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A dinâmica de um projeto em constante efervescência

O Projeto Pixinguinha já começou grande. Em 1977, o ano de lançamento, as turnês passavam por quatro cidades – São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte – sem falar no Rio de Janeiro, onde todas estreavam. Em cada destino, os artistas ficavam uma semana e faziam cinco shows. Só neste primeiro ano, foram 273 espetáculos, assistidos por 207 mil espectadores. Uma contabilidade que continuaria a crescer ao longo dos anos, a medida que as caravanas chegavam ao Norte e Nordeste. Em 1978, a direção da Funarte  já comemorava mil apresentações. E, em 1987, quando completou sua primeira década, o Projeto contabilizava mais de 3,6 mil espetáculos, que haviam sido assistidos por mais de dois milhões de pessoas.

Poucas ações federais tiveram a mesma dimensão. “Chegamos a ter 42 caravanas em um ano, espalhadas por todo o país”, conta Luis Sérgio Bilheri Nogueira, coordenador do Projeto até 1990. Cada uma levava um elenco de 12 pessoas. “Multiplicando tudo isso, dá para se ter uma noção de quanto o projeto foi importante para a classe artística, oferecendo oportunidades”, completa Bilheri. O coordenador ainda tem saudades daquela época de muito trabalho: “Sem dúvida, foi o trabalho que eu mais gostei de fazer na minha vida. Foi o que mais me emocionou”.

Os ingressos a preços baixos não justificavam improvisos. Hermínio Bello de Carvalho, idealizador do Pixinguinha, lembra do esforço da equipe em assegurar a qualidade dos shows: “Fazíamos questão de que os espetáculos tivessem um alto nível de profissionalismo: som de primeira, luz operada por técnicos qualificados, espetáculos roteirizados, com diretores e assistentes de direção – além de um gerente de produção que acompanhava o elenco durante toda a excursão”, sublinha. Também eram impressos programas com a biografia dos artistas e o repertório. Não por acaso, o slogan do projeto traduzia este cuidado com a plateia: “Um projeto carinhoso”.

O início das turnês no Rio de Janeiro, com apresentações no Centro e depois em Niterói e em Madureira, permitia que a equipe da Funarte verificasse o funcionamento dos espetáculos. “Na verdade, essa sequência de shows no Rio era um verdadeiro ensaio geral”, diz Bilheri. Sua brancaleônica equipe era formada por apenas sete pessoas, que geriam todas as turnês. Além destes oito profissionais, para cada show era contratado um diretor artístico e um assistente, o qual viajava com o elenco. Em cada cidade, o Pixinguinha contava ainda com um administrador regional, muitas vezes treinado pelo próprio projeto.

O trabalho de pré-produção – verificação de hotéis disponíveis, agendas dos teatros e entendimentos com autoridades locais e com os artistas novos – começava meses antes do primeiro show. Nos primeiros tempos, Hermínio encarregou artistas amigos como Beth Carvalho de trazer informações para avaliar a estrutura disponível. “Em 1977, primeiro ano do projeto, além de cantar, viajei com o papel de fiscalizar os hotéis onde ficariam os artistas. E tive que mudar de hotel várias vezes por causa da precariedade de alguns estabelecimentos”, conta Beth Carvalho.

A equipe tinha o cuidado de fazer o que Bilheri chama de “inversão de regiões”: “Procurávamos colocar a música do Nordeste no Sul, a do Sudeste no Norte, por exemplo, para apresentar novidades às plateias”.

Escolher estas novidades era tarefa de um júri de peso. Muitos artistas eram convidados pelo próprio Projeto; outros eram selecionados através da audição de fitas e material impresso para a Funarte. Jornalistas como Sérgio Cabral, Maria Helena Dutra, Tárik de Souza, Diana Aragão e Mauro Dias trabalharam no júri, assim como o compositor Edmundo Souto. Edmundo conta que o mais difícil não era selecionar os artistas. “O pior era montar o elenco, estabelecer com quem os artistas dividiriam o palco. Normalmente, escolhíamos intérpretes que tivessem afinidade musical. Mas, às vezes, colocávamos gêneros diferentes num mesmo show”, recorda.

Inicialmente, os shows eram compostos por duplas. A partir de 1978, as atrações passaram a ser três. Paulo César Soares, que assumiu a função de administrador de elencos, lembra dessa etapa. “Havia uma comissão que se reunia com uma lista gigantesca de nomes. A proposta era equilibrar o peso dos artistas, ou seja, unir um cantor já consagrado a outro menos conhecido, ou um que estava na mídia com outro que não estava”, explica Paulo. Outra característica do projeto já presente na época é a valorização da música instrumental. Naqueles primeiros anos, nomes como Robertinho Silva e Moacyr Silva já eram convidados como artistas solistas.

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