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Espaço e estrutura se reinventam na mostra ‘Remanso’, em Brasília

Projeto selecionado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015 – Atos Visuais traz para a Funarte obras de João Modé, Alê Gabeira e Raísa Curty

Publicado em 19 de junho de 2017 Imprimir Aumentar fonte
Remanso_ Alvorada Nordestina 1
Raísa Curty e Alê Gabeira expõem 'Alvorada nordestina'. Imagem: divulgação

Duas instalações que conversam não apenas entre si, mas com o espaço expositivo e com os fluxos urbanos, vão ocupar a Marquise/Entorno do Complexo Cultural Funarte Brasília a partir de quarta (21), até a primeira semana de agosto. Os trabalhos, criados pelos artistas visuais João Modé, Alê Gabeira e Raísa Curty, integram a mostra coletiva Remanso, selecionada pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015 – Atos Visuais
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Planejada para interagir com a arquitetura e com o ambiente do Espaço Marquise, dentro do conceito de site-specific, a exposição – que tem curadoria de João Paulo Quintella – compreende as instalações Feira-livre, de João Modé, e Alvorada nordestina, da dupla Alê Gabeira e Raísa Curty. Por meio de interações conceituais e estruturais, os dois trabalhos criam modos particulares de correspondência entre o espectador e o espaço.

Feira-livre, como o nome sugere, apresenta elementos semelhantes aos das feiras de rua. Essa estrutura – explica a curadoria da mostra – “registra uma mimese funcional com a situação de abrigo gerada pela Marquise”. Isso porque tanto o espaço da Funarte como as feiras livres tradicionais preveem uma ocupação, temporária e provisória, em circunstâncias específicas que buscam a proteção do corpo (no caso da Marquise) ou das frutas e alimentos (no caso das feiras). No aspecto construtivo, entretanto, feiras e Marquise se opõem: “O status permanente do concreto, sua rigidez, em contato com o efêmero e a maleabilidade dos toldos, gera novas formas de perceber e de se relacionar com o espaço. A estrutura preexistente, imutável, é ressignificada a partir de materiais mais dinâmicos que caracterizam um uso humano específico, remetendo diretamente a uma vitalidade intrínseca a experiências sociais”.

Já a segunda instalação, Alvorada nordestina, aproveita não só a zona de sombras criada pelo trabalho de João Modé, mas também o próprio abrigo da Marquise, numa proposta de requalificação do espaço público: os artistas criam um “estar à vontade” em um terreno antes destinado à circulação de pessoas e pouco convidativo à permanência. “O descanso das redes sobre a estrutura rígida desloca, por si só, a percepção da estrutura e, sobretudo, convida o passante a uma nova experiência do espaço”, prevê o projeto. Raísa Curty e Alê Gabeira formam a dupla Residência Artística Móvel (RAM). A mostra na Funarte Brasília foi precedida de uma viagem dos artistas, de bicicleta, de João Pessoa (PB) à capital federal, trazendo na bagagem as redes que integram a instalação.

Sobre os artistas
João Modé nasceu em Resende (RJ). Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Seu trabalho articula-se por uma noção plural de linguagens e espaços de atuação. Participou da 28ª Bienal de São Paulo [2008], da 7ª e 10ª Bienal do Mercosul [2009/2015] e da Trienal de Aichi, Nagóia, Japão [2016]. Alguns projetos, como REDE – desenvolvido em diversas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Berlim e Rennes – e Constelações, envolvem a participação direta do público. Participou do Panorama da Arte Brasileira de 2007. Entre as exposições individuais: O passado vem de frente numa brisa, Museu do Açude, Rio de Janeiro; Land, die raum, Berlim, Alemanha [2014]; Para o silêncio das plantas, Cavalariças do Parque Lage no Rio de Janeiro [2011-2012]; MAMAM, Recife [De Sertão, 2010] e na Fundação Eva Klabin no Rio de Janeiro [2009]. Entre as exposições no exterior, estão: Bahar / The Istanbul off-site Project for Sharjah Biennial 13, Istambul, Turquia [2017]; The Spiral and the square, Bonniers Konsthall, Estocolmo, Suécia [2011-2012], SKMU e Trondheim Kunstmuseum, Noruega; connect – A Gentil Carioca na IFA Galerie de Berlim e Stuttgart [2010-2011]; Brazilian Summer. Art & the City, Museum Het Domein, Sittard, Holanda [2008]; Stopover, Kunsthalle Fribourg, Suíça [2006]; Unbound, Parasol Unit, Londres [2004]; Entre Pindorama, Künstlerhaus Stuttgart [2004]; e Slow, Shedhalle, Zurique [2003]. Desenvolveu projetos com Capacete Entretenimentos [Rio], Le Centre du Monde [Bruxelas], Casa Tres Patios [Medellin], Watermill Center [NY], entre outros. Foi membro fundador do grupo Visorama, que promoveu debates acerca das questões da arte contemporânea entre o final dos anos 1980 e a década de 1990.

Raísa Curty é artista visual e artista educadora, mas não diferencia uma atividade da outra. Seu trabalho é motivado pelo desejo de estar e deixar à vontade no mundo. Para isso, empenha-se em recriar suas mitologias pessoais e em reinventar os seres humanos. Frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e recentemente graduou-se na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou como artista educadora no CCBB e hoje desenvolve um projeto que leva escolas públicas para visitação das galerias de arte de seus bairros. Em 2014, foi assistente do artista Roberto Cabot em seu projeto de pintura para a Bienal de Taipei, com curadoria de Nicolas Bourriaud.

A trajetória de Alê Gabeira nas artes visuais é precedida pelo seu trabalho como cineasta, fotógrafo e jornalista. A partir de 2008, documenta processos de artistas e produz videoarte para exposições no Espaço Furnas Cultural, Centro Cultural da Justiça Federal – CCFJ e Largo das Artes. Desde então, em seus seis anos de atuação, desenvolve um trabalho que se apropria constantemente da precariedade e o constrói num encontro com materiais incertos. Em 2010, realiza uma residência artística no Instituto Nacional de Belas Artes de Tetuan, no Marrocos, com o Radiografia Project. No Rio de Janeiro, foi fomentador dos projetos de atelier coletivo FixosFluxos e ÁS – Atelier Sustentável. Seu trabalho no FixosFluxos (2012-2013) abrangeu experimentações em diversos campos, exposições coletivas e a sua segunda individual. No ÁS desenvolve, desde 2012, uma pesquisa onde agrega ao seu trabalho a utilização de materiais naturais e reafirma nele o uso do reaproveitamento no processo compositivo de suas obras.

Sobre o curador
João Paulo Quintella – Doutorando em História da Arte e Arquitetura pela PUC-Rio. Mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pela UERJ. Atualmente integra a equipe de curadoria e pesquisa permanente da Casa França-Brasil. Curador do projeto Permanências e destruições, proposta de ocupações artísticas em locais cujos processos de erosão e/ou transformação sejam latentes, no Rio de Janeiro. Curador do projeto Além terreno, realizado no espaço de arte independente Átomos. Curador do projeto Remanso, contemplado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015. Curador da exposição Teu osso é pedra, individual de Beatriz Carneiro. Integrou o corpo curatorial do programa Novas poéticas, desenvolvido junto à UFRJ pelo curador Philipe F. Augusto. Curador do projeto Primaverinha, proposta de ocupação do pátio do Oi Futuro Flamengo. Colaborador frequente da revista SeLecT, de São Paulo. Já escreveu para a Edições Sesc São Paulo, para o catálogo da exposição Fummés e para o Canal Contemporâneo. Participou de diversas mesas e seminários, como o Desiilha - Seminário nacional de arte e cidade e ser urbano – Semana de Arquitetura e Urbanismo PUC-Rio. Sua prática investiga as relações entre arte, arquitetura e experiência, investindo sobre modos expositivos a partir do cruzamento de diferentes linguagens e disciplinas.

SERVIÇO:

Exposição coletiva Remanso
Abertura: 21 de junho | Quarta, às 17h
Visitação: De 22 de junho a 6 de agosto | De terça a domingo, das 10h às 21h

Instalações de João Modé, Alê Gabeira e Raísa Curty
Curadoria: João Paulo Quintella

Classificação etária: livre

Entrada franca

Marquise | Entorno do Complexo Cultural Funarte Brasília. Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural,. Brasília, DF. (Entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)
Informações | (61) 3322-2076 | 3322-2029