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Biografia de Béatrice Tanaka

Dos figurinos e cenários à literatura

Figurinos dos personagens Hermia, Lysander e Ejeus de Sonho de Uma Noite de Verão. 3 desenhos em monotipia e guache sobre papel (32,5x50 cm). Desenho assinado. Suporte comum aos três desenhos. Cedoc-Funarte

Figurinos dos personagens Hermia, Lysander e Ejeus de Sonho de Uma Noite de Verão. 3 desenhos em monotipia e guache sobre papel (32,5x50 cm). Desenho assinado. Suporte comum aos três desenhos. Cedoc-Funarte

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    • Béatrice Tanaka Entrevista

Béatrice Lauder nasceu em 1932, na cidade de Cernauti, na Romênia (hoje Chernivtsi, Ucrânia). Por causa da ocupação alemã de 1944, retirou-se com sua família para a Palestina para depois emigrar, em 1947, para o Brasil. Cursou línguas modernas e pedagogia, em Belo Horizonte, na Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, e desenho, na Escolinha de Guignard (1947-1950). Em Paris, estudou teatro, na Sorbonne (1951-1954) e na Université du Théâtre des Nations (1961-1962); cenografia, no Atelier D’Essai des Décorateurs Maquettistes de Théâtre, e desenho e artes gráficas, na École Paul Colin. Em 1955, casou-se com o pintor brasileiro de origem japonesa Flavio-Shiró Tanaka, passando a adotar o sobrenome do marido para assinar seus trabalhos.

No Brasil, principalmente na década de 60, criou figurinos e cenários para a Escola de Teatro da Universidade da Bahia (ETUB), para o Teatro Nacional de Comédia e para a Cia. Nydia Licia-Sérgio Cardoso, embora muitas montagens não tenham se realizado. Uma dessas peças foi O Tartufo, de Molière, que seria dirigida por Sérgio Cardoso e representada pela Cia. Nydia Licia-Sérgio Cardoso, no Teatro Bela Vista, entre 1959 e 1960. Segundo Béatrice, a peça não se realizou por causa da separação de Sérgio e Nydia. Para não cair na “reconstituição histórica”, o cenário seria construído com tubos metálicos e alguns acessórios simbólicos, como uma virgem barroca. Esta solução técnica também facilitaria o transporte para a representação em outras cidades. Os figurinos dos personagens do prólogo seriam confeccionados com tecidos brilhantes pintados e tingidos à mão por Olly Reinheimer, enquanto os outros personagens usariam figurinos feitos com tecidos lisos e foscos.

Por Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, montagem também não concretizada, recebeu o Prêmio dos Melhores Figurinos de Comédia, em 1959, na Exposição do Cinquentenário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Prevista para o ano de 1960, a peça O Baile dos Ladrões, de Jean Anouilh, seria representada pelo grupo A Barca, companhia teatral da ETUB, sob a direção de Martim Gonçalves. O espetáculo, entretanto, não foi finalizado. Os figurinos, a cargo de Béatrice, seriam confeccionados em malha para facilitar a colocação e a retirada de acessórios. O cenário, também de autoria da artista, era um pano de fundo e uma leve estrutura de madeira desmontável, completada por cortinas e móveis. Ainda no mesmo ano, realizou os figurinos e os cenários de Sire Halewyn, de Michel de Ghelderode, direção de Martim Gonçalves, outra peça não finalizada pela Escola de Teatro da Universidade da Bahia.

Considerada uma das melhores montagens de Bertold Brecht na América Latina, A Ópera dos Três Tostões – encenada sob a direção de Martim Gonçalves, com a participação do grupo A Barca e apresentada no Teatro Castro Alves, Salvador (BA), em 1960 – contou com os cenários de Lina Bo Bardi. Depois do grande incêndio ocorrido às vésperas da inauguração oficial do teatro (julho de 1958), somente o exterior e o foyer – transformado em Museu de Arte Moderna – haviam sido reconstruídos. Martim e Lina aproveitaram, então, o espaço meio em ruínas e colocaram o público junto ao cenário, no palco queimado. Béatrice, que havia inventado os figurinos a partir de panos e roupas velhas, comprados por Martim durante uma viagem à Londres, foi premiada como o Melhor Figurinista Brasileiro, na Bienal de São Paulo de 1961.

Leonce e Lena, de Georg Büchner, direção de Luiz Carlos Maciel, foi outra montagem apresentada em 1963 na ETUB, pelo grupo A Barca, em Salvador. Béatrice fez um cenário único e os figurinos e as perucas foram todos confeccionados com materiais produzidos na região: esteiras de palha, redes de pesca, balaios, papel-jornal, buchas, cânhamo, algodão etc. O espetáculo recebeu premiações por cenário e figurino.

Sua produção teatral como figurinista na cidade de Paris inclui alguns destaques, como Thyeste, de Sêneca, cenário de Flavio-Shiró, Théâtre La Resserre, 1980; Les Temoins, de Rosewicz, no Théâtre du Lys, em 1985; Rêver Peut-être, de Shakespeare, Laforgue e outros, montagem sobre o tema de Hamlet, no Festival d’Avignon e no Théâtre du Lys, também em 1985.

Teatro Infantil

De acordo com Béatrice Tanaka, a França do início dos anos 60 tinha pouca tradição no teatro infantil; ela então convenceu alguns colegas franceses a se aventurarem na montagem de duas peças de Maria Clara Machado, traduzidas por Michel Simon-Brésil: Pluft, o Fantasminha (Plouft, le Petit Fantôme), com cenário e figurinos de sua autoria, e O Cavalinho Azul (Le Petit Cheval Bleu), com acessórios e figurinos também de sua autoria. A primeira foi encenada em 1964, no Théâtre Charles Rochefort, em Paris, sob a direção de Ahouva Lion que, para descontentamento da autora, mudou o fim da história. A segunda peça, sob a direção de Manuel Montoro, participou do Festival de Nanterre, em 1965 e realizou pequena turnê. Béatrice escreveu peças de teatro para jovens e crianças, entre as quais se destaca Équipée Bizarre au Cirque Basile – Prêmio Leon Chancerel para melhor texto em 1968 – que estreou em 1969 no Théâtre Mouffetard, com direção de Rafael Gozalbo e figurinos e acessórios da autora.

Além de participar de inúmeras exposições individuais e coletivas de cenografia no Brasil e no exterior, Béatrice também se dedicou à literatura. Entre 1968 e 1970, escreveu seu primeiro livro: Le Trésor de L’homme: Contes et Images du Viet Nam, editado em 1971, no qual fala sobre a cultura vietnamita ameaçada pelos bombardeios da guerra. Revelou-se como autora e ilustradora ao publicar mais de 40 livros, a maioria para crianças, escritos em francês, português e inglês, com traduções em diversos países. Ganhou inúmeros prêmios literários, entre os quais se destacam: 50 Beaux-Livres de l’Année, Diplômes Loisirs Jeunes e Best of the Best. Participou de exposições de ilustração nas Bienais de Bratislava e Leipzig e das Feiras de Livro de Bolonha, Frankfurt, entre outras.

Dividindo-se entre Paris e Rio de Janeiro, cidades nas quais possui residência, continua a escrever livros para crianças e adolescentes em publicações especializadas na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Cria cartazes para bibliotecas e espetáculos, assim como cartões para organismos internacionais, como UNICEF e Artisans du Monde.

Saiba mais sobre Béatrice Tanaka:

Ghandhi: Palavras Essenciais. Texto de Mohandas Karamchand Ghandhi; textos selecionados e ilustrados por Béatrice Tanaka. Tradução de Maura Sardinha. Rio de Janeiro: Agir, 1998.

TANAKA, Béatrice. Bóia, Boi e Bang. Ilustrações de Béatrice Tanaka. 2.ed. Rio de Janeiro: Edições Antares, 1985.

TANAKA, Béatrice. O Tonel Encantado. Ilustrações de Béatrice Tanaka. Rio de Janeiro: Edições Antares, 1985.

Flavio-Shiró . Texto de Wilson Coutinho. Versão para o inglês de Béatrice Tanaka. Rio de Janeiro: Salamandra, 1990.

TANAKA,Béatrice. Dossiê Personalidades. Teatro. Cedoc-Funarte.

Le Portail Européen Sur la Littérature Jeunesse – Disponível em www.ricochet-jeunes.org


Sobre o Autor, Christine Junqueira

Pesquisadora teatral e Doutora em Teatro pela UNIRIO. Texto de 2006.

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