácio Gustavo Capanema, no Rio, em que recebeu integrantes de sua equipe para fazer um balanço da sua gestão.

A retomada da série de shows criada por Hermínio Bello de Carvalho, na década de 1970, foi um dos principais compromissos assumidos nas gestões de Antonio Grassi como presidente da Funarte, e de Ana de Hollanda, na época diretora do Centro de Música (Cemus) da instituição. “O primeiro passo foi arrumar a casa, pois na ocasião da posse do Grassi a Funarte estava completamente esvaziada das suas funções. A estrutura do Ministério da Cultura era confusa e ninguém sabia direito a quem competia o quê”, afirma Ana, que acumulou experiência em gestão cultural como secretária de cultura na cidade paulista de Osasco, nos anos 80. A fase seguinte foi buscar o suporte da Petrobras, empresa patrocinadora da etapa anterior do Pixinguinha, que comprou a ideia de imediato. Ouça depoimento de Ana de Hollanda sobre a retomada do Projeto Pixinguinha.

Para a proposta sair do papel, também foi necessário firmar parcerias e dividir as responsabilidades com as secretarias de cultura municipais e estaduais. Ao poder local coube bancar hospedagens e alimentação dos artistas, bem como acertar a reserva de espaços com infraestrutura de som e luz, onde os shows seriam realizados. Já a Funarte cuidou da divulgação, das passagens aéreas e do pagamento dos cachês dos músicos convidados e da equipe técnica − produção, roadies e operadores de som e de luz.

Outro desafio foi selecionar as atrações que fariam parte das caravanas, considerando a grande oferta de músicos talentosos em todo território nacional. A premissa era que os shows reuniriam artistas de estilos variados, em momentos distintos de carreira. A priori, ficou decidido que o elenco convocado para a edição de 1997, posteriormente dispensado por conta da paralisação do projeto, teria sua vaga garantida na retomada. Nesse time estavam os nomes de Billy Blanco, Ellen de Lima, Ná Ozzetti, Zé Renato, entre outros. As exceções seriam Ana de Hollanda, impossibilitada de participar pelo cargo na Funarte, e o violonista Canhoto da Paraíba (1926-2008), impedido de tocar e cumprir agenda de shows por problemas de saúde ─ mas que recebeu homenagem durante o lançamento do projeto, em Brasília. Outra parte do cast foi escolhida por meio de um edital nacional, que formalizou as inscrições de músicos conhecidos e novatos, de qualquer estilo e região do país. O trabalho desses candidatos foi avaliado por um time de críticos musicais do Rio, de São Paulo e de Minas Gerais, responsáveis por definir os que se apresentariam nas edições de 2004 e 2005.

Paralelamente, foi feita uma triagem de talentos pouco conhecidos nacionalmente, partindo das indicações das secretarias municipais e estaduais de cultura de 25 estados parceiros, mais o Distrito  Federal. A única exceção foi Rio Grande do Norte, que não participou da edição. Neste caso, o material passou pelo crivo de uma comissão formada por críticos da Bahia, de Pernambuco e do Rio Grande do Sul. “A seleção regional nos deu uma amostragem da nossa diversidade musical. Para divulgar esses trabalhos em nível nacional, mandávamos os artistas locais para caravanas que circulariam em praças onde seus nomes eram desconhecidos. Foi uma forma de apresentar o Brasil para o Brasil”, explica o cantor Pedro Paulo Malta, ex-coordenador de Música Popular do Centro de Música da Funarte. Ouça depoimento de Pedro Paulo Malta sobre a retomada do Projeto Pixinguinha.

Esse intercâmbio musical contribuiu também para a formação de novas plateias, dadas às dificuldades em difundir a obra dos artistas para cidades afastadas dos grandes centros. “Na prática, levamos a música caipira do Paraná para ser tocada em regiões do Centro Oeste. Nossa ideia era promover o artista fora da grande mídia, dar oportunidade para ele ampliar seu público, e também valorizar o artista profissional que estava no início da carreira”, resume Ana.

Os números dão a real dimensão do projeto no ano da retomada. O orçamento previsto era de R$ 3 milhões, divididos entre a Petrobras, o Fundo Nacional de Cultura e a Funarte. Dos mais de 1 500 artistas inscritos, foram selecionados 131 candidatos de todo o país ─ 87 por edital público e 44 por indicações de estados e municípios parceiros. Entre setembro e novembro daquele ano, todas as capitais e diversas cidades do interior receberam pelo menos uma das doze caravanas que cruzaram o país de ponta a ponta. Cerca de 57 mil pessoas puderam assistir às 91 apresentações realizadas no retorno do Projeto Pixinguinha aos palcos. “Os resultados foram realmente muito bons. O público recebeu espetáculos bem montados, com acabamento técnico de primeira linha e a preços populares”, avalia Ana. Esse foi só o (re)começo.

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