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Funarte Notícias

Publicado em 19 de outubro de 2018

Funarte Brasília recebe obras de artistas consagrados

Contemplada pela Fundação com o Prêmio Conexão Circulação Artes Visuais, mostra 'Pequenas Escalas' está na Galeria Fayga Ostrower

Funarte Brasília recebe obras de artistas consagrados Obra de Nazareno. Foto: Eduardo Ortega

A Fundação Nacional de Artes – Funarte e o Ministério da Cultura recebem, em Brasília, a partir do dia 25 de outubro, quinta-feira, às 19h, trabalhos de Ana Miguel, Anna Bella Geiger, Brígida Baltar, Cadu, Cildo Meirelles, Gê Orthof, Luiz Zerbini, Nazareno, Márcia X e Regina de Paula, na mostra Pequenas Escalas. A visitação é gratuita.

O projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Atos Visuais Funarte Brasília. A visitação é de terça-feira a domingo, das 10h às 21h, na Galeria Fayga, no Complexo Cultural Funarte Brasília (Eixo Monumental).

Um conjunto inédito de Luiz Zerbini está entre as obras da mostra, organizada sob a curadoria de Ivair Reinaldim. A proposta da exibição é destacar o uso constante de miniaturas ou objetos pequenos na trajetória de artistas em evidência na contemporaneidade do país. A ideia principal da exposição é transmitir um olhar sobre o mundo “a partir de diferentes perspectivas, na recorrência das pequenas escalas através de um recorte da arte contemporânea brasileira”.

Obra de Cadu. Foto: Rafael Cañas

As obras, produzidas em diferentes momentos da trajetória dos criadores, “trazem à tona o papel das representações do mundo físico, em diferentes tamanhos e proporções, evidenciando a relação dos seres humanos com objetos da vida real e suas miniaturizações. Assim, a mostra aposta para a direção oposta à tendência de monumentalização da arte atual, apresentando obras que evidenciam o uso da redução de escala na produção contemporânea”, informa a Rosado Torres Produções Culturais, produtora do evento. “Quem trabalha com cartografia, geografia e arquitetura sempre se relaciona com escalas. Na mostra, procurei expandir essa percepção, pois todos convivemos com escalas sem saber”, explica o curador. “Desse modo, todas as peças da mostra possuem formato tridimensional, oferecendo uma experiência imaginativa e lúdica acerca do tema”, conclui.

Depois da temporada em Brasília, a mostra vai para Manaus (AM), no Centro de Artes Visuais Galeria do Largo, onde ficará de 24 de janeiro a 28 de abril de 2019.

Obra de Cildo Meireles. Foto © PatKilgore 2011

Sobre o curador

Ivair Reinaldim é Doutor em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do Departamento de História e Teoria da Arte e do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes (EBA – UFRJ). Foi professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2009 – 2014) e participou da Comissão Curatorial da Galeria de Arte IBEU (2009-2013), em várias ações. É também crítico e curador independente, com trabalhos como: A Queda, na Galeria Movimento Arte Contemporânea (2017), Rio de Janeiro (RJ); Todo Ideal Nasce Vago (2016), no Museu de Arte Moderna (MAM) – Rio de Janeiro (RJ) –; Paquetá Experimenta Arte Contemporânea (2016), na Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro (RJ) – com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro –; Diante dos Olhos, os Gestos (2016),no  Paço Imperial – Rio de Janeiro (RJ) –; exposição e seminário 80+30 – Década de 80 no Nordeste, na Galeria do Centro Cultural Banco do Nordeste (2015) – Fortaleza (CE) –; Como Se Não Houvesse Espera (2014), no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) – Rio de Janeiro (RJ) –; Bill Lundberg, no Oi Futuro (2012) – Rio de Janeiro (RJ); e ]Entre[, na Galeria de Arte Ibeu (2010) – Rio de Janeiro (RJ).

Leia sobre os artistas abaixo.

Obra de Gê Orthof. Foto: Rafael Adorjan

Obra de Márcia X. Foto: MAC - Niterói


Exposição

Ana Miguel, Anna Bella Geiger, Brígida Baltar, Cadu, Cildo Meirelles, Gê Orthof, Luiz Zerbini, Nazareno, Márcia X e Regina de Paula

Pequenas Escalas

Projeto contemplado com o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Atos Visuais Funarte Brasília

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Galeria Fayga Ostrower
Complexo Cultural Funarte Brasília
Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Brasília – DF (entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)

Abertura: 25 de outubro, quinta-feira, às 19h
Visitação: de 26 de outubro a 16 de dezembro de 2018, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

Entrada franca

Realização: Fundação Nacional de Artes – Funarte e Ministério da Cultura Produção: Rosado Torres Produções Culturais

Mais informações
Tels.: (61) 2099-3076 / 2099 3079
Classificação indicativa etária: Livre

"02-Artwork" - Ana Miguel. Foto: Wilton Montenegro

Sobre os artistas

A respeito de Ana Miguel, a produção da mostra comenta: “As relações humanas, a literatura, as palavras, os deslizamentos dos sentidos e a experiência do tempo e dos afetos constituem a matéria do seu trabalho desconcertante e pleno de humor”. A artista gravadora atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu, em 1962. A partir dos anos 1980 começou a criar obras tridimensionais e instalações. Mudou-se para Brasília, em 1985. Lá desenvolveu pesquisas e colaborou nas montagens do dramaturgo Samuel Beckett do coletivo Irmãos Guimarães. Nos anos 90, viveu na Espanha, em Barcelona, e recebeu bolsa da Fundació Pilar i Joan Miró (Palma de Mallorca). Integrou mostras coletivas no Brasil e no exterior, como a 25ª Bienal de São Paulo, a II Bienal do Mercosul – Porto Alegre (RS) –e a Theatre of Installation, no MOI, em Londres; A/MAZE, La Tréfilerie, em Bruxelas; e em variados museus e centros culturais do Brasil, tais como o MAM – RJ, O Museu de Arte do Rio (MAR) – RJ – e a Pinacoteca de SP. Já realizou mais de 20 exposições individuais, dentre elas: Sonho Escrito na
Tinta de Brasil
(2012), no Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro (RJ) –, Um Tesouro no Cofre (2011), na Casa França-Brasil, também no Rio; Fechar os Olhos para Ver (2010) – Galeria Laura Marsiaj, na mesma cidade –; Livro=sonho (2006), na Galeria Anna Maria Niemeyer (Rio); Je Tʼadore (2005), no Espace Galerie Flux – Liège, Bélgica. Recebeu diversos prêmios, como o Interferências Urbanas (2008) e o II Bienal ArteBA de Gravura do Mercosul (2000).

Obra de Ana Bella Geiger. Foto da artista

Anna Bella Geiger iniciou seus estudos artísticos na década de 1950, no ateliê de Fayga Ostrower, no Rio de Janeiro. Em 1954, viveu em Nova York (EUA), onde frequentou as aulas de História da Arte de Hannah Levy, no Metropolitan Museum of Art (MET) além de cursos na New York University, como ouvinte. No ano seguinte, retornou ao Brasil. Entre 1960 e 65, participou do ateliê de gravura em metal do MAM – RJ, onde passou a lecionar, três anos mais tarde. Em 69, novamente em Nova York, ministrou aulas na Columbia University. Voltou ao Rio, em 1970. Em 82, recebeu bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (Nova York). Publicou, com Fernando Cocchiarale, o livro Abstracionismo Geométrico e Informal: a vanguarda brasileira nos anos cinquenta, em 87. As obras da artista estão no limite entre pintura, objeto e gravura, marcadas pelo uso de diversas linguagens e a exploração inovadora de materiais e suportes. Nos anos 1970, sua produção teve caráter experimental: fotomontagem, fotogravura, fotocópia, vídeo e filme Super-8. Desde a década de 80, dedica-se também à pintura. A partir dos anos 1990, emprega novos materiais e produz formas cartográficas vazadas em metal, em caixas de ferro ou gavetas, preenchidas por encáustica (técnica que utiliza cera misturada a outros materiais).

Brígida Baltar (1959), nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde Estudou na EAV do Parque Lage. Começou sua carreira em 1990, com “pequenos gestos poéticos”, em seu ateliê, em casa. Participou de diversas bienais, entre elas a 25ª de São Paulo (2002); a 17ª de Cerveira (Portugal), em 2013; a The Nature of things – Biennial of the Americas (2010), em Denver (EUA); o Panorama de Arte Brasileira, no MAM – SP, na capital paulista (2007); e a 5ª Bienal de Havana, em Cuba (1994). Seus trabalhos foram apresentados em diversas mostras internacionais, como: Cruzamentos: Contemporary art in Brazil, no Wexner Center for the Arts – Columbus (EUA), em 2014 –; a SAM Art Project – Paris (França), em 2012; The peripatetic school: itinerant drawing from Latin America – Middlesbrough Institute of Modern Art (Inglaterra), em 2011; no Museo de Arte del Banco de la República – Bogotá (Colômbia), em 2012; e a Constructing views: experimental film and video from Brazil, no New Museum – Nova York (EUA) –, em  2010. Sua obra está representada em diversas coleções, incluindo: Colección Isabel y Agustín Coppel, Cidade do México (MEX); Museum of Contemporary Art – Cleveland (EUA); Middlesbrough Institute of Modern Art – Middlesbrough (Inglaterra); e, no Brasil, Fundação Joaquim Nabuco –  – Recife (PE); Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo, Capital; MAM – RJ (Rio de Janeiro); e Pinacoteca do Estado de São Paulo (capital paulista); entre outras.

Cadu é artista plástico, professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ART – UERJ), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da EAV do Parque Lage (Rio). Em sua prática artística, Cadu lida com a criação de sistemas, máquinas, instalações, pinturas, desenhos e esculturas, que incorporam elementos da natureza para “impulsionar as barreiras da relação entre o homem e a paisagem”. Esses dispositivos também são utilizados para explorar as possibilidades da arte sonora. O artista recebeu a Bolsa Iberê Camargo, o que lhe possibilitou participar de um programa de residência, em 2001, no London Print Studio (Londres – Inglaterra). Em 2008, foi “artista visitante” na Universidade de Plymouth (ING), a convite do Arts Council (Reino Unido). Foi finalista do Prêmio Marcantonio Vilaça em 2011. Foi indicado ao Prêmio PIPA (PIPA Global Investments, em parceria com o MAM/RJ) em 2010, 2011, 2012 e venceu a edição de 2013. Vive e trabalha no Rio.

Cildo Meireles é reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros contemporâneos. Aos 10 anos de idade mudo-se para Brasília (DF), onde teve o primeiro contato com a arte moderna e contemporânea. A partir de 1963, estudo com Barrenechea e acompanhou a produção artística internacional por livros e revistas. Nesse momento, impressionou-se com a coleção de máscaras e esculturas africanas da Universidade de Dacar (Senegal), exposta na Universidade de Brasília (UNB). Por meio de publicações, conheceu o movimento neoconcreto, do Rio de Janeiro. Sentiu-se atraído por ele e se interessa pela possibilidade “de pensar sobre arte em termos que não se limitassem ao visual”, aberta pelo grupo. Mas, na época, diferentemente daqueles artistas, seu trabalho, era gestual e figurativo – desenhos de natureza expressionista. Nos anos 1970, criou trabalhos com discos de vinil, entre outros materiais. No início da década de 1980, alguns elementos de pintura foram incorporados às suas instalações e esculturas, como em Volátil (1980), Maca (1983), Cinza (1984) e Para Pedro (1984). Produziu Missão/Missões (1987), instalação feita com hóstias, moedas e ossos, e Através (1989), um ambiente labiríntico, formado por objetos e materiais utilizados para delimitar, ou “interditar”, espaços como grades e alambrados. Em 2001, concluiu Babel, instalação sonora e luminosa, com rádios, ligados sintonizados em diferentes estações. É o segundo artista brasileiro a ter uma exposição retrospectiva de sua obra na Tate Modern (Londres), realizada em 2008.

Além de artista, Gê Orthof é professor do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UNB. Trabalhou com instalação, performance, vídeo e desenho. Entre as exposições individuais mais recentes, destacam-se: Pasaquoyanism: The First Card no John Michael Kohler Arts Center (Sheboygan – Wisconsin – EUA), em 2017, com curadoria de  Jonathan Frederick Walz e Karen Petterson;  Many-splendoured thing, na Portico Library (Manchester, Inglaterra), curadoria de Raphael Fonseca, em 2016; Confabulo ] [ matulo me mato, na Alfinete Galeria (Brasília – DF – 2016);  Nov[elos] + Nov[ilhas] = Cowladyboy, curadoria de Marilia Panitz, na Amarelegronegro Arte Contemporânea (Rio de Janeiro – RJ – 2015); HA-gaz-AH, curadoria de Marilia Panitz, na Referência Galeria de Arte, (Brasília – DF – 2014), ] noturno [ + [ soturno ], curadoria de Marilia Panitz,  na Galeria Alfinete (Brasília – DF – 2014), A Pregnant Cosmonaut Forgets to Send a Crucial Message [Nordic Drawings], na Ava Galleria (Helsinque – Finlândia – 2013), “Ambos Mundos”, (artista convidado), curadoria Ciça Fittipaldi , Galeria da FAV/UFG  (Goiânia, GO, 2013). Em agosto de 2018, apresentou Máquinas Mínimas, na Galeria Luciana Caravello (Rio de Janeiro – RJ). Recebeu bolsas e prêmios de instituições como a Penn State University (Pensylvannia – EUA), a Escola de Comunicações e Artes da USP, a Columbia University (Nova York), a Associação de Críticos de Arte de São Paulo (ACA – SP), o Centro Cultural de Curitiba (CCC) e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Rio de Janeiro (Fnlij – RJ).

Luiz Zerbini – No início de sua carreira, no começo dos anos 1980, o artista exibiu uma produção de pintura hiper-figurativa (que se assemelha à realidade, mas com estilos diversos), em telas que apresentam cenas de inspiração surrealista. Zerbini utilizou então a fotografia em colagens, concebidas como estudos para telas de grandes dimensões. Posteriormente, realizou autorretratos, nos quais se representou envolto em uma profusão de cores e imagens. Também pinta retratos de pessoas amigas, sempre imersos num mar de cores e referências, “que dão um caráter pop e solar às suas telas”. Considerado artista de grande virtuosismo, não seguiu tendências previsíveis e sua pintura passou por grandes modificações, a partir da metade dos anos 1990. Do figurativo para o mais abstrato, “sem perder uma veia solar”, o artista surgiu, no final dessa década, com a série Pinturas Dentro D’água, utilizando uma técnica chinesa, na qual o papel é tingido embaixo d’água. Logo depois a paisagem e os gráficos musicais surgiram como inspiração para sua pintura. Com vidros e acrílico sobre tela, criou efeitos ópticos incomuns. Em quadros recentes, de tom cinza chumbo, quase prata, o artista criou um espelhamento que nos mostra o entorno do espectador, criando “enigmas visuais”. Desde 1995, o artista compõe o grupo Chelpa Ferro, dedicado a investigações sonoras e visuais, do qual também fazem parte Barrão e Sergio Mekler. Em 1984, integrou a comentada mostra Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage, no Rio. Fez parte da 19ª Bienal de São Paulo (1987).

Nazareno é bacharel em artes visuais pela Universidade de Brasília. Além de seu trabalho artístico, foi professor, curador, coordenador de espaços culturais e consultor de edições sobre artes plásticas. Trabalha com diferentes mídias, como desenho, gravura, escultura, instalação e vídeo. Já fez diversas exposições, das quais se destacam as realizadas nos MAMs do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de outras, em espaços como o Museu de Arte de Brasília, o Instituto Itaú Cultural, galerias da Funarte e o Instituto Tomie Ohtake, entre outros. Participou de salões nacionais, projetos de “mapeamento”, como o Rumos Visuais Itaú, e residências artísticas. Nos anos de 2006, 2008 e 2011, foi indicado ao prêmio Marco Antônio Vilaça – SESI. Em 2010, foi um dos artistas convidados do 29º Arte Pará (2011), da Fundação Romulo Maiorana, em parceria com a Funarte. Obras suas fazem parte de importantes coleções públicas e privadas. Publicou os livros São as Coisas Que Você Não Vê Que Nos Separam (2004) e Num Lugar Não Longe de Você (2013).

Márcia X iniciou sua carreira em 1980, com a performance Cozinhar-te, em colaboração com o grupo Cuidado Louças, no 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, quando conquistou o Prêmio Viagem ao País. Outra performance foi Chuva de Dinheiro (1983), quando, juntamente com Ana Cavalcanti, lançou ampliações de notas de CR$ 5, de cima de um prédio, num ponto movimentado do Centro do Rio de Janeiro. Em 1986 em parceria com o poeta e artista Alex Hamburguer, realizou a intervenção Triciclage – Música para Duas Bicicletas e Pianos, quando entrou em cena num velocípede, durante uma concorrida apresentação musical na Sala Cecília Meireles (Rio). Em 87 construiu uma parede com sabão em pedra, intitulada Soap Opera, no 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Fundação Bienal de São Paulo, gravando um vídeo homônimo, durante o evento, em parceria com Aimberê César. Em 1988, realizou sua primeira instalação individual, Ícones do Gênero Humano, no Centro Cultural Cândido Mendes (Rio) – durante a abertura, com a galeria vazia, com Aimberê César, fotografou e filmou os presentes e, posteriormente, eles penduraram as fotos nas paredes –. Em 1990, fez sua primeira instalação individual Coleção Gênios da Pintura, na Galeria Casa Triângulo (São Paulo – SP). Em 1992, participou da instalação coletiva Tromba do Olho, no Solar Grandjean de Montigny (PUC – Rio). São desta época, na mesma cidade, suas intervenções no célebre evento de poesia CEP 20.000, capitaneado por Chacal e Guilherme Zarvos, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Dos anos 90 até 2005, a artista desenvolveu a série Fábrica Fallus. Independente, parece imune às críticas, a sucessivos cortes de participação em salões, mostras e performances; ao que considera censura; e ao cancelamento de diversas performances, lutando contra o que chamou de “enorme descrédito em relação à performance”.

"Bíblia - Templo de Areia" - Regina de Paula (2014). Foto © Wilton Montenegro

Regina de Paula nasceu em 1957, em Curitiba (PR) e, em 59, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Aos 15 anos, ingressou no extinto Instituto de Belas Artes (IBA) – atual EAV do Parque Lage –, onde cursou desenho, pintura, escultura e teoria da cor (mas durante poucos meses, pois considerou “conservadora” a pedagogia da instituição). Em 1975, selecionada para o VII Salão de Verão (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) e para o VII Salão Nacional da Prefeitura de Belo Horizonte (MG), assistiu às aulas de Sergio Campos Mello no MAM – RJ; posteriormente frequentou seu ateliê, período em que entrou em contato com as obras de criadores contemporâneos, especialmente os brasileiros da década de 1970. Foi artista residente do Centre d’Art Passerelle (Brest – França – 2005). No ano seguinte, começou a lecionar no ART – UERJ, como professora adjunta. Indicada para o Prêmio Pipa (2011), no ano seguinte, no âmbito do projeto Cofre, na Casa França Brasil, apresentou Miragens, e participou da mostra Três Artistas – Galeria Paradigmas, Barcelona (ESP) –; é também de 2012 a montagem da individual Tratado Elementar de Arquitetura, na Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea (RJ), que abrigou, em 2014, a mostra individual seguinte da artista, E Fiquei de Pé Sobre a Areia. Em 2015, participou da Trio Bienal (RJ) e da Bienal do Mercosul (Porto Alegre – RS). Em 2016, realizou uma grande exposição no Paço Imperial do Rio de Janeiro e lançou o livro Regina de Paula: Diante dos Olhos os Gestos, organizado por ela e pelo historiador da arte e curador Marcelo Campos.