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A  Fundação  Nacional  de  Artes  tem,  entre  as  suas  principais  atribuições,  a  consolidação  de políticas públicas que tenham um nível de continuidade e de excelência notáveis. É o caso das Bienais de Música Brasileira Contemporânea. Iniciadas em 1975, as Bienais têm sido um dos exemplos  mais  bem-sucedidos  de  políticas  para  as  artes  no  Brasil.  E  o  fato  da  Funarte  ser  a responsável pelo projeto só vem comprovar a sua importância – da Funarte e da Bienal – para a cultura e as artes no país.

Sempre atenta às novas formas de organização, expressão e criação de formas sonoras, a Bienal tem contribuído para a formação de público e a atuação de artistas que primam pela inventividade e pela depuração formal, assumindo os riscos da experimentação estética. Este ano, a Bienal vai para a sua XXI edição! Muito disso se deve à atuação vigorosa, cuidadosa e vigilante de Flávio Silva, o coordenador de música erudita do Centro da Música da Funarte, e de Maria José Queiroz, sua parceira incansável na coordenação da música erudita do nosso centro da Música.

A XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea vai apresentar 66 obras selecionadas por Edital e por um colegiado especializado, todas inéditas, com o intuito de apresentar a produção da música “erudita” contemporânea, com a presença de orquestras, coros, intérpretes solos e conjuntos variados de música eletroacústica.  A abertura da Bienal ficará sob a responsabilidade da Orquestra Juvenil da Bahia (Neoijibá), reforçando nosso papel de instância de consagração cultural para jovens artistas.

Além dessas apresentações, a Bienal terá uma série de atividades especiais lembrando os 70 anos da morte de Mário de Andrade e os 100 anos de nascimento de Hans-Joachim Koellreutter. Nestas  atividades  especiais  teremos  o  relançamento  do  álbum  “Mário  300-350”,  originalmente lançado em 1983, pela Funarte, com show ao vivo do Coletivo Chama; o relançamento da revista de vanguarda Música Viva, dos anos 1940, que teve nomes como o próprio Koellreutter, além de Claudio Santoro, Luiz Heitor, Guerra Peixe, entre outros; o seminário “Música e política”, com participação dos professores Jorge Coli, Flavia Tony e Carlos Kater.

Como se não bastasse, Mário e Koellreuter se encontram ainda na exibição de Café – uma “tragédia secular”, na denominação de Mário de Andrade −, com a criação musical de Koellreuter e a encenação de Fernando Peixoto. Formalismo estético, espírito de invenção permanente, contemporaneidade, a complexidade da relação entre estética e política ecoando na fala desesperada de uma das vozes coletivas: “Não agüento a fome/ não há mais perdão/ Deus dorme nos ares/ os chefes na cama/ Acordo no chão/ eu quero meu pão!”; mas também no lema – que não deixa de ser também um dilema − do próprio Koellreuter: “A arte é uma contribuição para o alargamento da consciência do novo ou do desconhecido e para a modificação do homem e da sociedade”.

Estética e política se enovelam e sugerem formas que podem ser o esboço para a constituição de novas maneiras de realização da vida em comum, da vida social, com a criação de redes de apoio mútuo  e  solidariedade  para  democratizar  radicalmente  o  acesso  a  bens  materiais  que  permitam a todos uma vida farta, forte e feliz, sem as intoleráveis e inaceitáveis distinções de classes; mas também podem ser o esboço para a criação de novos mundos habitáveis pela arte, uma outra instância do Ser, que é também uma necessidade demasiado humana. Uma vida não só melhor, mas especialmente maior para todos.

Marcos Lacerda
Diretor do Centro da Música da Funarte

Francisco Bosco
Presidente da Funarte

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