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Edições Funarte: ‘Plínio Marcos – obras teatrais’ chega ao público paulistano

Coleção inédita com seis volumes é lançada em São Paulo, com a presença do filho do dramaturgo. Espetáculo “Prisioneiro de uma canção”, baseado em poesias e letras de músicas do escritor, terá apresentação após o lançamento

Relacionado a: Artes Integradas, Literatura, Teatro
Publicado em 23 de novembro de 2017 Imprimir Aumentar fonte
Plinio Marcos Obras Teatrais_lancamento em SP_nov. 2017.pg
O diretor executivo da Funarte, Reinaldo Veríssimo (dir.); a coordenadora da Funarte SP, Ester Lopes; a gerente de edições da casa, Filomena Chiaradia; o Secretário do Estado Adjunto de Cultura de SP, Romildo Campello; e a diretora do Cepin - Funarte, Maristela Rangel

Foi no dia 28 de novembro, terça-feira, na Funarte São Paulo, o lançamento da coleção Plínio Marcos – obras teatrais em SP. Editados pela Fundação Nacional de Artes – Funarte, os seis volumes que compõem a coletânea inédita de peças do escritor trazem a última revisão de conteúdo realizada pelo dramaturgo. Para essa edição, foram selecionados os 29 textos concluídos pelo autor – dez deles publicados pela primeira vez. Organizador da coleção, o crítico e professor de Teoria Literária Alcir Pécora fará a apresentação da coletânea, acompanhado do filho de Plínio Marcos, o também dramaturgo Leo Lama, roteirista do espetáculo Prisioneiro de uma canção, que será apresentado, logo após, na Sala Guiomar Novaes. O evento conta com a parceria da Associação Paulista dos Amigos da Arte – APAA e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Alcir Pécora e Leo Lama. Foto: Sharine Melo - Funarte SP

Nos seis volumes de Plínio Marcos – obras teatrais estão textos consagrados, como Navalha na carneDois perdidos numa noite sujaO Abajur lilás Quando as máquinas param. O organizador da publicação é o crítico e professor de literatura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Alcir Pécora. Ele acrescentou a cada livro análises dos textos de Plínio Marcos. No lançamento, o ensaísta fará uma apresentação da coletânea, no Centro de Convivência Waly Salomão. Fotos, cartazes, imagens de textos escritos à mão pelo dramaturgo e outras curiosidades – como ingressos teatrais – ilustram a obra. Essa iconografia tem a assinatura de Ricardo Barros, filho de Plínio. A atriz, ex-esposa do autor teatral e mãe de seus três filhos, Walderez de Barros, estabeleceu a versão final das peças.

Cada um dos volumes foi definido com base numa linha temática principal, “distinta em termos de significação e de composição, a ponto de ser possível destacá-la no conjunto da obra…” – explica o organizador. O Volume 1, Atrás desses muros, reúne as peças cujas personagens encontram-se na prisão. O segundo livro, Noites sujas, mostra personagens sem ocupação ou subempregados, no limite da sobrevivência nas grandes cidades. O Volume 3, Pomba roxa, reúne as peças que giram em torno da figura da prostituta. A quarta publicação, Religiosidade subversiva, traz as peças que o próprio autor reuniu num livro, com esse tema e com o mesmo título – e mais o texto O homem do caminho. O Volume 5, No reino da banalidade, reúne textos em que se destaca a descrição dos “hábitos pequeno-burgueses” – crítica, cômica ou tragicômica. Já o sexto título, Roda de samba/Roda dos bichos, apresenta o teatro musical e também a obra infantil de Plínio Marcos – leia a descrição completa de cada título abaixo.

O objetivo da coleção Plínio Marcos – obras teatrais é dar ao público uma versão “absolutamente confiável” das peças do dramaturgo – baseada sempre na última modificação feita por ele próprio. “Um autor da grandeza de Plínio Marcos tem o direito de ter o conjunto da sua obra publicada de maneira correta e fidedigna”, comenta Alcir Pécora. “Outro critério universal adotado foi o de apenas publicar, neste momento, as peças cujos originais, ou mesmo cópias, constassem do acervo de forma íntegra, e dadas como finalizadas pelo próprio Plínio Marcos”, destaca o estudioso “A convicção que animou todos os esforços necessários para o preparo da atual edição foi a de introduzir a obra de Plínio Marcos no âmbito de um repertório cultural atuante no século XXI”, conclui.

Lançamento Coleção Plínio Marcos: obras teatrais na Funarte SP

Convite. Programação Visual Funarte

Sobre o espetáculo

Prisioneiro de uma canção é baseado em um trabalho pouco divulgado de Plínio Marcos: suas poesias e letras de músicas. As letras que ele escreveu para suas peças foram musicadas por seu filho Leo Lama, também dramaturgo, que criou o roteiro do espetáculo, baseado nas músicas de Balada de um palhaço, Querô – Uma reportagem maldita, Madame Blavatsky, A Mancha roxa. Leo ainda utilizou trechos de livros e poesias de Plínio, incluindo uma poesia inédita, escrita em 1990 e musicada por ele em janeiro de 2000. Um ator-cantor e uma atriz-cantora que recebem os nomes de Helena e Bobo Plin, personagens de Madame Blavatsky e Balada de um Palhaço, narram e cantam o roteiro escrito por Lama.

Leo Lama, em "Prisioneiro"

Sobre Plínio Marcos

Plínio Marcos (Santos – SP, 1935 — São Paulo – SP, 1999), foi palhaço, camelô, ator, dramaturgo, diretor teatral e escritor. Escreveu 31 peças – quatro delas inacabadas –, além de outros textos literários. Peças suas foram traduzidas, publicadas e encenadas em francêsespanholinglêsalemão – parte delas adaptada para cinema e TV. Recebeu seis prêmios Molière de melhor autor, por Navalha na carneDois perdidos numa noite suja e outras obras entre os 33 prêmios que ganhou. Também foi um atuante jornalista.

Após 1968, o teatro de Plínio Marcos era sistematicamente censurado. Navalha na carne Dois perdidos numa noite suja, mesmo depois de apresentadas em diversas regiões do Brasil, foram interditadas em todo o país. Foi preso pelo Exército, e liberado, dias depois, por interferência de um amigo influente. Em 1969, foi para a cadeia de novo, porque não acatou a interdição de Dois perdidos numa noite suja, em que trabalhava como ator; e libertado, por interferência de vários artistas. Foi detido ainda várias outras vezes, para interrogatório. Era considerado “maldito” pela ditadura militar e por quem a apoiava. “De repente, todas as minhas peças foram proibidas. Por quê? [...]. Há 17 anos [1973] pago o preço de nunca escrever para agradar aos poderosos [..]. A solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro. Não saio. E pago qualquer preço pela pátria do meu povo”, desabafou Plínio Marcos.

Sua dramaturgia é marcada por essa perseguição política e pela censura, que, por mais implacável que fossem, não fizeram com que ele desistisse. Ao contrário: quando não pode mais produzir, dirigir e atuar, produziu contos, novelas, reportagens e crônicas, muitas delas publicadas nas páginas de importantes jornais e revistas do país (Última HoraVejaFolha de S. Paulo, O Pasquim, Opinião e outros) e foi reconhecido por seu valor. Muito mais foi impresso em edições baratas, feitas pelo próprio autor, vendidas por ele mesmo, na rua e nas portas de teatros e universidades. Intitulando-se “repórter de um tempo mau”, comentou: “Maldito seja eu e que escarrem no meu nome, se algum dia eu deixar de ir ao encontro dos que vêm de mim, por preguiça ou apodrecido pelo sucesso”. Ele falava de seus personagens, sempre retratos de perdedores, encarcerados, perseguidos, desesperançados, famintos e enfermos.

Plínio Marcos faleceu aos 64 anos, em São Paulo, em 1999, após dois derrames e uma infecção pulmonar. Reconhecendo a grandeza única da obra do dramaturgo, em 2001, a sala de espetáculos cênicos da Fundação Nacional de Artes, em Brasília, passou a ser chamada de Teatro Funarte Plínio Marcos.

Sobre Alcir Pécora

É professor titular de Teoria Literária da Unicamp. Como crítico de literatura, publicou vários ensaios. É membro da Accademia Ambrosiana de Milão, junto à Seção Borromaica. Entre outras obras, escreveu Teatro do Sacramento (1994); Máquina de gêneros (2001) e Rudimentos da vida coletiva (2002). É organizador de A Arte de Morrer (1994), Escritos históricos e políticos do Padre Vieira (1995), Sermões I e II (2000-2001); As Excelências do governador (2002); Lembranças do Presente (2006); Índice das Coisas Mais Notáveis (2010); Por que Ler Hilda Hilst (2010). Editou as Obras Reunidas de Hilda Hilst e de Roberto Piva.

Leia mais sobre cada título

Volume 1 – Atrás desses muros

O livro reúne dramaturgia de Plínio Marcos cujas personagens encontram-se na prisão — notadamente, Barrela, o primeiro texto teatral de Plínio Marcos, cuja primeira versão é de 1958; A Mancha roxa, escrita 30 anos depois; e Oração para um pé de chinelo, de 1969, ano em que, “a despeito de proibidas, as peças de Plínio balizavam todo o teatro brasileiro: críticos, público universitário ou não, e ainda o surgimento da chamada ‘nova dramaturgia’” (de Atrás desses muros – Alcir Pécora).

Volume 2 – Noites sujas

O segundo título traz textos cujo núcleo está em personagens e situações “características do grupo social usualmente chamado de lumpesinato ou de subproletariado”, pessoas sem ocupação ou com ocupação precária, que lidam, no limite da sobrevivência, com o dia a dia das grandes cidades. “No caso do teatro de Plínio Marcos, esse grupo é especialmente importante e va­riado, incluindo estivadores, chapas do mercado, mendigos, catadores de papel, pequenos golpistas, bêbados, drogados, etc.” (de Noites sujas, do organizador). Estão nesse livro a famosa obra Dois perdidos numa noite suja (1966), Quando as máquinas param (1967); e Jornada de um imbecil até o entendimento e Homens de papel, ambas de 1968.

Volume 3– Pomba roxa

O terceiro livro agrupa as peças cujo centro gira em torno da figura da prostituta, retratada em seus vários ambientes – principalmente o quarto de pensão, o bordel, as ruas e o cabaré –, e das situações a que esse tipo de personagem é associado: “as agruras do ofício, com suas doenças, vícios, espancamentos; as contradições entre a exploração comercial e o amor do cafetão; as taras e carências dos clien­tes; a constância do suicídio; o precário glamour; a esperança de deixar a prostituição; as dificuldades da gravidez e os sacrifícios para criar filhos; a decadência física etc.”. Fazem parte desse volume duas das peças mais bem-sucedidas de Plínio Marcos: Navalha na carne (1967), cuja protagonista, a meretriz Neusa Sueli, “é provavelmente a personagem mais célebre de toda a sua dramaturgia” – diz Alcir Pécora –; e O Abajur lilás (1969); além de Querô, uma reportagem maldita (1979).

Volume 4 – Religiosidade subversiva

A quarta obra agrega os três textos que o próprio autor reuniu sob o mesmo título, num livro que lançou em 1986, a saber: Jesus‑Homem (1978); Madame Blavatsky (1985); e Balada de um palhaço (1986). O organizador acrescentou ainda O homem do caminho (versão final de 1996).

Volume 5 – No reino da banalidade

Na dramaturgia desse volume “ocorre uma inversão da dominante esotérica ou pseudofilosófica” em Plínio Marcos, se direciona para a descrição dos “hábitos pequeno-burgueses” – crítica, cômica ou tragicômica. O livro inclui nove trabalhos, entre peças completas. São elas: Signo da discoteque (1979), O assassinato do anão do caralho grande (1995), O bote da loba (1997) e A dança final (última versão de 1998); além de textos curtos, “esquetes que repassam acontecimentos ou contingências da vida política brasileira”: Verde que te quero verde (1968); Ai, que saudade da saúva (1978); No que vai dar isso (1994); Leitura capilar (1995); e Nhe-nhe-nhem ou Índio não quer apito, (do mesmo ano).

Volume 6 – Roda de samba/Roda dos bichos

O sexto e último livro reúne três musicais: Balbina de Iansã (1970); Feira livre (1976); O Poeta da vila e seus amores (1977); e também o teatro infantil de Plínio, com mais três peças: As aventuras do coelho Gabriel (1965); História dos bichos brasileiros: O coelho e a onça (também intitulada Onça que espirra não come carne), de 1988; e Assembleia dos ratos (1989). Alcir Pécora explica que o título duplo do volume “busca identificar as duas linhas de força”, o teatro musical e o infantil, sem misturá-las, mas propondo alguma relação entre elas, “contemplada na noção comum de ‘roda’… como ciranda, em que se formam grupos que brincam, dançam e cantam…”, comenta o crítico.

Fontes: textos da publicação, Gerência de Edições da Funarte e site oficial de Plínio Marcos.

Mais informações: www.pliniomarcos.com

Cronologia da obra de Plínio Marcos:
www.pliniomarcos.com/teatro_obracompleta.htm

Serviço

Plínio Marcos – obras teatrais

Organização: Alcir Pécora
Edição: Fundação Nacional de Artes – Funarte

Lançamento e palestra com o organizador
28 de novembro de 2017, terça-feira, às 19h
Local: Centro de Convivência Waly Salomão

Apresentação do espetáculo Prisioneiro de uma canção – às 19h30
Local: Sala Guiomar Novaes

Ficha técnica de Prisioneiro de uma canção:
Texto: Plínio Marcos
Roteiro, direção e músicas: Leo Lama
Cantora: Fernanda de Paula
Violonista: Léo Nascimento
Duração: 50 min.

Representação da Funarte em São Paulo
Alameda Nothmann, Nº 1058, Campos Elíseos – São Paulo (SP)
(21) 3138-9600


Preço:
R$ 35 por volume
Promoção de lançamento: R$ 120 pelos seis livros, ou R$ 20 por volume
Preço válido somente até o dia 28 de novembro de 2017

Em caso de remessa, será acrescentado o valor do frete.
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