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As Bienais

As Bienais já fazem parte da agenda cultural do país e tornaram-se um importante evento brasileiro nessa área, pois reúne os mais variados gêneros, técnicas, estilos e concepções de música erudita no Brasil. Elas surgiram dos I e II Festivais de Música da Guanabara, em 1969 e 1970, respectivamente, organizados pelo compositor Edino Krieger. Ele teve o apoio de Myrian Dauelsberg, então diretora da Sala Cecília Meireles, para realizar a primeira Bienal, ocorrida de 8 a 12 de outubro de 1975. As três primeiras Bienais foram organizadas pela Sala Cecília Meireles e a partir da quarta edição, elas foram encampadas pela Funarte, quando E.Krieger dirigia a área musical dessa Fundação.

A Bienal ocorre a cada dois anos no Rio de Janeiro e é precedida de convite a compositores brasileiros no país e no exterior, e a estrangeiros aqui residentes, para que proponham a apresentação de suas obras de criação recente. As propostas eram avaliadas por comissões de seleção constituídas por músicos de renome escolhidos pela Funarte.


XIX Bienal

10 a 19 de outubro de 2011

O grande homenageado desta edição foi o compositor Almeida Prado, uma dos maiores valores surgidos nos I Festivais de Música da Guanabara, falecido em novembro de 2010. O concerto da noite de encerramento apresentou, em estreia mundial, a última obra do autor: Paná-Paná III, encomendada pela Funarte e também a Missa de São Nicolau, em estreia no Rio de Janeiro. O coordenador de Música Erudita, Flávio Silva, observa que essa Bienal deu um passo importante há história das Bienais: “Pela primeira vez todas as obras apresentadas foram pagas, com exceção de algumas homenageando compositores havia pouco falecidos. Os recursos sempre foram reduzidos, mas adotou-se, a partir de 2010, a tática de encomendar e de realizar concurso de composição nos anos pares, para as obras que seriam apresentadas no ano ímpar seguinte. Com isso, o orçamento de cada Bienal foi praticamente duplicado”.


XVIII Bienal

23 de outubro a 01 de novembro de 2009

O musicista Tom Moore, dos EUA, esteve no evento e divulgou comentário detalhado sobre todas as obras em site do Estado da Carolina do Norte. O comentário ficou disponível no Centro de Documentação da Funarte. Para essa edição foram 110 compositores, com muitas obras inéditas, para cuja execução foram mobilizadas quatro orquestras, sete regentes, 33 cantores e 271 instrumentistas.

O destaque do fim de semana foi a estreia mundial do Pequeno concerto para violino e cordas de Edino Krieger, com Daniel Guedes como solista, no encerramento dessa Bienal. Flávio Silva observou que Edino é um dos nomes mais respeitados da música de concerto no Brasil, “atuamente” e que “a Bienal é uma mostra sem caráter e eu acho isso ótimo. Há festivais que excluem obras musicais que não se pretendam esteticamente avançadas. Mas, daqui a cem anos, ninguém sabe o que se estará ouvindo. Pode ser que seja algo desdobrado de uma vertente que hoje não é tida como avançada”.


XVII Bienal

21 a 30 de outubro de 2007

Ficou evidenciado que o espírito de provocação é uma das características da Bienal, ao longo de sua realização. Aloysio Fagerlande  disse que “a música de concerto não pode ficar desvinculada da realidade. Acho que tudo que provoca debate é válido. Villa-Lobos usou o choro, um gênero popular, em sua música na década de 1920, o que fez muita gente torcer o nariz”.

Eduardo Fradkin escreveu que “o Quinteto Villa-Lobos vai tocar, no dia 28, uma bobagem, na Sala Cecília Meireles. Ou uma obra musical instigante, que porá em questão os limites da arte. Os músicos estão prontos para a divisão de opiniões do público quando interpretarem “O contrariador, do baiano Paulo Oliveira Rios, que levará para a música clássica o ritmo do funk carioca”.

Flávio Silva, coordenador da Bienal, disse que a polêmica “é bem-vinda, mas o evento não se restringe a isso. Gerar discussão é uma pretensão, mas o principal objetivo da Bienal é mostrar um painel da música de concerto no Brasil, com suas várias correntes”.


XVI Bienal

4 a 13 de novembro de 2005

Nesse ano, a Bienal comemorou 30 anos e correu risco de não acontecer, por conta do atraso da verba, pelo Ministério da Cultura. Nos depoimentos colhidos  pela articulista  Suzana Velasco sobre a questão, o compositor Ronaldo Miranda disse que “no Brasil parece que temos que estar repetindo que certas coisas são importantes, as pessoas precisam berrar para serem ouvidas”. A cravista Rosana Lanzelotte disse que “falta uma atenção especial das políticas públicas para a Música Clássica no Brasil”. O compositor João Guilherme Ripper, diretor da Sala Cecília Meireles na ocasião, disse que “só vai agendar novos concertos se receber uma posição oficial da Funarte cancelando a Bienal. É um espaço esperado tanto para quem busca uma oportunidade de se inserir na área quanto para quem já é consagrado”.

Edino Krieger observou que os compositores jovens são a grande maioria, “isso é saudável, pois estimula o surgimento de novos talentos. Tenho assistido à maioria dos concertos e estou surpreso com o domínio técnico desses jovens. No campo estilístico, predomina a linguagem livre, a música experimental. Muitos jovens ligados à música popular vêm aos concertos para ouvir a nova produção musical brasileira“. O concerto de abertura, os de música eletroacústica e os de câmara estavam lotados.


XV Bienal

9 a 16 de  novembro de 2003

O compositor Edino Krieger foi o grande homenageado dessa edição e ela limitou-se à música de câmara e instrumental. No depoimento de Ernani Aguiar ele observou que “a bienal deste ano mostrará uma gama de estética muito vasta. Temos obras atonais, músicas de influência brasileira, várias tendências. Só o vanguardismo muito radical não apareceu: 90% das peças têm escrita tradicional, mesmo em estéticas diversas”.

Alexandre Eisenberg enfatizou que “nenhum outro evento no país reúne tamanha diversidade de compositores e intérpretes. Sua importância é especial se levarmos em conta o isolamento dos músicos de diversas partes do país e a falta de apoio à música de concerto”.

Dentre os as novidades da edição destacou-se um curso de leitura musical em braile, realizado no Conservatório Brasileiro de Música e a mostra de filmes e vídeos sobre música brasileira, no Auditório Gilberto Freire, do Palácio Gustavo Capanema.

 

XIV Bienal
22 a 31 de outubro de 2001

A XIV Bienal foi disputada por mais de 160 compositores. Entre montagem de ópera, concertos e CDs, ela revelou a nova produção brasileira.  O musicólogo Flávio Silva, coordenador da Bienal, disse que “o evento serve como confirmação do nome de grandes compositores e projeção de outros menos conhecidos, mas com imenso talento, como Alexandre Schubert, José Orlando Alves e Andersen Viana”.

Integrado à Bienal, foi lançado o Concurso Nacional Funarte de Composição, “aberto a brasileiros natos ou naturalizados, com até 45 anos (completados até 31/12/2002) e que tenham participado de, no máximo, duas edições anteriores da Bienal” – publicado no jornal Imagem da Ilha, de Florianópolis, coluna novidades.

Vital escreveu no artigo  Uma proposta estética sem exibicionismo, que “esta é, felizmente, a marca deixada no nosso panorama artístico, pelas sucessivas bienais de música brasileira contemporânea – que se têm beneficiado, inclusive, de sua extraordinária regularidade, o que é um estímulo aos criadores, sobretudo aos mais jovens. Passando por estilos que vão do extremo nacionalismo folclórico até a multimídia mais experimental, sentimos e compreendemos que não estamos diante de um mero festival de exibicionismo, de cacoetes estéticos, e sim, de um fenômeno vital para a cultura brasileira, que merece todo tipo de apoio”.

Flávio Silva observou, ainda, que ser contemporâneo quer dizer abrir mão da imposição de uma só estética: “Se na bienal passada a ideia era fazer uma retrospectiva, agora a aposta é descobrir o que tem de novo”.


XIII Bienal
20 a 29 de outubro de 1999

Nessa Bienal, buscou-se resgatar a trajetória do nacionalismo musical brasileiro através dos tempos. No artigo de Clóvis Marques, intitulado A reserva moral da MCB, publicado no Caderno B, Jornal do Brasil, dia 26 de outubro de 1999, ele disse que “a Bienal bem que poderia, sem prejuízo da sua vocação de revelar a criação novíssima, incorporar definitivamente ao seu formato esse olhar para trás”.

Já o compositor Ronaldo Miranda, no depoimento de 13 de outubro de 2001, sobre a programação da XIII, disse desconhecer os critérios que levaram a coordenação da Bienal, a incluir na programação suas obras Suite Festiva (orquestra), Suite nº 3 (piano) e  Suite Nordestina  (coro): “As três não têm absolutamente nada em comum, não têm nada a ver com o espírito da Bienal e não foram apresentadas (logicamente), em nenhuma das Bienais anteriores.  A Bienal de 1999 pretendia ser uma retrospectiva das anteriores. Por que será, então, que escolheram três obras minhas, que não participaram de qualquer Bienal?”.


XII Bienal
25 de outubro a 4 de novembro de 1997

Cláudio Cordovil escreveu no artigo Teatro Municipal lota na abertura da Bienal,  do Jornal do Brasil, de 27 de outubro, que houve superação das querelas musicais entre vanguardistas e nacionalistas. Ele observou o “clima de absoluta alegria presente no concerto de abertura”, que contou com um repertório nacionalista, com a execução da  Suíte Brasileira, 4 Fantasia brasileira para piano e orquestra  e  Sinfonia Tropical,  de Francisco Mignone – em homenagem ao seu centenário – tendo como solista Maria Josephine Mignone e  Seresta para piano e orquestra, de Camargo Guarnieri, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob regência de Mário Tavares.

O mesmo articulista escreveu no artigo Arte do ruído desafia ortodoxia musical, do Jornal do Brasil, do dia 3 de novembro, que “a nossa escuta ainda é débil e amestrada”. Ele assistiu a uma infinidade de inusitadas e instigantes paisagens sonoras apresentadas à plateia do concerto de música eletroacústica. Escreveu que “trata-se de uma experiência para destravar portas da percepção outrora emperradas e é o sonoro a desafiar e esgarçar as fronteiras do musical”. Para ele, a música eletroacústica atinge a alma em recantos banidos pela tradição musical, que acomodou ouvidos por dois séculos, que vão de Bach a Verdi. Ele destacou o trabalho de difusão de Rodolfo Caesar, que “está para a mesa de som, assim como Glenn Gould está para o piano”.

 

XI Bienal
23 a 30 de novembro de 1995

A XI Bienal foi aberta com o pré-lançamento do curta-metragem  Camargo Guarnieri encantamento, de José Sette e a exibição do curta  Alberto Nepomuceno, de Humberto Mauro. O III Prêmio Nacional de Música foi entregue pelo Ministro Francisco Weffort ao compositor Almeida Prado, ao maestro Mário Tavares, professor Hans-Joachim Koellreutter, à pianista Eudóxia de Barros e à musicóloga Cleofe Person de Mattos.

Essa Bienal comemorou os 20 anos de realização, com um ciclo de palestras Encontros/Desencontros, na Sala Sidney Miller, da Funarte, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em música da Uni-Rio e pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Funarte, congregando pesquisadores do Rio, Minas, São Paulo, Bahia, Goiás e Brasília. O Teatro Carlos Gomes inseriu-se, pela primeira vez, nos espaços da Bienal.

O maestro Edino Krieger disse no Caderno B, do Jornal do Brasil, de 23 de novembro de 1995, que há composições apresentadas em outras bienais, que hoje fazem parte do repertório, no Brasil e no exterior: “As Sinfonias 10 e 14, de Cláudio Santoro, foram apresentadas nas bienais e conquistaram o mundo. O mesmo aconteceu com a célebre Carta Celeste, peça para piano do compositor paulista Almeida Prado, que já foi gravada 3 ou 4 vezes, ou ainda, A Procissão das Carpideiras,  de Lindemberg Cardoso, que já mereceu execuções no exterior”.


X Bienal

15 a 23 de outubro de 1993

Nessa Bienal que congregou 86 compositores, houve quatro homenagens: o centenário de Mário de Andrade, com a apresentação de Danças, composição de Ernani Aguiar sobre textos do poeta; 80 anos do compositor Ascendino Nogueira; a Camargo Guarnieri e Breno Blauth – ambos mortos no mesmo ano.

No Jornal do Brasil do dia 6 de outubro de 1993, o maestro Edino Krieger disse que  “a X Bienal continua seguindo a mesma diretriz das anteriores, que é a de mostrar um vasto painel sonoro das correntes estéticas que atuam no Brasil, com representantes das mais avançadas tendências da música contemporânea, das músicas cênicas e eletroacústicas, à corrente tradicional nacionalista”.

A Bienal inaugurou novos espaços: o Automóvel Club do Brasil, o Espaço Cultural Sérgio Porto e o Auditório do Palácio Gustavo Capanema. No jornal O Globo de 9 de outubro, Edino Krieger apontou, ainda, a integração entre os compositores e os grupos que se formaram para executar a música contemporânea, o que não havia antes. Ele destacou o Grupo de Percussão da Unesp e o Grupo Novo Horizonte.


IX Bienal

18 a 27 de outubro de 1991

O Concerto inaugural, que seria no dia 18, foi transferido para o dia 29 de outubro, devido à greve dos funcionários dos teatros estaduais. Na publicação Rio Artes, nº 19, de 1995, o compositor e maestro Edino Krieger enfatizou que “indícios de crise se registraram na programação da IX Bienal – já na gestão Collor de Mello – quando foi extinta a Funarte e criado o Ibac com recursos indigentes, tendo como resultado uma realização apenas parcial. Várias programações foram canceladas por falta de recursos, assim como os  concertos das três orquestras envolvidas: OSTM, OSB e Sinfônica de Brasília, em virtude da greve dos funcionários da Funarj”. Tal fato colaborou para que fosse ampliado o número de conjuntos visitantes de outros estados. A Bienal incorporou, ainda, um novo espaço, o Salão Leopoldo Miguez,  da Escola de Música da UFRJ.


VIII Bienal

22 a 30 de novembro de 1989

Cláudio Uchôa escreveu no Caderno Tribuna, do jornal Tribuna da Imprensa, do dia 20 de novembro de 1989,  em Agenda da Semana Música – referindose ao concerto do dia 23, no Theatro Municipal, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Ricardo Prado – que a grande atração do programa foi a primeira audição, no país, das  Variações Sinfônicas sobre o tema brasileiro, de Lorenzo Fernandez. Essa observação foi reforçada por Carlos Dantas, no mesmo jornal, do dia 21 de novembro: “A primeira audição mundial dessas  Variações teve lugar em 1952, em Lisboa, a cargo da Orquestra Nacional do Teatro São Carlos, dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco e como solista, a pianista Helena Lorenzo Fernandez. A obra assinalou forte interesse, por ter sido o último trabalho de Lorenzo Fernandez, concluído 15 dias antes de seu desaparecimento (26/08/1948). A receptividade de público e crítica foi altamente elogiosa, à obra e à pianista solista”.

Outro destaque da VIII Bienal foi a execução da  Sinfonia nº 14, de Cláudio Santoro, composta em 1989, pouco tempo antes de sua morte, ocorrida no Brasil, descrita no comentário de Luiz Paulo Horta, no jornal do Brasil, do dia 25 de novembro de 1989:  “Estreou quinta-feira, na Bienal de Música Brasileira Contemporânea, com um ar de coisa definitiva, de digno fecho de uma produção enorme. A emoção era visível na plateia, não só porque esta sinfonia concisa vai logo dizendo ao que veio, e envolvendo corações e mente, mas porque, naquele dia, Santoro estaria completando 70 anos e diante de uma obra tão forte e tão vibrante, doía a certeza de que ela era a última, de que não haveria novos Santoros a dar à música brasileira uma sensação de liberdade, de ímpeto quase villalobiano – um Villa-Lobos que tivesse passado por todas as angústias, reflexões e conquista das linguagens mais modernas”.


VII Bienal

5 a 14 de novembro de 1987

Essa Bienal contou com a participação de 79 compositores e teve o compositor Ronaldo Miranda como coordenador geral do evento, além da estreia de jovens compositores, como Rodrigo Cicchelli, Augusto Valente e  o conjunto vocal Garganta Profunda.  A matéria publicada no Caderno Tribuna, do jornal Tribuna da Imprensa, de 4 de novembro de 1987, abordou que para atuar ao lado dos inúmeros solistas vocais e instrumentistas, vieram conjuntos representativos da musicalidade nacional dos mais diversos pontos do país. Dentre eles, o Trio Brasileiro de São Paulo, o Conjunto de Percussão da Universidade Federal da Bahia, o Conjunto Instrumental da Escola de Música do Espírito Santo e o Quinteto Brasil da Universidade Federal da Paraíba. O Rio foi representado pelo Quinteto Arte Instrumental, conjunto vocal Garganta Profunda, Orquestra Sinfônica Brasileira, Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro e pela Orquestra de Cordas Brasil Consort.


VI Bienal

8 a 17 de novembro de 1985

A 6ª Bienal reuniu 67 compositores, entre “mestres consagrados e os novíssimos”. Foi realizado um concurso para selecionar as obras dos novos. No artigo Todos os clássicos numa Bienal, do Caderno B, do Jornal do Brasil, Susana Schild escreveu que essa Bienal destacou-se pela cuidadosa organização, pois “procurou-se criar equilíbrio e variedade nos programas. Em relação aos veteranos, utilizou-se o critério de misturar as primeiras audições (80% da programação) a reprises de obras consagradas – como  O Canto Multiplicado de Marlos Nobre. Isto é importante para criar uma consciência da consolidação de certas obras no nosso panorama musical – obras que não são executadas com a necessária frequência na temporada regular de concertos”.

Todas as correntes e principais escolas de música marcaram presença no evento, desde o grupo baiano ao de Brasília, passando pelos compositores dos grupos paulista, porto-alegrense, campinense, curitibano e mineiro. O humor também foi marcante nos textos das composições, nas expressões gestuais e recursos cênicos, proporcionando momentos de descontração e empolgando o público presente, como a Miniópera, de Henrique de Curitiba, satirizando os ensaios de ópera; O Clichê Music de Tim Rescala – seis receitas para se fazer música supostamente de vanguarda  e o Dramatic Polimaniquexixe de Jorge Antunes – um trio aparentemente clássico, atacado por acessos de maxixes.

Realizou-se também, paralelo aos concertos, o Seminário sobre Criação Musical, na Funarte, no período de 11  a 14 de novembro.


V Bienal

4 a 12 de novembro de 1983

O compositor Ricardo Tacuchian foi o coordenador dessa Bienal. No Caderno B, do Jornal do Brasil, de 4 de novembro de 1983, ele enfatizou que a 5ª Bienal procurou exprimir duas realidades históricas: a efervescência musical brasileira e a afirmação de expressões contemporâneas e alternativas, abrigando a pluralidade  – do neoclassicismo de Camargo Guarnieri ao eletroacústico de Vânia Dantas Leite – sem preconceitos, revelando o panorama de uma música que caminha para a autodefinição.

Já a articulista Vivian Wyler, no artigo O que mudou na música de vanguarda brasileira, do Jornal do Brasil, Caderno B, de 11 de novembro de 1983, traça um paralelo entre o compositor Penderecki, desde sua primeira visita ao Brasil, durante a realização do 1º Festival de Música da Guanabara, em 1969 – e treze anos depois – na sua segunda visita ao Brasil, em 1982, “mostrando que agora, quando a V Bienal vai chegando ao fim, transcorridas já quatro bienais, o saldo aponta novamente para Penderecki”.


IV Bienal

23 a 30 de outubro de 1981

A 4ª Bienal abriu espaço para diversas atividades paralelas como palestras, lançamentos de discos, assembleias de músicos da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea e debates sobre direitos autorais. O crítico e compositor Ronaldo Miranda, escreveu no Caderno B, do Jornal do Brasil, do dia 28 de outubro de 1981, sob o título A Bienal prossegue e revela novos talentos, que essa Bienal trouxe boas surpresas, como a apresentação do Concerto para Piano e Orquestra, de Miguel Praguer Coelho, valorizado pela interpretação vigorosa de Antonio Barbosa e pela intervenção eficaz da OSM regida por Bocchino – e Tato Taborda – Música Gestual VII, “não tanto pela música que produziu, mas pelo seu poder de imaginação e inteligente utilização de recursos cênicos”.


III Bienal

12 a 19 de outubro de 1979

Nessa Bienal, o público “aplaudia, às vezes, mais do que devia”. Esse detalhe teve destaque no artigo A mensagem bem aceita da II Bienal, publicado no Jornal do Brasil, de 18 de outubro de 1979: “A ovação a Guarnieri, por exemplo, no concerto de domingo, deve ser entendida mais como homenagem a essa grande figura da nossa música do que a obra apresentada: a Seresta de 1965, para piano, harpa, xilofone, tímpano e orquestra, que contou com boas execuções de Laís de Souza Brasil, Maria Célia Machado, Luiz Anunciação e Hugo Tagnin, está longe de representar o melhor Guarnieri, que tem peças muito mais interessantes e mesmo mais arrojadas. Se a idéia da Bienal é não apenas servir de amostragem do que está sendo feito, mas também fazer a volta da criação brasileira da nossa época, tão pouco divulgada, havia outros Guarnieris a merecer precedência”.

Já o crítico Luiz Paulo Horta, no Caderno B, do Jornal do Brasil, do dia 20 de outubro, sob o título  A procura de um repertório contemporâneo, enfatizou que as boas execuções foram uma das marcas registradas da 3ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, revelando que se essa música ainda não conquistou de fato o público – apesar do índice animador de comparecimento às sessões da Sala Cecília Meireles – arregimentou ao menos, o que pode ser decisivo, um grupo altamente expressivo de intérpretes, que podem funcionar, e têm funcionado, como apóstolos num meio musical ainda excessivamente refratário ao novo.


II Bienal

15 a 23 de outubro de 1977

Na matéria publicada no  Caderno B, do Jornal do Brasil, sob o título  Sons alegres emanam das Bienais, em 21 de outubro de 1977, o crítico de música Luiz Paulo Horta, escreveu que “prossegue a 2ª Bienal de Música Contemporânea, animada por um alegre sopro de entusiasmo e por algumas ótimas revelações, como o interesse do público, que na terça-feira praticamente forçou a repetição da  Imbricata de Esther Scliar”. Destacou a perfeita comunhão entre obra e intérpretes, proporcionada pela execução da obra pelo Trio Música Viva: Norton Morozowicz, Harold Emert e Norah de Almeida – iniciada de forma quase que solene, como uma meditação, fluindo para um chorinho, que segundo Horta, promoveu uma calorosa aproximação entre público, intérpretes e obra. Para ele a segunda Bienal trouxe a revelação de excelentes instrumentistas e conjuntos “perfeitamente identificados” com a música contemporânea, como a execução das  Variações Elementares, de Edino krieger, pela Camerata Gama Filho, que surgem como um dos clássicos da música brasileira contemporânea.


I Bienal

8 a 12 de outubro de 1975

Às 21h de quarta-feira, dia 8 de outubro, na Sala Cecília Meireles, dava-se início à apresentação da obra Estruturas Primitivas, de Ricardo Tacuchian. Participaram dessa primeira mostragem 35 autores das mais diversas tendências estéticas. No artigo I Bienal mostra panorama da música brasileira, publicado no Caderno B, do Jornal do Brasil, o maestro Edino Krieger dizia que “um velho sonho de todos os compositores brasileiros começa a se tornar realidade”.

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