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Notícias “A Cidade Sonora”, de Romano, é aberta no Rio

Funarte Notícias

Publicado em 19 de julho de 2012

“A Cidade Sonora”, de Romano, é aberta no Rio

Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea – Projéteis de Artes Visuais pode ser visitado pelo público até 17 de agosto

“A Cidade Sonora”, de Romano, é aberta no Rio

O Mezanino do Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, é a sede de A Cidade Sonora, desde terça-feira (17/07), quando a Fundação Nacional de Arte – Funarte inaugurou a exposição do artista visual Floriano Romano. A instalação com 20 orelhões sonorizados pode ser conferida pelo público até 17 de agosto, com entrada franca.

O trabalho propõe uma cidade dentro da cidade, a partir de gravações reunidas em diversos locais do Brasil e do mundo, preenchida pelas paisagens sonoras desses lugares, que mistura sotaques, vivências e culturas diferentes, refletindo o ideal cosmopolita de uma metrópole.

A Cidade Sonora convida o ouvinte a aguçar sua percepção, descobrindo nos conteúdos gravados dos orelhões histórias, paisagens sonoras ou memórias. A obra remete a uma ‘cidade imaginária’ por onde passou o espectador, em algum momento de sua vida.

A instalação de Romano cria um campo sonoro irradiado, resultado das gravações realizadas em diferentes cidades do país e do mundo, a partir da experiência de pessoas diferentes, artistas e não artistas, todos envolvidos no projeto de construção de uma cidade imaginária, composta pela vivência dessas pessoas que só existe no momento em que é exposta. A instalação também pretende colocar em cheque a tecnologia que desfigura os aspectos afetivos e particulares ao criar um espaço sonoro de memórias.

“As 16 gravações sonoras de grandes metrópoles e aldeias, enviadas por artistas e não artistas, ajudaram a construir essa paisagem, esse rumor de uma cidade imaginária que é a reunião do ruído da rua, da praça, do metrô, algo que a gente descarta durante o dia e trata como um lixo sonoro. Aqui, tentamos imaginar como seria o espaço dessa cidade sonora, pois ele é construído na imaginação das pessoas, a partir da riqueza de detalhes que chegaram nas gravações, do registro desses passeios pelas cidades, dessas caminhadas sonoras”, explica Romano.

O artista acrescenta que a instalação instiga o espectador a escutar a cidade, a descobrir uma cidade miscigenada, com pontos de vista diferentes, seus sotaques – um lugar que é construído. “A fisicalidade do som na instalação, devido à acústica do espaço e ao formato da concha do orelhão – quando nos apropriamos desse mobiliário urbano – gera uma impressão forte sentida no observador”.

Romano conta que o Palácio Gustavo Capanema foi escolhido como parte do projeto por ser um prédio moderno, tombado, e que faz parte da memória da cidade – fatores que reforçam a relação entre o valor histórico do prédio e a questão da memória, presentes em seu trabalho.

Ressalta ainda, a contribuição da Funarte, na viabilização do projeto. “A possibilidade de construir a documentação, através do catálogo, é importante para a arte brasileira, pois podemos competir no mundo todo com nosso trabalho. O som é imaterial, essas instalações não são comerciais, então, ao aceitar para um espaço de 100 metros quadrados uma obra sonora e imaterial é uma inovação da Funarte, grande e radical. Não seria possível montar um trabalho desse porte se não fosse através do apoio do Prêmio da Funarte.”

Sobre o artista

Floriano Romano é formado em Artes Visuais (UFRJ) e autor do programa de rádio Oinusitado, ponto de encontro da cena de arte sonora carioca de 2002 a 2004. Trabalha com intervenções urbanas e sonoras, abertas à participação e produzidas pelo próprio público. Em 2011, participou da Mostra Panorama da Arte Brasileira e produziu o projeto INTRASOM com quatro ações no MAM-RJ – sapatos sonoros, guarda-chuvas sonoros e Crude “música para paredes”, com Guilherme Vaz. Participou da exposição coletiva Voces Diferenciales, em Cuba e de mais de cem mostras e exposições desde 2000. Recebeu vários prêmios e bolsas pelas suas ações sonoras.

As cidades:

– Vila Armação de Pera (Portugal) – Ana Medeira
– Porto (Portugal) – Ângelo Ferreira de Sousa
– Nova York (Estados Unidos) – Janaina Mello Landini e Daniel Francesco Landini
– Paris (França) – Ângelo Ferreira de Sousa
– Londres (Inglaterra) – Silvia Leal
– Bergen (Alemanha) – Brandon Labelle
– Amsterdam (Holanda) – Daniele Marx
– Açores (Portugal) – Rui Neves
– Madri (Espanha) – Angel Esteve Lopez e Ana Beatriz Monteiro
– Buenos Aires (Argentina) – Jimson Vilela
– Arraial da Ajuda (Bahia / Brasil) – Angel Luis
– Cachoeira (Bahia / Brasil) – Ronaldo Eli
– Rio de Janeiro (Rio de Janeiro / Brasil) – Romano
– Vila de São Jorge (Goiás / Brasil) – Romano
– São Paulo (São Paulo / Brasil) – Jimson Vilela

“A Cidade Sonora”
Exposição de Floriano Romano

De 17 de julho a 17 de agosto de 2012
Das 10h às 17h

Local: Mezanino do Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 – Centro
Rio de Janeiro (RJ)

Prêmio Funarte de Arte Contemporânea – Projéteis de Artes Visuais