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Livro “Cururuar” mostra oficinas fotográficas à beira do rio Cururu, na Ilha do Marajó

Projeto foi desenvolvido num barco boiadeiro, típico da região Amazônica

Publicado em 17 de novembro de 2016 Imprimir Aumentar fonte
Fotovaral – Cururuar
Fotovaral – Cururuar

O lançamento da publicação Cururuar será no próximo sábado, 19 de novembro, em São Paulo (SP). O livro de memórias é resultado do projeto Cururuar Fluvilab, realizado pelo Coletivo Cururu, na Ilha de Marajó (PA), que teve início em abril de 2016. O evento, das 16h às 19h, terá também uma Roda de Conversa, onde serão compartilhadas as experiências geradas e as impressões da cultura marajoara, obtidas durante o período de vivência nas oficinas de fotografia.

Localizado apenas por satélite, o Rio Cururu, que fica na contra-costa da Ilha de Marajó, foi palco do projeto de oficinas de fotografia, realizado pelo Coletivo Cururu e contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 12ª Edição. Voltado para os habitantes de Chaves, um dos muitos municípios da região, o projeto teve a produção dividida entre Belém, Chaves e São Paulo, e contou com o barco boiadeiro “Orvalindo & Filhos”, típico da região Amazônica. A embarcação teve seu porão transformado em câmera obscura e adaptado para funcionar como laboratório fotográfico. “Fizemos essa adaptação quando ainda estávamos em São Paulo, para poder aproveitar o período de cheia no Marajó”, conta Betânia Barbosa, fotógrafa nascida em Belém, que desde 2012 sonhava em realizar um projeto com a comunidade local.

“Pensávamos ser um coletivo de oficineiros, que navegariam pelo Rio Cururu, levando a fotografia aos que lá residem. Mas o projeto cultural foi rapidamente reconfigurado num projeto-poesia dado o envolvimento com os cururuenses”, afirma ela. O coletivo incorporou muitos integrantes pelo caminho, que contribuíram fazendo parte do projeto, construindo com o grupo essa alma capaz de praticar o verbo ‘cururuar’.

A fotógrafa paraense pondera que os seus conterrâneos “quase nada sabem sobre a região, pois mesmo com o advento da comunicação em rede, muitos pontos da Ilha permanecem isolados e em estado rústico de existência – em especial, os lugares como Chaves, onde a desproporção entre a área territorial e número de habitantes é enorme”. Ela ressalta que as longas distâncias e a complexidade dos trajetos que nunca são os mesmos, fazem com que o caboclo marajoara, do município de Chaves, “sinta-se uma espécie de nômade em seu próprio território”.

Betânia lembra, ainda, que para que o coletivo pudesse conviver com os moradores das vilas, foi necessário entender, por exemplo, como os cururuenses processavam os alimentos e como se deslocavam de acordo com as condições geográficas do lugar, entre outras coisas. “A cada dia que passava nos tornávamos mais cururus, vivendo experiências que foram muito além das oficinas, diz ela, revelando que a intenção é ampliar o projeto para outros cantos do município.

Fitotipo e livro de memórias

Viabilizado pelo edital da 12° Edição do Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais, o projeto Cururu atendeu os participantes das vilas Boa Esperança, São Joaquim, Apaiari, São Benedito e Nedi Barbosa, com atividades propostas a partir das técnicas câmera obscura, pinhole, fitotipo e fotograma.

O processo de fitotipo exigiu a experimentação das plantas locais com o objetivo de identificar aquela que tivesse mais fotossensibilidade para fazer a revelação das fotos, no lugar do papel. A pesquisa, que teve início meses antes da aprovação do projeto pela Funarte, resultou na utilização das folhas das plantas aquáticas aguapé e mururé, e da terrestre sororoca, que se mostraram adequadas, com uma exposição entre 6 e 8 horas. Segundo Betânia, a ideia era estimular a percepção visual e favorecer a autonomia da fotografia, num lugar que tem escassez de insumos fotográficos. Daí porque, o coletivo optou ainda por construir câmeras artesanalmente. Ao final do período de oficinas, a população local participou da montagem de um fotovaral.

Lançamento do livro de memórias Cururuar e Roda de conversa
Dia: 19 de novembro, das 16h às 19h

Local: Rua Aurora, 858 – cj. 11, República, São Paulo (SP)
*As vilas participantes também serão contempladas com a distribuição gratuita do livro de memórias, no início de dezembro, após o lançamento em São Paulo.

Este projeto foi contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 12ª Edição.