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‘Plínio Marcos – obras teatrais’: Funarte lança coleção inédita

Fundação promove noite de autógrafos com o organizador e crítico Alcir Pécora, com presença do Filho de Plínio, Ricardo Barros, que levantou as ilustrações, e do neto do dramaturgo, Bruno Barros; além de escritores, artistas e jornalistas

Publicado em 7 de setembro de 2017 Imprimir Aumentar fonte
Ricardo Barros – filho de Plinio Marcos. A gerente de edicoes da Funarte, Filomena Chiaradia e o professor e critico Alcir Pecora. Foto S. Castellano
À esq., Ricardo Barros, filho de Plinio Marcos; a gerente de edições da Funarte, Filomena Chiaradia; e o organizador, Alcir Pécora. Foto: S. Castellano

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lançou no dia 5 de outubro, terça-feira, às 19h30, na Livraria da Travessa – Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, a coleção inédita ‘Plínio Marcos – obras teatrais’. Com seis volumes, a obra reúne as últimas edições das peças do autor de Dois perdidos numa noite suja e Navalha na carne, entre dezenas de outras peças – considerado um dos mais importantes dramaturgos brasileiros.

A coletânea reúne todos os concluídos por Plínio Marcos, em versões que passaram pela última revisão de conteúdo feita pelo dramaturgo. Dez das peças foram publicadas pela primeira vez – muitas delas nunca montadas. Os textos são acompanhados por análises de todos os textos, escritos pelo organizador da obra, Alcir Pécora, crítico e professor de literatura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pécora autografou os livros e realizou uma apresentação da coletânea para o público e para a imprensa, juntamente com Ricardo Barros, filho de Plínio, responsável pelo levantamento das ilustrações – fotos, cartazes, manuscritos do dramaturgo ingressos teatrais e outras curiosidades. Estiveram na mesa de autógrafos artistas plásticos, como Luciano Figueiredo, escritores e dramaturgos, como Sérgio Fonta, Paulo Roberto Pereira – membro da Academia Carioca de Letras (ACL) –, editores, como José Mário Pereira diretores teatrais, atores e outros profissionais do teatro e da cultura em geral – entre eles, vários servidores da Funarte. Sérgio Fonta observou: “A edição é de fundamental importância para a cultura brasileira. Somente peças isoladas do Plínio Marcos eram encontradas. Há muito tempo que o mercado de livros sentia falta da obra completa dele; essa coleção ainda conta com tratamento de texto. Para a memória do teatro brasileiro, o lançamento é de uma relevância fantástica. Espero que todos o percebam. É indispensável ter e consultar essa obra essencial, em que a Funarte traz à tona novamente o Plínio Marcos – um dos nossos autores mais encenados”.

Filomena Chiaradia, Gerente de Edições do Centro de Programas Integrados da Fundação (setor responsável pelo lançamento), abriu a apresentação: “Tenho certeza de que essa coleção é muito importante para a cultura brasileira e, por isso, esse é um momento de grande emoção, para mim e para toda a Funarte. O nome de Alcir Pécora para a organização dessa obra, trazido pela família de Plínio Marcos, aqui representada por seu filho Ricardo Barros, foi sem dúvida uma escolha perfeita. Esperamos que o trabalho do Plínio circule mais ainda por este país, da mesma forma que sempre esteve presente em nossos palcos”.

Alcir Pécora explicou que cada volume foi definido com base numa linha temática principal. O crítico fez um breve painel de cada livro: O Volume 1, Atrás desses muros, reúne as peças cujas personagens encontram-se na prisão. O segundo livro, Noites sujas, mostra personagens sem ocupação ou subempregados, no limite da sobrevivência nas cidades. O Volume 3, Pomba roxa, reúne as peças que giram em torno da figura da prostituta. A quarta publicação, Religiosidade subversiva, traz as obras que o próprio autor reuniu num livro, com esse tema e com o mesmo título – e mais o texto O homem do caminho. O Volume 5, No reino da banalidade, reúne peças em que se destaca a descrição dos “hábitos pequeno-burgueses”. Já o sexto título, Roda de samba/Roda dos bichos, apresenta o teatro musical e também a obra infantil de Plínio Marcos. “Fiz os títulos a partir de expressões usadas pelo próprio Plínio”, comentou Pécora.

Navalha na Carne, 50 anos: obras ainda atuais

O filho de Plínio Marcos, Ricardo Barros, declarou: “Agradeço muito a oportunidade de estar aqui hoje, que meus pais me deram, há pouco mais de 50 anos atrás. Depois de remexer nas caixas do meu pai, a edição nos traz coisas que não fazíamos ideia. Mas essa obra começou muito antes do Alcir ou até mesmo eu entrarmos no projeto. Ela traz muito de história do Brasil. Barrela, escrita em 1959, era um alerta para a situação dos presídios no país. As pessoas preferiram ficar quietas. Isso aconteceu depois com O Abajur lilás e com Dois perdidos numa noite suja e Navalha na carne, que neste mês, completa 50 anos”, comentou Barros.

“Para chegar até aqui, ainda com meu pai, houve muita dificuldade, mas também o desejo de concretizar isso”, acrescentou. “Em 1997, Plínio assinou um contrato com a Funarte para a edição das obras completas. A publicação não saiu, não sei porque, apesar de ter sido anunciada”. A ideia era lançá-la com o dramaturgo vivo. Mas ele morreu, em 1999. “Nesse longo tempo, conversei com quatro presidentes da Funarte diferentes e também com outras editoras. Todos reconheciam a importância do projeto, mas não o realizavam. Eu me perguntava por que era tão complicado mexer na obra do meu pai. E relia o que ele escrevia e lembrava do que ele falava: as peças são para mexer com quem está sossegado. Até hoje elas fazem isso. São para incomodar os que acham que está tudo bem… E até hoje não está. Víamos que, se as peças continuam atuais, é porque o país não se altera. Quem ler os textos vai achar que foram escritos ontem, não há 50 anos. Queremos que a obra fique disponível, para que as pessoas se informem e se emocionem e possam mudar a maneira de pensar. E que percebam que o mundo precisa de muitos dramaturgos; e de quem faça teatro, da forma que o Plínio propunha – porque de outras, sempre haverá, mas da maneira dele, precisamos de mais”, concluiui.

Em Plínio Marcos – Obras Teatrais estão todos os textos completos do autor, como Navalha na carne, Dois perdidos numa noite suja, O Abajur lilás e Quando as máquinas param. A atriz, ex-esposa do autor teatral e mãe de seus três filhos, Walderez de Barros, estabeleceu a versão final dos textos. “Ela corrigiu cada detalhe”, disse Ricardo Barros.

Estavam presentes ao evento o Diretor Executivo da Funarte, Reinaldo Veríssimo; a diretora do Centro de Programas Integrados da Fundação, Maristela Rangel; o diretor do Centro de Artes Cênicas da Casa, Ginaldo de Souza; o coordenador de teatro, Oscar ; o coordenador-geral de planejamento e administração, Paulo Grijó Gualberto, a coordenadora de comunicação, Camilla Pereira e a assessora do Gabinete, Ana Amélia Velloso, entre outros servidores.

Sergio Fonta (esq.) e Alcir Pécora

Um passeio pela coleção

Em comentários sobre o segundo livro, Noites sujas, Alcir Pécora destacou que os dramaturgos da época (a exemplo de Gianfrancesco Guarnieri) se preocupavam e retratar em seus personagens um “proletariado organizado”. Mas que Plínio Marcos mostra o lúmpen, ou seja, a pessoa que já não encontra ocupação no mercado de trabalho, ou subempregada, sem qualquer tipo de direito trabalhista. E que, na época em que Plínio escreveu, estava ficando sem emprego, por falta de especialização, na crescente automação industrial – o que o crítico chamou de “subproletariado”. Estão incluídos nesse grupo: estivadores, pessoas que pegam carona em caminhões para conseguir biscates no mercado, mendigos, catadores de papel, golpistas, bêbados e drogados. “Até então, eles não haviam sido objetos de teatro”, comentou Alcir. “Plínio mostra ali os lugares degradados, uma cidade sem lei, oculta, mas que hoje é absolutamente visível a ‘olho nu’”.

Sobre o terceiro volume, Pécora disse que Plínio Marcos representa nas peças a figura da prostituta como um símbolo ambíguo. Ela não somente é parte de um ambiente urbano arruinado, mas também tem uma dimensão estranhamente “espiritualizada”. “Ao mesmo tempo em que essa personagem vive o suicídio e a droga, como em Querô, ocupa um lugar de quase sacralidade.

Já sobre o quarto volume, o organizador comentou: “Tem um tema talvez surpreendente para quem não acompanhe a obra do Plínio. Muitos não sabem, mas desde suas primeiras peças, ele tem grande interesse por questões místicas e religiosas. Já os anos 60, ele sempre associado a uma perspectiva de esquerda e considerado ‘barra pesada’ e radical, ele fez Jesus homem, com cenas da vida do Cristo. Isso prevaleceu em muitas peças dele. Uma visão que o próprio autor teria nomeado de “religiosidade subversiva”. “O próprio termo recusa o ‘religião’ (este com um sentido institucional), uma ideia de religiosidade completamente fora de qualquer organização; por outro lado, um ‘subversivo’, associado evidentemente à resistência à ditadura – nome que se dava, é claro, a quem afrontava a ditadura e era contra a vida burguesa estabelecida”. Uma pessoa da plateia lembrou que Plínio Marcos jogava tarô. “Ele jogava profissionalmente”, acrescentou Pécora. “Nos anos 80, Madame Blavatsky é exemplo dessa religiosidade. Ele entrou por vários desses direcionamentos esotéricos, mas sempre com uma interpretação muito particular, em que ele revê as fontes místicas que utiliza de forma muito radical e pessoal”.

“O quinto volume, No Reino da Banalidade, talvez seja o mais original e desconhecido de todos. Quase nenhuma de suas peças foi montada. São sobre a vida burguesa, em geral, e a da mídia; e a família, categorias centrais na organização social”. O tom é de crítica, cômico ou tragicômico. “São diversos ângulos do universo burguês colocados em cena. Mas ali também está a organização da vida política oficial brasileira. Ali Plínio retrata praticamente todos os políticos da Nova República brasileira (de nenhum propriamente bem) e claramente a ‘enterra’ em vida, em peças duríssimas e céticas. Ele comenta especialmente as eleições de 1994, para ele, liquidaram as chances de o Brasil tornar-se, enfim, um país decente.

Leia a descrição completa de cada título, mais informações sobre Alcir Pécora e sobre Plínio Marcos, na matéria linkada aqui

Plínio Marcos – obras completas
Organização: Alcir Pécora
Estabelecimento da versão final dos textos: Walderez de Barros
Levantamento iconográfico: Ricardo Barros
Edição: Fundação Nacional de Artes – Funarte

Lançamento e palestra com Alcir Pécora e Ricardo Barros

Livraria da Travessa – Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A
Tel.: (21) 3138 9600

Preço: R$ 35 por volume
Promoção de lançamento: R$ 120 pelos seis livros, ou R$ 20 por volume
Preço válido somente até o dia 31 de outubro de 2017
Em caso de remessa, será acrescentado o valor do frete

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