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Notícias Por dentro da Funarte: Centro de Artes Visuais – Andréa Paes

Funarte Notícias

Publicado em 1 de agosto de 2017

Por dentro da Funarte: Centro de Artes Visuais – Andréa Paes

Entrevista com a coordenadora do CEAV – Funarte

Por dentro da Funarte: Centro de Artes Visuais – Andréa Paes Foto: S. Castellano 2017

A servidora Andréa Paes Ingressou na Funarte em 1979, através da incorporação do Instituto Nacional de Artes Plásticas (INAP), onde trabalhava. Desde quando voltou para a área de artes visuais da Fundação, em 2009, é coordenadora do Centro de Artes Visuais, cargo diretamente ligado à Direção do Centro.

Por dentro da Funarte – Quais são suas principais atribuições no CEAV – Funarte?

Andréa Paes – A este centro compete formular e realizar programas direcionados às artes plásticas, à fotografia e a outros segmentos correlacionados às artes visuais. As atividades de coordenadora vão desde o planejamento e a execução orçamentária dos empreendimentos da instituição, nessa área, até a supervisão de suas finalizações e prestações de contas. Fazem parte das tarefas as avaliações e análises dos trabalhos, bem como diálogos internos com a equipe sobre as políticas norteadoras dos programas. Estão incluídos aí editais – alguns de fomento; outros de circulação de exposições; outros para formação de acervos de arte para instituições museológicas; de oficinas, seminários e residências; e ainda para bolsas de incentivo a estudos sobre reflexão crítica ou estímulo à produção artística. Coordenamos também programas para levantamento e análise de acervos de artistas – e tratamento e recuperação desses legados –; além de projetos para pesquisa e difusão de revistas e periódicos sobre artes visuais. Além disso, quando há convênios, acompanhamos o passo a passo dos projetos e contratações para mostras e eventos especiais, entre outras atividades. Cabe ressaltar que, para cumprirmos todas essas tarefas, é preciso enfrentar todos os trâmites burocráticos, com vistas um bom desempenho orçamentário e legal das ações – sem perder o foco na atividade artística propriamente dita.

PDF – A previsão orçamentária para os programas do CEAV em 2017 se mantém, no momento, conforme previsto, em torno de R$ 5 milhões, incluída verba do Fundo Nacional de Cultura?

AP – Em 2016, a Funarte realizou quatro grandes ações, sendo duas por meio de edital e duas por curadoria – uma destas feita por uma comissão da própria Casa e a outra por uma comissão externa. Realizamos o Prêmio Arte Monumento Brasil 2016 [concurso de obras em ruas e praças públicas] e um projeto de mostra na Fundição Progresso (Rio), denominado Ponto Transição Artes Visuais. Estas ações foram ligadas à agenda cultural dos Jogos Olímpicos. Foi realizado também o Programa de Estimulo às Artes Visuais, que viabilizou a recuperação de parte obra do artista Ivens Machado; e edições de cinco revistas de arte. Também publicamos o Edital Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais, que selecionou projetos de pequenas mostras, a serem montadas nos espaços da Funarte (em Brasília, São Paulo e Minas Gerais) e que também devem circular por outros estados. No momento, aguardamos verba para pagar os recursos aos contemplados deste edital.

Para 2017, solicitamos, ainda no ano passado, o total de R$ 21,29 milhões. Porém, devido ao corte orçamentário (já amplamente conhecido), o valor aprovado até agora foi de cerca de R$ 5 milhões. Ele vem de variadas fontes, como o Fundo Nacional de Cultura (FNC); orçamento próprio; e recursos descentralizados do Ministério da Cultura.

No momento, acompanhamos a realização de projetos contemplados em editais de 2015, tais como: Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (destinado à ocupação das galerias da Funarte, em várias cidades), Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia e Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça.

PDF – Em 2017 serão realizados esses três últimos programas? Em que consistem?

AP – Até o momento, foi autorizado apenas um deles: o XVI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia. Foi aberto processo para destinação de R$ 1,15 milhões do orçamento da casa ao programa, porém o edital ainda não foi publicado. Caso ele seja definitivamente autorizado, vai estabelecer 18 prêmios para fotógrafos e será aberto a todo o território nacional. O objetivo do Prêmio é o incentivo financeiro a projetos nas seguintes áreas: livre criação; documentação e mapeamento da produção fotográfica do Brasil; preservação da memória contemporânea e acervos fotográficos históricos; produção de ensaios críticos sobre fotografia; e desenvolvimento de ações ligadas às artes visuais. Ressalto que o Prêmio Marc Ferrez teve papel pioneiro no fomento aos trabalhos de criação, experimentação, reflexão e pesquisa no campo da fotografia, na década de 1980; e que a retomada do edital, em 2010, foi importante para consolidar o papel da Funarte e de suas políticas em relação a essa linguagem.

Já o Prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça é um programa de Estado, regido pela Lei nº 11.125 de 20/06/2005. Tem os seguintes objetivos: incentivar produções artísticas destinadas ao acervo das instituições museológicas públicas e também privadas (sem fins lucrativos); dar suporte financeiro à difusão e a criação na área das artes visuais; fortalecer a memória cultural brasileira; contemplar temas relevantes para a sociedade contemporânea, novas linguagens e nova produção artística; e permitir a acessibilidade aos bens culturais – tudo isso num compromisso com a formação de público. Trata-se de importante iniciativa para ajudar a formar acervos de arte contemporânea nos museus nacionais, já que é escassa a política para aquisição de obras desse tipo. Assim, através do Prêmio, a Funarte contribui para o preenchimento de tal lacuna.

Quanto ao Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais: caso ele seja realizado em 2017, neste ano terá sua 13ª edição. É uma seleção de projetos, que busquem promover intercâmbio entre as unidades federativas do País, por meio de oficinas, seminários e residências ligados às artes visuais. A ação valoriza a diversidade da cultura brasileira, em especial no que se refere a questões relevantes da produção artística contemporânea – como as novas linguagens; a experimentação; a transversalidade das expressões artísticas e sua ligação com os vários setores do conhecimento; o diálogo com a educação; a democratização da cultura; e a promoção do acesso aos bens culturais. Sem dúvida, o Rede Nacional traz bons resultados, em função de sua grande presença em muitos lugares do Brasil, os mais diferentes.

Aguardamos que esses dois importantes projetos sejam aprovados, para viabilização por meio de recursos do FNC.

PDF – Você gostaria de destacar programas que tenham marcado a história da Funarte nas artes visuais? E, dentro destes, alguma ação que tenha evidenciado a sua trajetória profissional na casa?

Desde 2009, ano em que voltei ao CEAV, realizamos alguns projetos que foram bem significativos, tais como:

  • O Programa de Estímulo ás Artes Visuais – ação de pesquisa de acervos e obras de referência. Tratava da recuperação de obras deixadas por artistas falecidos, de bibliotecas ligadas às artes visuais e de revistas e periódicos sobre o tema
  • A recriação do Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, via edital.
  • A atualização do Prêmio Funarte Marcantonio Vilaça.
  • O Edital do Prêmio Mulheres nas Artes Visuais.
  • Prêmios para a ocupação dos espaços e galerias da Funarte – em particular os de Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.
  • Exposições com curadorias internas e externas, tais como: várias edições da Bienal de Arte e Arquitetura de Veneza e da Bienal de Havana; a Mostra Bola na Rede, em Brasília (Copa do Mundo 2016); e a Mostra Ponto Transição (Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016), no Rio.
  • Publicações de livros, pesquisas, DVDs e catálogos
  • Outras ações (a grande maioria delas documentada no portal da Funarte).

É preciso mencionar que, já desde o antigo INAP, trabalhei nos Salões Nacionais de Artes Plásticas (SNAP), tendo coordenado vários deles, além de cinco Salões Regionais, de algumas “salas especiais” e de dois simpósios nacionais – realizados em Recife e Brasília. Como essas ações integravam um programa era regido por lei, com orçamento próprio e com volume de trabalho e logística enormes, devo dizer que foi ele a minha grande escola em produção cultural (mesmo que experimental), num momento em que não havia curso universitário sobre o assunto.

PDF – Em sua opinião, o que a Funarte poderia fazer no futuro para dinamizar as artes visuais no Brasil?

AP – A missão da Funarte inclui o fomento à produção artística, o estímulo à experimentação, o incentivo e a difusão da reflexão crítica, a preservação da memória da obra de artistas, a capacitação e o incentivo à participação dos envolvidos na cadeia produtiva das artes visuais (não somente artistas, mas também outros profissionais) e, ainda, a formação de público. Trabalhamos com programas em todo o território nacional. Eles compõem ações em todos os segmentos das artes visuais e interagem com outras áreas do conhecimento. A maioria desses projetos se desdobra em conjuntos de atividades, produtos e subprodutos. Portanto, a continuidade dos programas é condição fundamental para o sucesso e consolidação do papel institucional da Funarte. É primordial que se constitua uma política pública de longo prazo para as artes em geral. Isso é necessário para que as ações da casa possam prosseguir, assim como seus múltiplos desdobramentos.

Considero ainda que seja necessário preparar um estudo para a reformulação da Lei nº 8666/1993, para que se desburocratizem os procedimentos relacionados a projetos de arte e cultura. Atualmente é muito difícil viabilizá-los, pela grande quantidade de barreiras legais. Os limites da lei são necessários, é claro. Mas seu excesso imobiliza as ações, engessa as instituições.

Se conseguirmos estabelecer toda essa dinâmica, haverá um avanço nas formas de planejar e executar programas ligados às artes.

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Andréa Paes destacou, ainda, quais são, para ela, as principais missões sociais da arte: “Está entre as funções da arte contribuir com a formação intelectual e cultural da sociedade. Mais do que apenas transmitir emoção, e entreter, a arte amplia horizontes; difunde um legado histórico e social; e estabelece diálogos constantes com o observador; propaga expressões de sentimentos; além de acompanhar a evolução do homem e da tecnologia. Além disso, por meio da educação, a arte tem potencial papel formador de inserção social”.


Foto: S. Castellano 2017


Perfil acadêmico e profissional

Andréa Luiza Paes é graduada em Arte-Educação, com habilidade em Artes Plásticas, pelo Instituto Metodista Bennett (RJ), e em Produção Cultural, com Mestrado em Memória Social (Gestão de Acervos), pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO). Por dez anos estudou no Conservatório de Música de Cachoeiro de Itapemirim (ES). Também estudou balé por alguns anos, tendo sido aluna da russa Nina Verchinina. Ingressou na Funarte em 1979, onde coordenou, ao longo de muito tempo, os trabalhos do Salão Nacional de Artes Plásticas e de alguns eventos a ele relacionados – como as Salas Especiais, os Salões Regionais e os Simpósios Nacionais. Na Fundação, coordenou o projeto Artista Visitante, que tratava de residências artísticas nos estados que, por avaliação da Funarte, a produção artística merecia mais atenção do poder público. Fez parte do Setor de Pesquisa da casa, entre 1993 e 1996, dando inicio à pesquisa sobre os Salões Nacionais. Integrou, como representante da Funarte, o Grupo de Trabalho Nacional (GTN) – Rio 92, para a realização de uma agenda cultural no âmbito dessa conferência. Por dez anos coordenou os trabalhos do Programa Nacional de Apoio à Cultura – Pronac/Funarte/MinC. Participou de vários grupos de trabalho e comissões, tanto na Funarte quanto como representante da entidade, no Sistema MinC e noutras instituições. Coordenou a Comissão do Concurso Público Nº01/Funarte/2013, onde foi representante da entidade junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV), organizadora da seleção. Tornou-se substituta oficial do diretor do Centro, Xico Chaves, nos impedimentos deste. Desde 2016, Andréa participa de grupos internos que estudam uma possível reformulação da Funarte, em busca de um novo modelo para a estrutura institucional e organizacional da entidade.

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